quinta-feira, 2 de setembro de 2021

AVALIAÇÃO: RESPEITO, CUIDADO E ZELO COM O OUTRO.


                                AVALIAÇÃO: RESPEITO, CUIDADO E ZELO COM O OUTRO

 

                                                                                                                                 Prof. Dr. Erisevelton Silva Lima 


        A maneira como tratamos as pessoas no trabalho revela, quase sempre, como lidamos com o outro no cotidiano, independente da profissão abraçada. A questão da avaliação torna os tons, mais fortes, porque muitos avaliadores parecem desfrutar de uma situação ultraprivilegiada e repleta de vaidades. Como bem afirmaram Freitas e outros (2009) a avaliação abre ou fecha portas, nesse sentido reiteramos sobre a necessidade de mantê-las, pelo menos, entreabertas; a intenção é a de que evitemos danos maiores ou prejuízos indeléveis para aqueles que estão aprendendo.  À guisa da garantia do controle muitos avaliadores dilaceram a ética e a compaixão em nome de algo presumível, porém pouco tangível, ou seja, o próprio conceito de qualidade; a isso Sordi e Santos (2021) denominaram, acertadamente, de avaliocracia.  

         Não podemos esquecer que somos todos sujeitos da aprendizagem enquanto avaliamos, a diferença é o sentimento que ficará com o outro em razão de como foi ou não respeitado. Cumpre lembrar que assim se estrutura o ‘profissionalismo’ daqueles que tecem os fios da colcha artesanal da avaliação, infelizmente, sem que percebam as diversas exclusões praticadas. Não foi em vão que Hoffmann (2014) alertou-nos que ao avaliar nos denunciamos.




       Sabemos, sobejamente, que a avaliação no percurso se difere da avaliação do percurso. Todavia, percorrer com o outro garantindo-lhe a escuta, ajustando o itinerário formativo e potencializando o diálogo entre o avaliador com o avaliado pode atenuar as dores e os dissabores que permeiam essa jornada. Avaliar é uma tarefa árdua e repleta de sentimentos, ora bons, ora ruins. Recorramos a Marshal Rosenberg (2006) para lembrarmos que a forma como nos comunicamos pode ser mais ou menos violenta e, com isso, intensificamos a saúde do diálogo entre o avaliador com o avaliado. Em decorrência dessas e outras, algumas questões precisam ser eleitas, quais sejam: como estabeleço um diálogo avaliador respeitoso, como realizo uma escuta ativa no momento da avaliação, como permito ao estudante manifestar suas dúvidas e angústias no processo educativo/avaliativo, como garanto a defesa e o argumento do sujeito que avalia enquanto é avaliado? Tais respostas podem nos ajudar nos momentos privilegiados da formação dos professores novos ou daqueles mais experientes. Talvez esteja aqui o objetivo deste pequeno texto reflexivo: que cada um preencha com suas próprias respostas.

         Cumpre lembrar que nossas experiências, vagas ou vastas, são detentoras de inúmeros prejuízos causadores das impaciências para ouvir, escutar e se conectar com o outro. Somos apressados, nossas preconcepções se arvoram e antes mesmo que o outro fale já completamos o pseudosentido da frase ou palavra que deduzimos. Eis um desafio hercúleo, aprender a escutar. É, pois, nesse sentido que sugerimos o uso dos diálogos que potencializem a autoavaliação como precursores dos estágios de acolhida, escuta e conexão com aqueles que agora aprendem. Tais diálogos, socráticos, deixam o outro falar, elaborar e refletir sem medo de punição, vale lembrar.

Aprendamos como avaliar, sobretudo, com humanismo. Para isso precisamos que os sujeitos avaliados possam, também, avaliar a avaliação a que foram submetidos. A bandeira ou tema da avaliação abala as relações institucionais e pessoais. Nossa história de avaliar para excluir e punir ainda deixa o campo educacional tenso e fértil para desconfianças e medos, e isso é muito ruim. Os diálogos que estimulam a autoavaliação podem corroer essas rígidas estratégias da cultura avaliativa, os sujeitos da avaliação não precisam ser vistos como perseguidores ou perseguidos, eles podem entender que a avaliação que desejamos é formativa e, portanto, interventiva, dialogada, consensual e ética. Como bem disse Villas Boas (2014), trata-se de avaliar para a aprendizagem. Quanto mais os sujeitos do processo educativo/avaliativo demonstrarem segurança e confiança uns nos outros, melhores serão os resultados. Não precisamos ameaçar ou amedrontar para ensinar, muito menos para aprender

Texto gentilmente cedido por:   Erisevelton Silva Lima – Pedagogo, Doutor em Educação pela  Universidade de Brasília-UnB), Professor da SEEDF e formador para  docência nas escolas judiciais e de magistratura brasileiras. 

 

REFERÊNCIAS

 

FREITAS, Luís Carlos de e outros. Avaliação Educacional: caminhando pela contramão. Ed Vozes, RJ, 2009.

HOFFMMANN, Juçara. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. 33. ed. Porto Alegre, RS: Mediação, 2014

ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Ed. Ágora, RJ, 2006.

SORDI, Mara Regina Lemes de. SANTOS, Marcos Henrique Almeida dos. O lugar da avaliação das aprendizagens em uma perspectiva histórico-crítica. In: VEIGA, Ilma Passos A. FERNANDES, Rosana César Arruda, (Org) Por uma Didática da Educação Superior. Autores Associados- SP, 2021.

