terça-feira, 31 de julho de 2018

EDUCAR PARA O DIÁLOGO EM TEMPOS DE CRISE



  1. A DEMOCRACIA PEDE SOCORRO, POR ISSO, É PRECISO EDUCAR PARA O DIÁLOGO EM TEMPOS DE CRISE


Por Marli Dias Ribeiro



A escola é o lugar do encontro, para o encontro, e por esse motivo o diálogo deveria ser uma ação natural e respaldada na nossa condição de ser social. O contato, a presença e a diversidade do ambiente educativo deveria possibilitar a singularidade de estar com o outro e universalizar o cuidado de falar e ouvir, e certamente dialogar.
Encontrar o outro sujeito na escola e fazer desse encontro um momento significativo, um movimento de compreender, de se comprometer com a voz do outro, sua subjetividade é urgente. Isso integra um fazer dialogado para a educação humana, que vai além do conteúdo. Uma educação com “E” maiúsculo, Educação, que integra o saber e o ser. Essa construção deve ser o fundamento da sala de aula, da gestão, das relações entre alunos e professores, do encontro com a comunidade.
Existiria ação educativa sem diálogo? Existiria democracia sem a voz do outro? A conectividade traz sentido à ação dos educadores. Transcende o movimento de passar conhecimento pois, quem encontra o aluno e interage com ele propõe sentido à sua presença na escola.
O desafio de fazer, de saber e de ser educador para o diálogo é evidente. Vivemos um presente cercado de egoísmo, de fluidez e velocidade. Ser tempo presente para o nosso aluno parece ser o grande desafio. Estamos perdendo a noção de estarmos completos em casa, na escola, na sala de aula e no diálogo. Sem essa inteireza educar para dialogar torna-se impossível.
Então é preciso ser presente, estar presente, e fazer-se presente para construir um percurso educativo fundamentado na condição humana da fala e da escuta. Sejamos alertas ao imperativo de entender o diálogo como condição essencial ao ato de educar e transformar a educação e nossas comunidades.
Estar próximo do aluno e da sua realidade movimenta a educação e faz dela uma construção de ideias, sem a participação e a fala do outro, isso parece ser impossível.

Em Paulo Freire refletimos que … deveríamos entender o “diálogo” não como uma técnica apenas que podemos usar para conseguir obter alguns resultados. Também não podemos, não devemos entender o diálogo como uma tática que usamos para fazer dos alunos nossos amigos. Isto faria do diálogo uma técnica para a manipulação, em vez de iluminação. Ao contrário, o diálogo deve ser entendido como algo que faz parte da própria natureza histórica dos seres humanos. É parte de nosso progresso histórico do caminho para nos tornarmos seres humanos. Está claro este pensamento? Isto é, o diálogo é uma espécie de postura necessária, na medida em que os seres humanos se transformam cada vez mais em seres criticamente comunicativos. O diálogo é o momento em que os humanos se encontram para refletir sobre sua realidade.

Esse é o convite principal em tempos de crises sociais, políticas e educativas. Dialogar. Que a partir de nossa ação e envolvimento possamos aceitar o desafio, e a ousadia de educar para um futuro mais ético, e que  ele passe pelo diálogo.

Trecho do livro Medo e Ousadia – O Cotidiano do Professor / Ira Shor, Paulo Freire; tradução de Adriana Lopez. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. (Coleção educação e Comunicação, v. 18)

sexta-feira, 15 de junho de 2018

SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL: Sintomas crônicos da Educação Brasileira



SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL:

