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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Política é assunto para professora e professor



Política é assunto para professora e professor …





Por Marli Dias Ribeiro

         
        Talvez você já deve ter ouvido a palavra politéia inúmeras vezes nesse  ano de eleição. Essa tal de politéia usada pelos gregos atualmente está na roda de conversa, no rádio, TV, nas redes sociais, nos memes, piadas diversas,  e claro, deve estar na escola. Em nosso português é a famosa política! E política, você gostando ou não,  está relacionada à vida em sociedade, às relações de poder (lembra da  obra “ A Política” de Aristóteles?) ,nas escolhas de grupos, na expressão de opiniões, nas diferenças e conflitos , e nas ações de cada sujeito no mundo social, inclusive, nas relações estabelecidas dentro e fora da escola. E na escola? Nela falamos em Projeto Político Pedagógico.
         A política está presente em nossas ações educativas e praticamente tudo que acontece nas escolas são frutos diretos de ações e omissões de políticas implementadas. Já parou para pensar nisso? Num dos clássicos da literatura, O Príncipe, de Maquiavel, fica clara a luta travada pelo poder, pela manutenção do poder no Estado, o que incluí que os fins nem sempre justificam os meios, e  a política parece  estabelecer esse entrelaçamento cínico.
             A Educação Pública muitas vezes fica refém de combinados políticos, arranjos, escolhas que estão fora dos interesses dos estudantes, professores, escolas e baseados em acordos distantes dos interesses da comunidade.        
             Mas  escola, enquanto  espaço social, tem suas ações apoiadas em escolhas, em lutas, reflexões. Nessa lógica, no âmbito da educação, a Política Pública é afunilada para o que chamamos de   Política Educacional e que pertence ao grupo de Políticas Públicas Sociais. Se a escola e sua comunidade  busca conquistas e uma educação de qualidade a política é o  instrumento de implementação dos movimentos e referenciais educacionais. 
           Ela  se faz presente através da Legislação Educacional e, só para lembrar,  quem escreve a lei, é escolhido por nós, pelo voto, por nossas opções políticas.  Assim, eu professora, e toda comunidade temos que pensar em política, e pensar muito bem.
             Quando caminhamos rumo à  escola esse embate também existe, seja nas relações professor-aluno, direção-professor, escola-comunidade e outras. O tipo de merenda que chega na escola, a contração e formação de professores, a construção de escolas, as verbas que chegam ou não, o tipo ou modelo de gestão escolar, o currículo, o livro didático, etc, etc, etc… por isso política é assunto de professor, de aluno, de servidor, de todos. 
         Por fim, se você educador não conhece, não debate, não opina, se sua escola ainda não parou para refletir sobre isso, alguém certamente estará fazendo as escolhas por vocês. 
        Enfim, o pior é que, nem sempre a escolha do outro, é a favor da escola pública, democrática e de qualidade que nossos alunos e que nossa comunidade tanto sonha,  necessita e merece. QUEM VALORIZA A EDUCAÇÃO ACREDITA NO FUTURO.


FICA A DICA: Fonte de implementação da educação nacional e das políticas em educação  a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), suas  alterações dependem da Câmara Federal, Senado e Governo. Além disso diversas Políticas Educacionais locais são elaboradas pelos  Governos do Estado e do Distrito Federal.



segunda-feira, 23 de abril de 2018

DEMOCRATIZAR É INCLUIR O OUTRO

DEMOCRATIZAR  ...


Sobre a Inclusão Educacional e a Democracia

Viver democracia é saber-se diferente e único. Respeitar passa por incluir.

Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo vive com alguma forma de deficiência, destas quase 93 milhões são crianças. No Brasil, são 45,6 milhões de pessoas, que representam quase 24% da população brasileira com algum tipo de deficiência (UNESCO, 2018).



Por Marli Dias Ribeiro


            Parece óbvio, mas cabe destacar, a inclusão emerge da DEMOCRACIA e com ela os Direitos Humanos. Democratizar é incluir. Pensar na diferença, na igualdade, na inclusão, e na exclusão constitui-se um processo de democratização e de humanização que busca compreender, e sobretudo aplicar, conceitos como equidade e alteridade. 
        Viver democracia é saber-se diferente e único. Respeitar passa por incluir o outro independente de sua situação.

Se por um lado, as normais legais dão um suporte jurídico a essa questão, a grande contradição são as garantias desses direitos a um conjunto cada vez mais amplo de sujeitos invisíveis. E são muitos os invisíveis.... Quando iremos incluir e garantir direitos para democratizar?

            O mundo sempre foi marcado pela exclusão, pela eliminação dos diferentes, dos pobres, deficientes, dos gênios, dos ditos anormais. Foram séculos sem possibilidades de fala, de lugar, numa quase invisibilidade. As políticas de inclusão parecem dar impulso nos últimos anos ás reivindicações que procuram anunciar a voz das minorias, entretanto, o caminho ainda é árduo. 
             Apesar de existirem aparatos legais para a inclusão, dentre os quais, a Declaração dos Direitos Humanos (1948), a Declaração de Salamanca (1994) e a Constituição de 1998, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) , o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Plano Nacional de Educação ( PNE), e o  Estatuto da Pessoa com Deficiência , lembramos Anísio Teixeira “ Os valores proclamados são diferentes dos praticados”. Muitos sujeitos são renegados, invisíveis e não assistidos. 

Como levar esses conceitos e normas legais ao cotidiano da escola e da vida? Pergunta de dimensão complexa. A proposta é um grande desafio e passa por compreender a pedagogia dos últimos tempos e aliar o processo de democratização quantitativa ao processo de qualidade. 
Nossas escolhas em inserir a questão da inclusão e exclusão, que é uma questão de muitas áreas, é uma escolha política, ideológica, econômica e pedagógica. Não existe holofotes nessa pauta, mesmo sendo ela, dita prioritária.

Desta forma, nossa tarefa educadora, talvez seja conhecer, refletir, e fazer a transformação no lugar que pisamos. Lutar e exigir do ESTADO que   oferte  uma rede de apoio à escola, oferte trabalhos de orientação, assessoria e acompanhamento do processo de inclusão, formação, capacitação dos sujeitos, ampliação e aplicação das leis. Possivelmente, essa conscientização possa buscar na intencionalidade do ato educativo, uma educação comum e especial, com condições favoráveis para o desenvolvimento de todos os estudantes. Dos alunos vistos, e dos não-vistos, dos de perto, dos de longe, de todos.

E ao serem vistos, a percepção sobre o tema, passa por entender que a mudança conceitual deve ocorrer, que é urgente rompermos com   alguns marcos definidores da educação especial, desconstruir o modelo estritamente médico-biológico, psicológico, econômico e legal para assumir uma dimensão fortemente político-pedagógica e prática. Foco na ação. Pequenas ações, grandes ações, a minha ação a sua ação, a nossa ação. Trabalho de construtor, peça a peça.
Os desafios e paradoxos estão postos, precisamos caminhar, construir, democratizar para incluir. Temos uma estrada longa, que será percorrida passo a passo, num projeto progressivo, gradativo de tempo longo, mas de sonhos concretos.

De sonhos coletivos, participativos, que avistam um futuro de uma escola DEMOCRÁTICA,  plural, inclusiva e de qualidade, para o igual e para o diferente. Para o que não se identifica, não se qualifica, para a singularidade de cada um.


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