VILLAS BOAS, Benigna Maria de Freitas. Avaliação para a aprendizagem na formação de professores.  Cadernos de Educação, Brasília, n. 26, p. 57-77, jan./jun. 2014



quinta-feira, 5 de agosto de 2021

TODOS OS EDUCADORES SÃO LÍDERES IMPORTANTES

 

TODOS OS EDUCADORES SÃO LÍDERES IMPORTANTES


Por Marli Dias Ribeiro 

 “Eu gosto do impossível porque lá a concorrência é menor”. Walt Disney

O estudo e o conceito de liderança são alvo de pesquisa ao longo dos tempos. Há décadas estudiosos buscam desvendar a influência de líderes e como pessoas podem ser motivadas a apresentarem resultados em trabalhos e atividades em grupo quando orientadas. Quem não se lembra de um professor liderando seus estudantes?



Na antiguidade, Platão em sua obra a “República” discorria sobre o líder ideal. Sócrates, tornou-se conhecido por instruir e ensinar seus discípulos por meio de uma série de perguntas cuidadosamente elaboradas e selecionadas com a intenção de pensar a autoavaliação, e levar o estudante a uma conclusão sobre sua atuação com o poder. Este método de perguntar era usado para desenvolver as habilidades de pensamento crítico. Bass (1988) argumenta que "desde sua infância, o estudo da história tem sido o estudo dos líderes - o que e porque eles fizeram o que fizeram".  Muitos estudos sobre liderança são mais frequentes em história e psicologia. Mas, o que é liderança, o professor é um líder? 

Segundo Chiavenato, "a liderança é, de certa forma, um tipo de poder pessoal. Através da liderança uma pessoa influencia outras pessoas em função dos relacionamentos existentes (...)”. O autor condiciona seu conceito a fatores voltados a influência e a relação existe entre o líder e o liderado, Chiavenato (2000, p. 446). 

            O termo liderança segundo Stogdill (1974) pode ter aparecido por volta do ano de 1300 da era cristã. Seu estudo perpassa as mais variadas áreas do conhecimento e diversos enfoques são atribuídos ao tema. A liderança pode surgir de forma natural, quando uma pessoa se destaca no papel de líder, sem possuir forçosamente um cargo de liderança. É um tipo de liderança informal. Para Chiavenato (1999) quando um líder é eleito por uma organização e passa a assumir um cargo de autoridade, exerce uma liderança formal.


A liderança é um processo chave em todas as organizações e o líder tem grandes responsabilidades com o grupo, comunidade liderada pois sendo a liderança uma forma de influência a pessoa age para modificar ou provocar o comportamento de outra pessoa, de maneira intencional, sendo as consequências, então, ligadas as escolhas do líder. De fato, a liderança é um fenômeno tipicamente social que ocorre exclusivamente em grupos sociais. A escola é um destes espaços, assim, todo educador é um líder. CHIAVENATO (1999, p. 553-627).

            De modo geral podemos dizer que a liderança existe sempre baseada em processos que envolvem grupos variados de pessoas, que são influenciadas, motivadas ou orientadas por um líder para executar determinado fim ou ainda, realizar trocas sociais. Estas ações são rotineiras nas escolas e os professores exercem grande poder de influência sobre os estudantes.

Nas últimas décadas a temática sobre liderança ganhou força e relevância sendo abordada por especialistas em gestão e especialistas em assuntos organizacionais. Bass (1998) assegura que: “Existem quase tantas definições de liderança quantas pessoas que tentaram definir o conceito”.

Sim, o educador é um grande líder, e deve assumir seu papel de liderança no espaço educativo, perceber-se como agente de transformação, focar nas habilidades do líder conduzir, influenciar e canalizar a energia dos estudantes liderados a atingirem objetivos educativos, sociais, de fraternidade e de acolhida. Esta ação de mudança faz-se necessária em tempos difíceis como os de agora.

Assim, a ideia principal abordada nas definições de liderança passa pela habilidade do líder orientar pessoas, utilizando suas características, estratégias, influência, e percepção, mas também, sua capacidade de compreender a posição de liderança para pensar um ambiente de solidariedade, respeito, empatia e aprendizado, e isto, cada professor deve, e sabe fazer com extraordinária maestria.

 

Referências:

Imagens: Pixa bay

BASS, B. M. Transformational leadership: Industrial, military, and educational impact.1998.

CHIAVENATO, Ildebrando. Gestão de Pessoas: O Novo Papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

CHIAVENATO, Ildebrando. Introdução à Teoria Geral da Administração. 6 eds. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

STOGDILL, R. M. Handbook of leadership, N. Y., MacMilan/Free Press, 1974.

 

 

sexta-feira, 18 de junho de 2021

DEMOCRACIA É RESPONSABILIDADE, DIREITO E DEVER, DE TODA COMUNIDADE ESCOLAR, DE TODO CIDADÃO!

DEMOCRACIA HOJE, AMANHÃ E SEMPRE!


 

DEMOCRACIA É RESPONSABILIDADE, DIREITO E DEVER, DE TODA COMUNIDADE ESCOLAR, DE TODO CIDADÃO! A DEMOCRACIA TRANSFORMA A ESCOLA.


Por Marli Dias Ribeiro


 Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia ( Nelson Mandela)

A Democracia parece ser utopia para o povo brasileiro. Se olharmos a história de nossa pátria temos atropelos, idas e vindas, e depois, de tantos anos de República você saberia dizer quantos presidentes terminaram seus mandatos?