Sintomas crônicos da Educação Brasileira


Por Marli Dias Ribeiro

Os dados da educação brasileira revelam como exames clínicos uma patologia crônica que afeta a educação de todo país. Resultados do censo escolar, inclusive os de 2017, e os anteriores dos últimos 10 anos, indicam uma taxa altíssima de evasão e abandono, entretanto, apesar do diagnóstico da doença crônica conhecida por SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL, praticamente nenhuma atitude é efetivamente tomada. 
Esse mal é contagioso e atinge principalmente as redes municipais de ensino da Educação Básica e até algumas capitais. A baixa qualidade, a desvalorização do professor e de sua formação,  a infraestrutura escolar precária são os sintomas mais evidentes.
Os males  dessa síndrome são variados. Aparecem no espaço escolar, sobretudo na sua infraestrutura onde as escolas continuam na idade da pedra. Em pleno século XXI apenas 41,6% possuem rede de esgoto. Situação agravada no Acre, Amazonas e Roraima.  Ainda temos escolas que jogam o esgoto nos rios, escolas que usam poço ou cisterna, e a incrível marca de 10% das instituições que não possuem energia nem rede de esgoto. Computadores com internet nas escolas ainda continuam nas nuvens. A inacreditável marca de que 65,5% das escolas de Ensino Fundamental não possui conexão com a internet, nem Banda larga, nem internet rural, e muitas nem telefone. Os sintomas são gravíssimos em muitas escolas rurais.

A formação precária e a desvalorização dos profissionais da educação intensificam o quadro da síndrome tornando os demais sintomas ainda mais graves. Muitos dos professores recebem salários insuficientes para sua subsistência e não possuem condições de atualizarem-se. A questão cultural aumenta a desvalorização se compararmos os ganhos de outros profissionais com nível superior com salários muito melhores. Falta compromisso do Estado com a carreira magistério.

A cura definitiva da SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL já foi descoberta em vários países. Como exemplo podemos citar a Finlândia. Nesse pais o salário do professor é digno e gira em torno de 3 mil euros. Todos os professores possuem mestrado, os processos de seleção são rigorosos e existe um período de pré-contratação. Todos os alunos com dificuldades têm atendimento diferenciado e são acompanhados com reforço. Estudam mais de 6 horas por dia. 
A educação pública da Finlândia recebe altos investimentos,  é estimulada e valorizada. O país é o quinto melhor em inovação tecnológica do mundo. A cura começou com a reforma educacional em 1968 e hoje ocupa o topo das avaliações internacionais, inclusive o PISA ( Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).

A transformação para esse conjunto de sintomas podem nos ajudar a iniciar uma educação que esteja de fato inserida nas competências do século XXI. Se vacinas de consciência política, com seus devidos reforços  não FOREM distribuídas e aplicadas em todo país do futebol; se o uso contínuo de voto certo e gestão democrática não se fizerem presentes no Brasil  da copa do mundo, continuaremos doentes, muito doentes, e não será apenas dos pés, que amam a bola, mas de uma síndrome curável que se chama DESCASO EDUCACIONAL.  

sexta-feira, 1 de junho de 2018

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: PRECISAMOS APRENDER A SUPERAR


VIOLÊNCIA NA ESCOLA: a violência está presente, escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes.

Por Marli Dias Ribeiro


São múltiplas as situações de violência nas escolas e em variados casos estão associadas a um conjunto de fatores. A violência não deve ser subestimada, pois apesar de em muitos casos ela não ser debatida pode gerar o fracasso escolar, a indisciplina, e a negação do sujeito.Algumas escolas vinculam a situação da violência usando a culpabilização, o jogo de empurra e de inércia, as falsas soluções, a exemplo dos castigos corporais, humilhações públicas, entre outros, o que pode aumentar o problema.

É fato que as violências estão presentes na escola, na rua, na comunidade, nas redes sociais em situação que apresenta a escola ora como vítima, ora autora, por vezes  passiva nos atos de violência, por isso,  precisamos levar para a prática o que as pesquisas nos mostram não como respostas, porém, como novas perguntas e ações.

Penso que o desafio passa por  aprender, sobreviver,   viver, e arriscar-se a conviver. Quais seriam os caminhos, as possibilidades para procurar romper as relações de violência na escola sabendo que ela está inserida em um contexto social, cultural e histórico?

