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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A CRISE EDUCACIONAL FOI, E É PLANEJADA



A CRISE EDUCACIONAL FOI,  E É PLANEJADA

Ela não é uma crise é um projeto



Por Marli Dias Ribeiro




            Essa frase de Darcy Ribeiro em 1977, numa palestra que ele chamou de “SOBRE O ÓBVIO”, continua atual mesmo tendo sido dita a mais de quatro décadas. Os números de nossa educação revelam uma situação lamentável. Se o Estado não investe suficientemente  em Educação podemos considerar que a crise é planejada, ela é uma consequência prevista e pode até ser calculada. Não existem bons resultados sem projetos e investimentos. Apesar de na última década terem ocorridos alguns avanços principalmente, em relação ao acesso, temos grandes desafios a enfrentar. Os dados revelam uma crise que se arrasta e parece ser previsível e intencional.
            Segundo dados do relatório Education at a Glance 2018, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os resultados revelam  o que muitos de nós suspeitamos:  mais da metade da nossa população adulta entre 25 e 64 anos não concluiu a Educação Básica em 2015, o dobro da taxa média das nações que fazem parte da OCDE.  Nossos resultados estão  acima de países como Argentina (39%) e Chile (35%). Além disso, o Brasil também aparece em segundo lugar na lista dos países com maior desigualdade de renda entre os 49 participantes do relatório  o que para alguns estudiosos parece ser uma consequência da baixa escolarização da população.
            Quando analisamos os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017  os indicadores revelam que   60% dos estudantes do 9° ano do Ensino Fundamental e 70 % do 3° ano do Ensino Médio tem aprendizado insuficiente em português, segundo os critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Isso significa que ao longo dos anos esses estudantes não aprenderam o suficiente e necessitam de políticas públicas de intervenção pedagógica com urgência em várias competências. A palavra que não pode faltar é Política, e  Politicas Públicas diretamente ligadas a solução do problema. Isso significa dizer: investimento, dinheiro, recursos. O resultado de tanto abandono e negligência são e estão expostos no alto índice de desempregados, milhares de cidadãos excluídos, violência, e mazelas na saúde e segurança. Pergunto, se chegamos à revolução industrial com cem anos de atraso, para chegarmos a atual sociedade do conhecimento e das novidades tecnológicas serão QUANTOS séculos de atraso?
            Enquanto não entenderem E NÃO ESCLARECERMOS  que educação é prioridade e que requer investimentos, continuaremos sem grandes avanços. Essa crise é planejada, é visível e se perpetua. Dizem que os números não metem, e nesse caso revelam os fracassos.  Esses números, por outro lado, também podem nos indicar onde devemos investir nossas riquezas para superar os problemas da educação.

         Será que os dados existentes , os variados estudos,  e os relatos da realidade não ajudam a planejar melhorias? A quem interessa esse fracasso? Pagamos valores exorbitantes em impostos e esses valores não são aplicados em Educação de Qualidade e Valorização dos Professores. Se ainda temos dúvidas de  que a crise na educação é planejada? Parece óbvia a resposta.

sábado, 3 de março de 2018

SUA ESCOLA É DEMOCRÁTICA? FAÇA O TESTE E DESCUBRA...




SUA ESCOLA É DEMOCRÁTICA?
FAÇA O TESTE E DESCUBRA...
 Por Marli Dias Ribeiro


A Gestão Democrática na Escola tem enquanto premissa buscar garantir que a comunidade tenha centralidade quanto a sua gestão, suas verbas e projetos pedagógicos. Envolve princípios que estabelecem maior autonomia da comunidade escolar, transparência nas ações, incentiva a qualidade social e valoriza a participação de todos os sujeitos. E além dessas questões, Gestão Democrática da Escola, está prevista na Constituição de Brasileira de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.



Numa gestão Democrática as dimensões pedagógicas, administrativas e financeira estão baseadas na efetiva participação dos órgãos colegiados, e também, na eleição da equipe gestora. Outro fator importante, relaciona-se a construção do Projeto Político Pedagógico (PPP), com vistas a democratização às relações pedagógicas. Também prever democratizar as relações  de trabalho, visando a qualidade social, traduzida na busca constante do pleno desenvolvimento da pessoa, no preparo para o exercício da cidadania e da qualificação para o trabalho, por meio de estudos, formações e troca de experiências.

Segundo Libâneo (2004), a concepção democrática- participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. Acentua a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos. Defende uma forma coletiva de gestão, em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. 
Características desse modelo estão na articulação entre a atividade de direção, a iniciativa e participação das pessoas da escola, e das pessoas que se relacionam com a escola. Assim, a gestão é participativa, mas espera-se, também, a gestão da participação. Nessa lógica, descentralização é conceito chave para se entender as políticas educacionais, e o acesso das pessoas no contexto de democratização da gestão.

            Alguns indicadores apontam para os processos democráticos na escola. Vamos fazer um teste?  Responda sim, em parte, ou não.

VAMOS AO TESTE?

1.    O PPP foi construído coletivamente, com a participação de toda comunidade?

2.    Os colegiados da escola participam ativamente na gestão financeira, pedagógica e administrativa?

3.    Nas salas de aula, os alunos participam e tem autonomia para perguntar e responder, questionar e interferir no planejamento das aulas, nas avaliações e trabalhos?

4.    Os recursos financeiros são conhecidos pela comunidade e ela também ajuda a indicar as prioridades nas compras e na aplicação das verbas?

5.    Os dados da escola são transparentes em relação a aprovação, reprovação, evasão, indicadores nacionais e organização de projetos?

6.    Os serviços administrativos atendem toda comunidade externa e interna  de forma efetiva e vinculada aos objetivos da escola?

7.    Existem momentos coletivos de estudo, debates e reflexões acerca da realidade da escola, dos alunos e dos problemas, para tomadas de decisões?

8.    Os pais participam das reuniões e tem acesso à escola, aos professores e as informações de forma fácil?

9.    Os espaços e o patrimônio da escola são utilizados democraticamente por todos e pela comunidade local?

10. A equipe gestora foi escolhida em eleições com voto direto de toda comunidade?

Agora é hora de somar os pontos. Sim – 1 ponto, em parte 0,5 pontos, não 0 ponto.

RESULTADOS

De 0 a 4 pontos. A escola ainda tem um longo caminho a percorrer em busca da gestão democrática. É importante reforçar os mecanismos de participação e refletir coletivamente sobre a importância de ações práticas para chegar a resultados concretos. Faça sua parte e participe ativamente. 
De 5 a 7 pontos. O processo participativo existe. Sua escola está crescendo e procurando ajustar e amadurecer a participação da comunidade. Persistência, estudos, debates, podem ajudar a ampliar os resultados.
De 8 a 10 pontos. A comunidade encontrou o caminho da participação democrática. Continuem aprimorando e compartilhando as experiências democráticas com outras instituições. Ofereça ajuda e continue apostando na democracia.

           Um  teste não significa um resultado absoluto e inquestionável da realidade da escola. Aqui, a ideia é debater e refletir um pouco mais sobre o tema.  E por fim, se para concretizar a gestão democrática é importante a participação de toda comunidade na escola para compartilhar decisões e ações, torna-se então necessária a reflexão e a prática democrática. Como diz Paulo Freire, “só se aprende democracia fazendo democracia”. Então, faça parte e contribua com a democracia em sua escola. 

LIBANEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa, 2004.
Imagem: internet

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