Em um dos grandes clássicos de nossa literatura, Casa grande e senzala, de Buarque de Holanda  já denunciava que a democracia entre nós, sempre foi um mal-entendido, e que, os movimentos aparentemente reformadores no Brasil partiram, quase sempre, de cima para baixo, quase sempre de surpresa, quase sempre frutos de armações. O povo recebeu-os com displicência ou hostilidade. Não emanavam de uma maturidade plena do povo que ficou displicente a tudo (HOLANDA,1963). Uma passividade que pouco se transformou em décadas, ou quem sabe em centenas de anos.

Hoje, apesar de termos uma aparente democracia, ainda convivemos imersos em grandes escândalos, negacionismos, desrespeito às liberdade e minorias. A nossa democracia ainda não amadureceu. 

Anísio Teixeira, um educador defensor da causa, reclamava que o  Estado (...) a sua eficácia consiste em conter e subordinar, sendo, assim, centralizador por essência e que a democracia, como regime do homem para o homem importa em evitar tais organizações monstruosas, aberrantes da dignidade humana, sejam elas, do Estado ou do Trabalho,  ou acrescento, das escolas (TEIXEIRA, 1956).

    Em alguma medida avançamos, mas a pergunta ainda impera nas redes de ensino e nas escolas, por que ocorre ausência de participação da Comunidade Escolar na tomada de decisão pedagógica, administrativa, financeira, e , nas políticas públicas?

Resposta complexa. Algumas indicações de progresso parecem possíveis, tais quais:

* Mobilizar a comunidade o para que seja ativa, informada, consciente;

*Ampliar o direito de participação direta ou indiretamente.

*Compreender que o conflito é legítimo e necessário;

*Buscar conciliar igualdade e liberdade;

*Dar abertura às mudanças sociais; apoiar grêmios, clubes e organizações dentro e fora da escola que trabalhem em prol da coletividade, da igualdade e da construção de cidadão críticos;

*Impulsionar a centralidade das políticas educacionais e dos projetos pedagógicos da escola com a Implementação do processo de participação e de decisão com a implementação de autonomia.

            Por fim, democracia é responsabilidade, direito e dever, de toda comunidade escolar, de todo cidadão! Vamos continuar lutando por ela em todas as nossas escolas.

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de maio de 2021

REDES SOCIAS: CONTEXTOS E USO PEDAGÓGICOS


 


REDES SOCIAS: CONTEXTOS E USO PEDAGÓGICO

    Com as grandes mudanças que estão ocorrendo no mundo, estar na era do conhecimento e das transformações digitais, exige de cada um de nós novos olhares em relação as redes sociais e as formas de utilização nos espaços de ensinar e aprender. 




    Este vídeo mostra uma reflexão sobre a temática e foi resultado de uma trabalho apresentado no Programa de Pós Graduação Stricto Senso da Universidade Católica de Brasília - Educação Tecnologia e Comunicação por Marli Dias Ribeiro e Suzane Margarida.



https://www.youtube.com/watch?v=z66-mgyzUWU



quarta-feira, 5 de maio de 2021

LIDERANÇA DEMOCRÁTICA E TRANSFORMADORA NAS ESCOLAS

 

Liderança democrática e transformadora nas escolas


Por Marli Dias Ribeiro 


        

Liderar é motivar pessoas. Como dizia Abraham Lincoln: “A maior habilidade de um líder é desenvolver qualidades extraordinárias em pessoas comuns. ” Um líder pode orientar e estimular pessoas a atingirem resultados importantes e necessários tanto para si como para a instituição ao qual faz parte. Na educação, na escola, não é diferente.

        Os educadores, em docência ou gestão, deverão possuir fortes valores e acreditarem na capacidade de seus alunos. Precisam ser visionários e transformacionais de modo a acreditarem na visão da transformação pedagógica. È importante que se dediquem à nova visão de auxiliarem a institucionalizar um novo processo pedagógico/educacional, comprometendo-se com os resultados alcançados, com a participação e com a democracia. Uma liderança que fortaleça a gestão democrática e a enraíze como cultura escolar é fundamental em espaços de ensino e aprendizagem.

        Cabe ao líder, identificar as formas de liderança, e usá-la de forma intencionada, podendo ser uma estratégia para melhorar o desempenho da escola, tanto para o gestor quanto para os professores. Bons líderes desenvolvem habilidades e competências que podem ou permitem gerar um ambiente de trabalho com produtividade, cooperação e pautado no trabalho coletivo e democrático.

        Por esse motivo é importante conhecer as formas e/ou tipos de liderança existente no ambiente de trabalho escolar para orientar ações dirigidas e integradas ao sucesso coletivo. Os professores líderes precisam entender a importância de suas ações na escola e agir como educadores que promovem mudanças.

        Segundo Jodão (2003), a questão não está somente em como adquirir novos conceitos e habilidades, mas também em como desaprender o que não é mais útil à instituição, e isso envolve ansiedade, atitude defensiva e resistência a mudanças. Talvez seja este, o grande desafio, para uma liderança democrática e transformadora.

        Por fim: 

“Se suas ações inspiram outros a sonhar mais, aprender mais, fazer mais e tornar-se mais, você é um líder.” John Quincy Adams



JORDÃO, Gilberto. Professor, um líder na arte de educar. Disponível em: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHumanSocSci/article/viewFile/2200/1379. Acesso em: 10\11\2020.


quarta-feira, 3 de março de 2021

ANO LETIVO DE 2021: E OS PROFESSORES E GESTORES QUE CONTINUEM CARREGANDO O PIANO, QUE AGORA ESTÁ MAIS PESADO!

 

ANO LETIVO DE 2021: E OS PROFESSORES E GESTORES QUE CONTINUEM CARREGANDO O PIANO, QUE AGORA ESTÁ MAIS PESADO!