Não existe solução pronta, Vasconcelos (2017) em sua pesquisa, sugere possibilidades  que envolvem ações que permeiam o currículo, a gestão, as interações com os alunos e a comunidade. Dentro dessas dimensões um trabalho de escuta, reflexão e ações concretas podem apontar novos indicadores de ações.

As possibilidades passam por compreender que a escola e a sala de aula, são microssistemas e se associam ao projeto curricular, à administração escolar, e finalmente, a sociedade/valores/cultura global, como um macrossistema (PESCADOR; DOMÍNGUEZ, 2001). Não existe ação isolada para diminuir a violência pois ela engloba relações que perpassam toda a instituição.

Então, quais ações poderiam eliminar ou amenizar o problema? Das variadas estratégias adotadas é importante sempre a escuta às vítimas. Também em muitas escolas a aproximação entre pais e comunidade educativa abrem novas janelas, ainda é necessário considerar o fim da punição, o fim da culpabilização do outro, investir em Projetos escolares contextualizados, democráticos e participativos, apoiar-se na pedagogia crítico-reflexiva.

A violência está presente, escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes. Caminhemos sempre porque para além dos limites, há o inédito viável (Paulo Freire). Que exista esperança para aprendermos a sobreviver, conviver e viver na escola, e, superar a violência. 

Para saber mais:
 VASCONCELOS, Ivar Cesar Oliveira de. Aprender a conviver sem violência: o que dá e o que não dá certo. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro. 2017.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.


PESCADOR, J. E. P.; DOMÍNGUEZ, M. R. F. Violencia escolar, un punto de vista global. Revista Interuniversitaria de Formación del Profesorado, n. 41, p. 19-38, 2001.  Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/articulo? Código=118100. Acesso em:  20 maio 2018.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

PROJETOS PEDAGÓGICOS UM CAMINHO POSSÍVEL E CRIATIVO


Projetos pedagógicos, você já participou?

Por Marli Dias Ribeiro





Muitos perguntam porque os projetos pedagógicos são utilizados nas escolas em situações tão diversas. Num mundo cada vez mais marcado pela velocidade, pelo grande número de informações, uso massivo de mídias, os projetos baseados na resolução de problemas estão mais que atuais.

Se considerarmos os estudantes que estão na escola hoje, existe o consenso de que, os “jovens de hoje” são mais fruto de um contexto, do que características de uma determinada geração (X, Y, Z), e que estimulados pela sociedade de consumo, suas ações estão diretamente relacionadas ao prazer. Esses jovens parecem ser imediatistas, possuem vontade de saber de tudo no momento em que o fato ocorre, estão inseridos nas redes sociais, realizam múltiplas tarefas sem grandes dificuldades, mas com superficialidade. A baixa concentração e pouca resiliência aparecem em suas ações. Os projetos podem auxiliar nossas ações pedagógicas frente a essa nova realidade.

A discussão sobre pedagogia de projeto não é nova. Ela surgiu no início do século, com John Dewey, e outros representantes da chamada “Pedagogia Ativa”. Nessa pedagogia existe a  concepção de que “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura. Nela a escola deve representar a vida presente – tão real e vital para o aluno como aquele que vive em casa, no bairro, ou no pátio”, e acrescento nas redes sociais, nos jogos virtuais, nos celulares, DEWEY (1859).

É importante ainda frisar que há muitas maneiras de garantir as aprendizagens. Os projetos são apenas uma delas. A pedagogia de projetos é um dos modos de organizar o ato educativo indicando uma ação concreta. Nessa lógica, optar por projetos ajuda a planejar tempos, conteúdos, espaços, amplia ideias, favorece a resolução de problemas e nos aproxima dos estudantes.