Por Marli Dias Ribeiro

 

As aulas estão de volta na rede pública neste nosso Brasil, mesmo que de forma remota. Depois de um ano de grandes desafios e que mostrou a capacidade quase sobre-humana dos professores e gestores escolares, em reorganizarem todo espaço educativo, as aulas, os tempos, os currículos, sem vacinas, e com sobrecarga de trabalho, sem a existência de ações efetivas do poder público e planejamento sólido governamental , o reinício  aflinge o ano letivo de 2021.



Me perguntem, que projetos ou políticas públicas foram organizadas para atender as escolas brasileiras? 

Não recordo e não vejo destaque em uma única.

Acesso a computadores, celulares, internet, ou outros recursos? Mesmo sabendo que o computador seja, hoje, fundamental às escolas e aos estudantes com vistas a atender as metodologias híbridas e remotas que devem romper até o final do ano, quase nada se fez.

A informática talvez seja a área que mais influenciou os recursos tecnológicos do século passado, e isto se deve ao avanço tecnológico na transmissão de dados e às novas facilidades de comunicação. Existe informática em quase tudo e em quase todos os produtos. É muito difícil pensar em mudanças sem que, em alguma parte do processo, a informática não esteja envolvida (ARAÚJO, 2017).

Milhões de estudantes continuarão sem acesso aos avanços, sem acesso a uma educação que chegue com efetividade a seus lares. Estão e continuarão no mapa da exclusão digital, social e econômica.

Por outro lado, cabe destacar que inclusão digital é muito mais do que modismo, é realmente melhorar as condições das comunidades mais pobres com a ajuda da tecnologia. Incluir digitalmente não é apenas alfabetizar a pessoa em informática, mas também, melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores (ARAÚJO, 2017).

Infelizmente o abismo entre qualidade e acesso tende a se ampliar na educação. 

Sinto que teremos mais um ano de muito trabalho, muitos improvisos e desculpas esfarrapadas das Redes de Ensino. 

E os professores e gestores que continuem carregando o velho e desafinado piano, agora, ainda mais pesado e sem conexão de internet!

 

ARAÚJO, Marco Antônio Pereira. A Inclusão Digital como Estratégia para Resgate da Cidadania e Diminuição da Exclusão Social e Econômica. Revista Interdisciplinar de Direito, [S.l.], v. 6, n. 1, ago. 2017. ISSN 2447-4290. Disponível em: <http://revistas.faa.edu.br/index.php/FDV/article/view/50>. Acesso em: 03 mar. 2021.

Imagem: Pixabay

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Dica de leitura- A gestão escolar e a gestão da sala de aula: desafios e possibilidades a partir da BNCC

            

A gestão escolar e a gestão da sala de aula: desafios e possibilidades a partir da BNCC



Marli Dias Ribeiro


             Com o advento da nova Base Nacional Comum Curricular, pensar em gestão escolar e em gestão da sala de aula quanto a seus aspectos pedagógicos se mostra uma questão relevante, sobretudo ao enfatizá-las como elementos que podem direcionar a escola às dinâmicas intrínsecas aos processos de ensino e aprendizagem.

         As relações estabelecidas em sala de aula, a organização do espaço da sala, os planejamentos realizados pelo docente são questões interligadas aos processos da gestão escolar e importantes fatores para que as aprendizagens se concretizem.

            Para Tardif (2002), ao entrar na sala de aula, o professor coloca-se diante de seus alunos, criando condições e esforçando-se para estabelecer relações, interações, saberes. Essa atividade docente rotineira atravessa o espaço de sala de aula, perpassa outros espaços da escola, revela valores, orienta relação com a turma e com outros pares, apresenta-se em toda a escola, e a gestão escolar agrega esse conjunto de relações. Assim, a gestão escolar e a gestão de sala de aula são indissociáveis quando a aprendizagem do estudante é colocada em questão.

    Ao considerarmos o currículo como norteador da gestão, este artigo toma como referência o que traz a BNCC, mostrando que: as competências e diretrizes são comuns, os currículos são diversos. O segundo se refere ao foco do currículo. Ao dizer que os conteúdos curriculares estão a serviço do desenvolvimento de competências, a LDB orienta a definição das aprendizagens essenciais, e não apenas dos conteúdos mínimos a serem ensinados (BRASIL, 2018, p. 11).

    Para esperançar é sempre indispensável refletir  a gestão da sala de aula e a gestão da escolar como  essenciais quando o enfoque perpassa uma educação que inclua e que seja de qualidade. Pouco se tem debatido sobre este entrelaçamento tão importante  para a BNCC e   para os currículos. 



O artigo completo pode ser lido em: http://revistas.anec.org.br/index.php/revistaeducacao/article/view/272

REVISTA ANEC



    

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Democracia e Escrita Feminina: Trecho de fala no Evento Mulherio das Letras Portugal


O Mulherio das Letras Portugal é um coletivo feminino, espontâneo e independente, vinculado ao movimento Mulherio das Letras Nacional - Brasil, mas de carácter autônomo e colaborativo. Começou em março de 2018, coordenado por Adriana Mayrinck (In-Finita) em Lisboa e reúne autoras que escrevem em língua portuguesa, nascidas, residentes ou que visitam Portugal para divulgar a literatura e a cultura lusófona.


Para saber mais: https://mulherioportugal.blogspot.com/


terça-feira, 13 de outubro de 2020

E VOCÊ, TEM DIALOGADO OU APENAS SE COMUNICADO COM SEUS PARES?

 

E você, tem dialogado ou apenas se comunicado com seus pares?

Marli Dias Ribeiro




 Dialogar tem sido uma tarefa desafiadora nos tempos pós-modernos. Vivemos imersos em excessos de informações e afazeres em casa, na escola, sobrecargas. A comunicação na atualidade se caracteriza por ser rápida, volátil, e porque não dizer, silenciosa e excludente, onde isola,  de certa forma, os interlocutores frente a suas telas minúsculas e digitais.

As formas de comunicação nem sempre estão estabelecidas por meio do efetivo diálogo. Nas relações sociais o tipo de conhecimento, as habilidades de que as pessoas precisam distribuem-se e circulam de forma dispersa entre múltiplos circuitos, instrumentos e recursos de informação e interação, e por vezes, a fala, a escuta, o diálogo são esquecidos.

Nesta perspectiva o diálogo, se apresenta e se realiza basicamente sob a forma digital, distante, seja quando teclamos ininterruptamente por meio do uso de celulares, e-mails, seja utilizando outros recursos tecnológicos para a realização da comunicação e, não é incomum, observarmos que as relações pessoais são afetadas com esta prática em todas as esferas sociais. Nas instituições educativas seus reflexos também são evidenciados por ser a escola lugar de intensa convivência social.   

Gerir e liderar essa interação é um grande desafio.  Síveres (2015, p. 25 afirma que: “A vida humana constitui-se não apenas na predominância das condições econômicas, políticas ou sociais, mas pode ser complementada pela dimensão relacional com base no pressuposto dialogal”. O diálogo precisa nortear cada passo das ações planejadas na escola.

O diálogo acontece independentemente de quais sejam as realidades de seus interlocutores, pois há uma continuidade de expressões e informações que nos sãos enviados sob as diversas formas da comunicação como, por exemplo: fala, escrita, desenho, dança entre outros e, independem das condições sociais e culturais destes indivíduos.

Pensar o diálogo como elemento norteador de práticas educativas e sobretudo da gestão da escola, pode nos indicar possibilidades de ação, reflexão e novas construções nas comunidades escolares. Refletir na gestão como espaço de não adesão da racionalidade instrumental e um mundo sem sentido onde a ação existe para servir à ininterrupta eficácia e a falta de sentido, perceber que a ação e o gera procedimento do gestor agregador de sentido.

Gaulejac (2007), faz referência à gestão e a associa ao diálogo. Ela apresenta-se como possibilidade de mudança, também, como autocuidado com a saúde física e psíquica, apresentam-se, então, como solução para um problema que a própria atividade de gestão. O diálogo talvez seja a mais expressiva forma de democratizar as relações humanas. E você, tem dialogado ou apenas se comunicado com seus pares?

 Texto baseado no artigo: O sentido do diálogo na prática de gestão: inquietações e mudanças representativas numa escola pública. Autoras: Marli Dias Ribeiro e Maria do Socorro da Silva de Jesus. Acesso em: https://socialeducation.files.wordpress.com/2019/12/livro_dic381logo-uma-perspectiva-educacional_web.pdf

sábado, 18 de julho de 2020

FOTOGRAFIAS E VÍDEOS NA EDUCAÇÃO REMOTA: Informações e dicas imperdíveis


FOTOGRAFIAS E VÍDEOS NA EDUCAÇÃO REMOTA

Informações e dicas imperdíveis

Marli Dias Ribeiro



Imagem: arquivo pessoal gravação de tele aula TV Justiça


Diante do cenário em que educadores e estudantes estão reorganizando seus tempos, ritmos e modos de aprender, tendo em vista o distanciamento social imposto pela COVID 19, falar sobre mídias na aprendizagem, imagens ( fotografias),  vídeos, pode contribuir para o momento atual de educação remota. 

De modo geral, estamos mergulhados em espaços midiáticos. Dados do site Business insider, em 2013, todos os dias são publicadas mais de  350 milhões de fotos na rede social Facebook. Os Pesquisadores  Jenkins apud Knobel e Lankshear (2010) indicam que : Os educandos fazerem vídeos, em vez de relatórios escritos, pode mudar os mecanismos de aprendizagem, mas não vai alterar a relação hierárquica e pré-estruturada entre professores e educandos ( CENPEC). Essa mudança está vinculada ao modo como os educadores mediam as prática pedagógicas. 

Ferramentas tecnológicas podem ser úteis, se baseadas em práticas dialogadas, participativas, e democráticas. A aprendizagem é um processo que envolve diferentes mecanismos mentais e pode ser motivada por  imagens, com fotografias, vídeos, se usados para    engajar  de forma participativa a comunidade.

Não é de hoje que as fotografias são usadas na educação. O grande educador Paulo Freire, já utilizava imagens ou fotos da própria comunidade, para estimular e promover de forma participativa as interações em suas aulas. A partir de fotos tiradas pelos alunos ele abria espaços de diálogo e de crítica a realidade local. Cada foto da família, da casa do cotidiano, era tema gerador de longos debates. A exemplo, em 1973, em Lima, no Peru, Paulo Freire (e seus colegas) fazia perguntas em espanhol às pessoas. As respostas eram compartilhadas por meio de fotografias. E quem nos dias de hoje nunca fez uma Self ?

Por outro lado, Merchant (2010) apud CENPEC, sugere cinco áreas em que o processo, o uso e compartilhamento de fotos digitais desempenha um papel distinto na aprendizagem.

  • APRENDER POR MEIO DA VISÃO

Vislumbrar e apreciar imagens, quadros, fotografias estimulando a percepção das formas, cores, linhas, traços, tamanhos, tipos. Fazer comparações, descrever, interpretar, dizer o que sente. São infinitas possibilidades a partir do olhar que cada sujeito pode dar a imagem.