Por outro lado, rotinas que exigem longos períodos de concentração, textos longos, repetições, isolamento, não estimulam, não motivam os estudantes temos que nos preparar para transformar essas situação, por isso, usamos e  encontramos projetos em escolas de sucesso. Eles oferecem possibilidades que segundo Hernández (1998):

•      Estimula criação, cooperação e interação;
•      Estimula a democracia;
•      Desenvolve a resolução de problemas;
•      Faz conexões com o mundo real e virtual;
•      Melhora processos educativos sem precisar mudar  radicalmente espaços e pessoas;
•      Usa games e mídias em favor do aprendizado,
•      Favorece a participação e o diálogo;
•      Reforça o protagonismo do aluno e o professor atua como mediador;
•      Aceita grande diversidade de atividade dentro e fora da escola;
•      Potencializa a INTERDISCIPLINARIDADE;
•      É teoricamente consolidado pela pedagogia.

            Projetos escolares inovadores não precisam ser caros! Eles são possíveis e podem aproximar a escola da comunidade e do seu entorno, podem garantir mais participação dos estudantes e melhores respostas a muitos problemas educativos. 

           Mude hoje a rotina da sala de aula, da escola. Inove, invente, recrie, abrace o novo.

    Pergunto a você... Por que não começar um novo projeto?

 Projetos pedagógicos são um caminho possível, acessível  e criativo.


HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. 
Imagem: Arquivo pessoal. 


terça-feira, 1 de maio de 2018

SOBRE A OBRA, DIÁLOGO: UM PROCESSO EDUCATIVO


 

DIÁLOGO: UM PROCESSO EDUCATIVO

Dica de leitura

 Por Marli Dias Ribeiro



Ninguém sabe tudo sobre qualquer coisa, por isso dialogue!
Leonard Swidler




Aprendi muito sobre a arte do diálogo nesse trabalho. Escrever é um desafiar-se, passa por aprender a conversar com o outro. Expressar crenças e valores. Dialogar...
Dialogar foi e continua sendo um grande desafio para a humanidade, hoje parece ser gritante a falta de disposição ao ato de dialogar. 
As dinâmicas contemporâneas de um mundo globalizado, mercantil e marcado cada vez mais por processos de intensas incertezas sobre os rumos da vida, da morte, da paz, da guerra, das relações e das instituições parecem reforçar as desigualdades, a solidão e o egoísmo. Estar junto para  dialogar, se torna cada vez mais uma necessidade e uma exigência atual.
Acredito ser uma URGÊNCIA . 
Por esse motivo, viver em comunidade e dialogar é uma necessidade humana, uma postura que agrega a disposição de estar com o outro, de humanizar-se, de ouvir, de escutar e falar.
A obra Diálogo: um processo educativo, reflete essa importante questão, não apenas no ambiente escolar, mas amplia o debate ao momento atual em que vivemos. Os textos convidam e indagam sobre nossas formas de conceber, de pensar e agir em realidades diversas. 
O grupo de pesquisa Comunidade Escolar, encontros e diálogos educativos, o qual faço parte, apresenta textos, pesquisas e ensaios sobre como pode ser possível concretizar princípios éticos, políticos e sociais na perspectiva do diálogo como fonte e base da ação.

Fazer parte desse projeto me fez refletir e problematizar ainda mais sobre nossa responsabilidade enquanto educadores, com nossa tarefa  de nos comprometermos com a disseminação da arte de dialogar, do entendimento de que não somos fonte de todo conhecimento, não sabemos tudo, sempre podemos ser melhores, ver melhor através dos outros, da fala do outro, da voz do outro. Por isso, como nos diz Swidler (2018) o diálogo é elemento da própria condição humana e sua prática qualifica a própria existência.

Não deixem de ler a obra, divulguem, dialoguem sobre ela e com ela, pois conforme Freire (1981) nos ensina:  não é no silêncio que os homens se fazem, mas na reflexão-ação, no diálogo.
Nessa jornada não poderia deixar de expressar meu agradecimento aos amigos da Universidade Católica, que fazem parte dessa obra, aos patrocinadores, e aos professores Dr. Ivar Vasconcelos e Dr. Luiz Síveres por organizarem esse maravilhoso trabalho.