  • APRENDER POR MEIO DA REFLEXÃO

O aprendizado por meio da reflexão enfatiza os conteúdos do que é fotografado, isso indica usar as imagens para estimular reflexões. Por exemplo, há projetos pedagógicos que pedem às crianças que pensem sobre a poluição tirando fotos de rios em áreas urbanas. Essas imagens incentivam a pesquisa e o conhecimento das formas de poluição e suas implicações para a vida do rio. As imagens postadas na internet podem ser comentadas pelos educandos, levando a discussões sobre os possíveis resultados de cada poluente ou formas de eliminá-los, por exemplo.

  • APRENDER SOBRE A IMAGEM

A ideia de aprender sobre a imagem é realizar as articulações interdisciplinares. Explorar a linguagem fotográfica, por meio de análises e produções dos educandos. Usar vários conteúdos e relacionar outras áreas do saber. Classificar por temas, conteúdos, lugares, linguagens. Instigar a criação de relações entre as figuras em contextos diferenciados. Exemplo: Imagem de diferentes tipos de vegetação e animais que podem fazer parte destes habitats.

  • APRENDER SOBRE AS MULTIMODALIDADES

Aprender sobre a multimodalidade remete ao estudo de como diferentes formas comunicativas produzem sentido em conjunto. Usa formar variadas de textos e imagens como de anúncios publicitários com fotos, podem evidenciar esse ponto, ajudando a desenvolver um olhar mais crítico sobre a mídia. Relacionar fotos e vídeos sobre temas comuns e suas interpretações.

  • APRENDER POR MEIO DA INTERNET

Aprender sobre a Web e os sites de compartilhamento, discutindo entre si e com o educador aspectos que envolvem essa prática, como a questão da privacidade, ou a utilização de licenças para as imagens, perigos da rede  e outras questões relacionadas reforçam as aprendizagens. A WEB é uma janela ampla de informações que se bem utilizadas intensificam formas variadas de comunicação. 

                Enfim, que essas dicas possam contribuir para  estimular e enriquecer a participação de nossos estudantes usando imagens das mais variadas fontes, de forma ética e construtiva,  e claro, promover a reflexão, a crítica nos tempos em que vivemos. 

                          Bom trabalho a todos, e cuidem-se.

Fonte: CENPEC- Curso : Comunicação digital-  https://www.cenpec.org.br/cursos









domingo, 24 de maio de 2020

A TECNOLOGIA E A EDUCAÇÃO: precisamos refletir a complexidade humana!




 A TECNOLOGIA E A EDUCAÇÃO: precisamos refletir a complexidade humana em tempos de COVID 19!

Marli Dias Ribeiro 




 Pensar em tecnologia, segundo Morin (2003), passa por atentar-se ao fato de que com a tecnologia, precisamos refletir sobre os modos de manipulação novos e muito sutis, pelos quais, a manipulação exercida sobre as coisas implica a subjugação dos homens pelas técnicas de manipulação (...) o homem é manipulado pela máquina e para ela (MORIN, 2010, p, 109). Isolar o homem à questão tecnológica é limitá-lo, educar apenas a partir de tecnologia é limitar o estudante, pois, segundo o autor, a tecnologização é um processo limitado e limitante, que pode inibir situações de mudanças e criações, processos importantes e necessários em toda sociedade, e na escola.
Esse paradoxo deve nos levar a ponderar que:  “A ciência começa e termina com problemas, e seu método consiste na escolha de problemas interessantes e na crítica de nossas permanentes tentativas experimentais e provisórias de solucioná-los (Popper).
Morin (2003) mostra em seus escritos que a técnica que é produzida pelas ciências transforma a sociedade, e a sociedade tecnologizada, retroativamente, transforma a ciência. Esse movimento, esse processo, inter-retroativo perpassa a ciência, o Estado e atravessa as relações na sociedade, e certamente, nossas escolas.
Nesse circuito, o Estado desempenha um papel ativo, de acordo com seus interesses econômicos, promove programas, e subvenções. Assim, a instituição científica suporta as coações tecnoburocráticas estatais, de grandes aparelhos econômicos, mas estes órgãos, não são guiados pelo espírito científico, eles apenas utilizam os poderes que a investigação científica lhes dá, e muitas vezes, sem uma crítica real da conjuntura social (MORIN, 2003).
O papel da ciência e as questões éticas que envolvem o conhecimento científico e sua regulação, reforçam questionamentos inerentes a vida em sociedade e as articulações que chegam nos espaços educativos. Se a sociedade está tecnologizada, mergulhada em máquinas, espaços virtuais, redes, se essa estrutura sofrer um colapso, entraremos em colapso automaticamente? A vida hoje é dependente ou aliada da questão tecnológica? Sobreviremos? Nos reinventaremos?
 Morin (2003) reverbera sobre o grande desafio do ponto de vista do conhecimento, do aprender, do ensinar, sobre a importância de isolarmos a noção de tecnologia e suas relações com a sociedade, com a técnica, com o Estado, e esquecemos das consequências desse processo. Sem a crítica, sem reflexão, estamos fadados à cegueira. Parece pertinente observar que:

A ciência, segundo Morin (2003, p.53), “[...] tem quatro pernas independentes entre si: empirismo e racionalismo, imaginação e verificação”. O progresso da ciência ocorreu em função da dialógica complexa permanente, complementar e antagonista entre suas quatro pernas. Morin diz que “no dia em que andar sobre duas pernas, ou tiver uma perna só, a ciência desabará (Ibid., p.190).

Desta forma, o grande dilema, aplica-se ao fato de que podemos estar usando a tecnologia em todos os nossos esquemas de trabalho, de vida social, de concepção de homem, adotando um o predomínio técnico na formação do cidadão, entretanto, não seguimos enquanto pessoas, a lógica matemática de máquinas artificiais, não somos programados linearmente. Somos seres complexos, ecológicos, espirituais, integrados.  
A complexidade, a desordem, os conflitos e os processos humanos não são compreendidos na singularidade de códigos digitais. Ressalta-se a necessidade de se repensar os contextos entre tecnologia e sociedade, nos questionarmos sobre o conhecimento e suas relações tecnológicas, a caminhar com cuidado e ética na análise epistêmica sobre os rumos de uma sociedade tecnologizada. Como explica Morin (2003), talvez já possamos, ou não tenhamos, condições de separar o conceito tecnologia do conceito de  ciência.
Por fim, não somos binários, numericamente programados, em zeros e uns. Somos humanamente, gente! Somos capazes:  “ de lutar com palavras, em vez de lutar com armas, isso,  se constitui o fundamento da nossa civilização (Karl Popper).

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez, 2003.





sábado, 11 de abril de 2020

OS DESAFIOS NA EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE COVID 19





 EDUCAÇÃO
EM TEMPOS DE COVID 19: Desafios e reflexões 



Por Marli Dias Ribeiro




Grandes calamidades, guerras, momentos de caos são situações de impacto, mas que podem promover grandes reflexões. Nunca a educação se viu nesses mais de 500 anos, tão desafiada a dar repostas rápidas! Em educação ouvimos que tudo leva muito tempo...O problema é que agora não temos esse longo tempo.

Se por um lado, as redes privadas de ensino, as universidades conseguem alcançar mais de 90% de seus estudantes, as redes públicas, que atendem mais de 80% das crianças e jovens, ainda não tem tecnologia acessível em metade das escolas de ensino fundamental do país. Apenas 46,8% das escolas de ensino fundamental dispõem de laboratório de informática; 65,6% das escolas têm acesso à internet; em apenas 53,5% das escolas a internet é por banda larga (Censo Escolar 2017-MEC).
As estruturas de ensino a distância que usamos hoje, não chegam com efetividade pedagógica na educação infantil e no ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, pois os estudantes podem não possuir autonomia para realizarem as atividades sozinhos, e necessitam de acompanhamento, tutoria ou ajuda da família.
Ainda, a Educação Básica brasileira, no que tange ao Ensino Fundamental, não prevê a modalidade de Educação a Distância. Nenhuma legislação, tais quais a Constituição Federal de 1988; a Lei Nº 9.394 de 1996 – Lei das Diretrizes e Bases; Plano Nacional de Educação – PNE, as Diretrizes Pedagógicas da Educação à Distância cujo Decreto N. º 2.494, de 10 de fevereiro de 1988 regulamentam a adoção para crianças e jovens da EAD. Um paradoxo da rede pública que não acompanha a sociedade do conhecimento e da tecnologia, nem mesmo nas legislações. A nova BNCC, traz algum avanço, mas a materialização ainda está a passos vagarosos.
Atender com qualidade nossos estudantes não se restringe, simplesmente, a ampliar o contexto de educação a distância. O fato é que essa crise deve nos ensinar a criar e organizar novas condições de aprendizagem, alfabetizar nossas crianças, investir em condições de infraestrutura nas escolas, ao menos, como ação preventiva para calamidades futuras!
O Coronavírus está nos mostrando, que em educação, não existem invenções mirabolantes. Não resolverá encher as caixas de e-mails dos pais, enviar listas de atividades desregradas. Cultura de acompanhamento pedagógico, famílias e estudantes leitores, não aparecem em um passe de mágica, mas dependem de políticas públicas e investimentos em educação a longo prazo.

Talvez, essa complexa realidade, nos ensine que a escola é importante, o professor é importante. Que a escola, é casa,é aconchego, é sobrevivência para muitos. Que a educação ultrapassa os muros da escola, que educadores bem formados, são essenciais para o país, que cada educador todos os dias, atende todas as vulnerabilidades sociais, os jovens e as crianças invisíveis da virologia da exclusão social. Por fim, educação é vida, a escola é vida, ela é mais que listas de tarefas, e de plataformas. Esperamos novos aprendizados para enfrentarmos essa trajetória sem reforçar as grandes desigualdades de nosso país. Que a nova pandemia seja a da educação e que não nos falte muita coragem.


domingo, 15 de março de 2020

INDICADORES NA EDUCAÇÃO ASPECTOS IMPORTANTES A SABER


INDICADORES NA EDUCAÇÃO
ALGUNS ASPECTOS IMPORTANTES A SABER


Os indicadores educacionais atribuem valor estatístico à qualidade do ensino, atendo-se não somente ao desempenho dos alunos, mas também ao contexto econômico e social em que as escolas estão inseridas. Eles são úteis principalmente para o monitoramento dos sistemas educacionais, considerando o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os alunos. Dessa forma, contribuem para a criação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade da educação e dos serviços oferecidos à sociedade pela escola ( MEC/INEP)


            O uso de indicadores é assunto pouco debatido entre educadores . Entretanto, ele é uma constante no planejamento de políticas públicas para a educação. Seu conceito envolve bases importantes para as decisões que afetam o cotidiano escolar, sendo relevante conhecer os aspectos principais  sobre o seu uso, as suas finalidades, e que eles  podem  para facilitar as ações de acompanhamento de projetos, programas, e  tomadas de decisões na educação. 