E SE VOCÊ FICOU CURIOSO ...
PASSA NOS COMENTÁRIOS E PEÇA SEU EXEMPLAR EM PDF, SERÁ UM PRAZER ENVIAR A VOCÊ ESSE PRESENTE.


FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Paz e Terra. Rio de Janeiro. 1981.

 SÍVERES, Luiz; VASCONCELOS, Ivar César Oliveira de(Orgs.).DIÁLOGO: um processo educativo. Brasília: Cidade Gráfica Editora, 2018.


Imagem: Arquivo pessoal

segunda-feira, 23 de abril de 2018

DEMOCRATIZAR É INCLUIR O OUTRO

DEMOCRATIZAR  ...


Sobre a Inclusão Educacional e a Democracia

Viver democracia é saber-se diferente e único. Respeitar passa por incluir.

Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo vive com alguma forma de deficiência, destas quase 93 milhões são crianças. No Brasil, são 45,6 milhões de pessoas, que representam quase 24% da população brasileira com algum tipo de deficiência (UNESCO, 2018).



Por Marli Dias Ribeiro


            Parece óbvio, mas cabe destacar, a inclusão emerge da DEMOCRACIA e com ela os Direitos Humanos. Democratizar é incluir. Pensar na diferença, na igualdade, na inclusão, e na exclusão constitui-se um processo de democratização e de humanização que busca compreender, e sobretudo aplicar, conceitos como equidade e alteridade. 
        Viver democracia é saber-se diferente e único. Respeitar passa por incluir o outro independente de sua situação.

Se por um lado, as normais legais dão um suporte jurídico a essa questão, a grande contradição são as garantias desses direitos a um conjunto cada vez mais amplo de sujeitos invisíveis. E são muitos os invisíveis.... Quando iremos incluir e garantir direitos para democratizar?

            O mundo sempre foi marcado pela exclusão, pela eliminação dos diferentes, dos pobres, deficientes, dos gênios, dos ditos anormais. Foram séculos sem possibilidades de fala, de lugar, numa quase invisibilidade. As políticas de inclusão parecem dar impulso nos últimos anos ás reivindicações que procuram anunciar a voz das minorias, entretanto, o caminho ainda é árduo. 
             Apesar de existirem aparatos legais para a inclusão, dentre os quais, a Declaração dos Direitos Humanos (1948), a Declaração de Salamanca (1994) e a Constituição de 1998, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) , o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Plano Nacional de Educação ( PNE), e o  Estatuto da Pessoa com Deficiência , lembramos Anísio Teixeira “ Os valores proclamados são diferentes dos praticados”. Muitos sujeitos são renegados, invisíveis e não assistidos. 

Como levar esses conceitos e normas legais ao cotidiano da escola e da vida? Pergunta de dimensão complexa. A proposta é um grande desafio e passa por compreender a pedagogia dos últimos tempos e aliar o processo de democratização quantitativa ao processo de qualidade. 
Nossas escolhas em inserir a questão da inclusão e exclusão, que é uma questão de muitas áreas, é uma escolha política, ideológica, econômica e pedagógica. Não existe holofotes nessa pauta, mesmo sendo ela, dita prioritária.

Desta forma, nossa tarefa educadora, talvez seja conhecer, refletir, e fazer a transformação no lugar que pisamos. Lutar e exigir do ESTADO que   oferte  uma rede de apoio à escola, oferte trabalhos de orientação, assessoria e acompanhamento do processo de inclusão, formação, capacitação dos sujeitos, ampliação e aplicação das leis. Possivelmente, essa conscientização possa buscar na intencionalidade do ato educativo, uma educação comum e especial, com condições favoráveis para o desenvolvimento de todos os estudantes. Dos alunos vistos, e dos não-vistos, dos de perto, dos de longe, de todos.

E ao serem vistos, a percepção sobre o tema, passa por entender que a mudança conceitual deve ocorrer, que é urgente rompermos com   alguns marcos definidores da educação especial, desconstruir o modelo estritamente médico-biológico, psicológico, econômico e legal para assumir uma dimensão fortemente político-pedagógica e prática. Foco na ação. Pequenas ações, grandes ações, a minha ação a sua ação, a nossa ação. Trabalho de construtor, peça a peça.
Os desafios e paradoxos estão postos, precisamos caminhar, construir, democratizar para incluir. Temos uma estrada longa, que será percorrida passo a passo, num projeto progressivo, gradativo de tempo longo, mas de sonhos concretos.

De sonhos coletivos, participativos, que avistam um futuro de uma escola DEMOCRÁTICA,  plural, inclusiva e de qualidade, para o igual e para o diferente. Para o que não se identifica, não se qualifica, para a singularidade de cada um.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

FIQUE ATENTO, A POLÊMICA BNCC DO ENSINO MÉDIO TRAZ GRANDES MUDANÇAS!


 As mudanças vão melhorar o quê?


Por Marli Dias Rib
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          A nova Base , BNCC , proposta para o Ensino Médio vem causando polêmica e promete grandes mudanças. Para melhor ou pior? São mudanças intensas nos currículos e na distribuição das disciplinas escolares. Sendo uma política nacional, ela busca alinhar todas as estratégias de ações, em âmbito federal, estadual e municipal, referentes à formação de professores, à avaliação, à elaboração de conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da educação. Será mesmo que essa dita grande reforma irá garantir aos sistemas de ensino a revolução de qualidade necessária?

         As mudanças giram em torno da carga horária e sua ampliação. Também na BNCC, o ensino será baseado em competências, que é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e sócio emocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. 

      Por outro lado, disciplinas como filosofia, sociologia, Artes, Educação Física deixam de ser obrigatórias. Apenas Português e Matemática são obrigatórias nos três anos de Ensino Médio. Será que apenas essas duas disciplinas são importantes?



            Outra questão é o amento da carga horária e a ampliação para o turno integral. Se hoje, os Estados ainda não garantem o mínimo, porque não ajustar e melhorar o que temos? Com escolas sucateadas, sem laboratórios, livros, água potável, cadeiras, e uma grande falta de professores, as demais disciplinas serão realmente oferecidas em cinco itinerários formativos? 

           Pela situação atual de nossas escolas fica evidente que escolas de ensino médio não possuem condições de ofertar cinco áreas de conhecimento propostas na lei pela falta de demanda ou pela falta de recursos.

       Parece que a polêmica ainda não chegou nas escolas, pouco vejo os educadores lendo, informando-se e questionando a nova base. Estão previstas audiências para debater o documento e o governo pretende encerrar o assunto ainda este ano.

           Precisamos ficar atentos, estamos cansados de receber soluções fabricadas, sem contexto e longe da realidade que vivenciamos. Vamos conhecer e debater ou a polêmica BNCC cairá em nossas escolas tais como as águas de março, inundando, arrastando e causando estragos e nada poderemos fazer. Por isso, temos que acreditar que ensinar é impregnar de sentido e participação nossa ação educativa. Estamos de olho!



Images: internet Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press); e do site mirante.com/oestadoma/noticias/2017/06/16/escola-de-musica-do-maranhao-abre-inscricoes-para-novas-v

sexta-feira, 6 de abril de 2018

SE A DEMOCRACIA EXISTISSE ...


SE A DEMOCRACIA EXISTISSE NA ESCOLA...

SE A DEMOCRACIA EXISTISSE...