     O indicador mais conhecido na área educacional é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- IDEB. O IDEB  ao longo de dez anos tem se consolidado como base no planejamento educacional.  Mas o que dizem os especialistas sobre um indicador?  Segundo Ferreira, Cassiolato e Gonzales (2009),


O indicador é uma medida, de ordem quantitativa ou qualitativa, dotada de significado particular e utilizada para organizar e captar as informações relevantes dos elementos que compõem o objeto da observação. É um recurso metodológico que informa empiricamente sobre a evolução do aspecto/fato, observado (Ferreira, Cassiolato e Gonzales , 2009).


         Para Rua (2004), indicadores são medidas que expressam ou quantificam um insumo, um resultado, uma característica ou o desempenho de um processo, serviço, produto ou organização. Magalhães (2004)  define indicadores  como  abstrações ou parâmetros representativos, concisos, fáceis de interpretar e de serem obtidos, usados para ilustrar as características principais de determinado objeto de análise. Esses autores corrobam com o fato de que os indicadores auxiliam de forma objetiva a evolução de um fato ou objeto de análise.

         Por outro lado, para Rua (2004), Jannuzzi (2005) e Ferreira, Cassiolato e Gonzalez (2009), apontam que existem propriedades dos indicadores ditas essenciais, ou seja, aquelas que qualquer indicador deve apresentar e devem ser consideradas como critérios de escolha, independente da fase do ciclo de gestão em que se encontra a política sob análise (Planejamento, Execução, Avaliação etc.). Essas propriedades são:

Utilidade: Deve suportar decisões, sejam no nível operacional, tático ou estratégico. Os indicadores devem, portanto, basear-se nas necessidades dos decisores;
Validade: capacidade de representar, com a maior proximidade possível, a realidade que se deseja medir e modificar. Um indicador deve ser significante ao que está sendo medido e manter essa significância ao longo do tempo;
Confiabilidade: indicadores devem ter origem em fontes confiáveis, que utilizem metodologias reconhecidas e transparentes de coleta, processamento e divulgação;
Disponibilidade: os dados básicos para seu cômputo devem ser de fácil obtenção.

         Jannuzzi (2005), acrescenta que os indicadores podem ser divididos em grupos de acordo com sua posição no planejamento:

Insumo (antes): são indicadores que têm relação direta com os recursos a serem alocados, ou seja, com a disponibilidade dos recursos humanos, materiais, financeiros e outros a serem utilizados pelas ações de governo. São exemplos médicos/mil habitantes e gasto per capita com educação;

Processo (durante): são medidas que traduzem o esforço empreendido na obtenção dos resultados, ou seja, medem o nível de utilização dos insumos alocados como, por exemplo, o percentual de atendimento de um público-alvo e o percentual de liberação dos recursos financeiros;

Produto (depois): medem o alcance das metas físicas . São medidas que expressam as entregas de produtos ou serviços ao público-alvo. São exemplos o percentual de quilômetros de estrada entregues, de armazéns construídos e de crianças vacinadas em relação às metas estabelecidas;

Resultado (depois): essas medidas expressam, direta ou indiretamente, os benefícios no público-alvo decorrentes das ações empreendidas no contexto de uma dada política e têm particular importância no contexto de gestão pública orientada a resultados. São exemplos as taxas de morbidade (doenças), taxa de reprovação escolar e de homicídios;

Impacto (depois): possuem natureza abrangente e multidimensional, têm relação com a sociedade como um todo e medem os efeitos das estratégias governamentais de médio e longo prazos. Na maioria dos casos estão associados aos objetivos setoriais e de governo (veja Figura 8). São
Exemplos o Índice Gini de distribuição de renda e o PIB per capita.

         Por fim, este texto não esgota o tema. Parece ser indicativo que no campo da educação se conceba indicadores sólidos e que mais debates circundem o assunto. Afinal, quando pensamos em planejar a educação pública é relevante considerar indicadores que busquem melhorar continuamente os programas e projetos desenvolvidos. Construir indicadores com a preocupação de acompanhar efetivamente processos e rotinas que nas tomadas de decisão são válidos e confiáveis, podem contribuir significativamente para garantir resultados robustos à sociedade, e em nosso caso, à educação de qualidade que almejamos para todos os estudantes.


JANNUZZI, P. M. Considerações sobre o uso, mau uso e abuso dos indicadores sociais na formulação e avaliação de políticas públicas municipais. Revista do Serviço Público. Brasília: ENAP, 2005.

LINDBLOM, C. E. Muddling through 1: a ciência da decisão incremental. In: HEIDEMANN, F. G.; SALM, J. F. (Orgs.). Políticas públicas e desenvolvimento: bases epistemológicas e modelos de análise. Brasília: UnB, 2010.

MAGALHÃES, M. T. Q. Metodologia para desenvolvimento de sistemas de indicadores: uma aplicação no planejamento e gestão da política nacional de transportes. (Dissertação Mestrado). Brasília: UnB, 2004.

RUA, M. G. Desmistificando o problema: uma rápida introdução ao estudo dos indicadores. Brasília: ENAP, 2004.

FERREIRA, H.; CASSIOLATO, M.; GONZALEZ, R. Uma experiência de desenvolvimento metodológico para avaliação de programas: o modelo lógico do programa segundo tempo. Texto para discussão 1369. Brasília: IPEA, 2009.
IMAGEM: http://www.deolhonosplanos.org.br/uso-dados-indicadores-planos-educacao/

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