Por Marli Dias Ribeiro


Se a democracia não fosse sonho... 
Tempos sombrios não escureceriam nossa visão
O povo, o pobre, as minorias estariam alfabetizadas
O grito pela liberdade não seria negado, tampouco calado, engasgado

Se a democracia triunfasse, na escola, livros, professores e opiniões seriam respeitados
A fome de saber seria alimentada, a escravidão velada não existiria
No movimento das ruas a justa medida da justiça poderia ser comemorada

A farsa das elites estaria revelada como em Raízes do Brasil, de Holanda, posta na mídia, na rua
A certeza seria que Educação que foge da luta, não colhe vitórias
Que Democracia sem escola não semeia colheita farta
Que alfabetizar para a democracia exige coragem de ser mais gente
Que Democracia tem sabor, tem cor, tem vida, tem luta

Democracia exige escolha
Tem a esperança da revolução, evolução que começa em mim, em você educador
Por isso precisamos aprender e ensinar democracia agora, hoje e sempre, em todo lugar
Sem medo de democratizar , fazer história, alfabetizar consciências para existir!


quarta-feira, 4 de abril de 2018

POESIA PARA EDUCADORAS : Do Stress à Poesia


UMA POESIA, UM  PRESENTE PARA AS EDUCADORAS




Tive a oportunidade de conhecer a escritora Lorena Nery Borges no evento Literatura por Mulheres. Admirei a coragem e o talento com que fala das realidades femininas e convidei Lorena Nery para nos presentear com um texto para educadoras,  e ela topou. Esse texto ela  fez exclusivamente para  contribuir em nosso blog. 


A escritora é assistente Social, Especialista em Gestão Social e Políticas Públicas, com participação nas Antologias Poéticas " Acolha o Pólen da Vida 1" e "Amores em Metamorfose". Colunista em “Livros Nacionais” e “ Beco do Poeta”, escreve na página "Nas EntreLinhas da Lo Amor" e colabora na “Nostalgia Poética”, fez a poesia “ Do Stress à Poesia” pensando no cotidiano vivido por muitos de nós educadores. Um presente que compartilho para dar mais brilho, leveza e esperança em nossa ação educativa, e como ela nos diz “continuar acreditando na formação de seres para chamarmos de humanos! ” 



Do Stress à Poesia

Lorena Nery Borges


Então, você está cercada com papeis, planos e metas sobre a mesa. O calendário está com um destaque vermelho, significando que para muita gente é um dia de feriado. Provas precisam ser elaboradas, tem aluno pendurado nas notas, tem aquele que está enfrentando problemas em casa. Em casa? Você pensa assoberbada de preocupações; Suas roupas acumulam no cesto; as louças na pia e amanhã é o aniversário da sua tia-avó, um acontecimento que marca os cem anos de uma mulher guerreira.

Você sente inveja dela? Talvez, um pouco porque ela aguentou ser mulher em meio ao caos e por vezes acha que não terá a mesma força. Sexo frágil, eles disseram. Você acha graça, ri sozinha com uma caneta pendurada na orelha e outra na mão porque não lembrava onde tinha posto a outra.  Mas o principal pensamento em sua mente: formar seres humanos melhores!

Você se recorda dos motivos que te levaram até ali, mesmo com uma série de sacrifícios e baixa remuneração. Vem uma recordação daquele dia em que ligou a televisão e uma ex-aluna estava apresentando o noticiário. Ou do dia em que aquele menino que era visto como danado foi o que educadamente te atendeu no hospital, ou da atendente da floricultura que ainda lhe deu um buquê de cortesia por ter sido sua aluna, ou moça sorridente que se apresenta com o grupo de teatro da cidade e traz a emoção à tona e recorda uma ligação que dizia: obrigada professora.

Todos vencedores! São tantas lembranças que você se veste de confiança e esperança que mais na frente terá muitos outros motivos para comemorar.  Independente da disciplina espera-se isso de você, que também se cobra por esse motivo. Mas eu preciso te lembrar:

Ei mulher, tu não és a responsável por todas as consequências do mundo! Tira um pouco o peso dos teus ombros. Desempenha teu trabalho com amor e compromisso, só não esquece que para cuidar de outros é necessário estar bem primeiro! Eu te admiro por isso, por tuas batalhas, por tuas vitórias e renuncias, mas vou continuar admirando-a quando a sua prioridade do dia for o teu descanso. Relaxa a mente, desliga um pouco o celular, deixa a caderneta de chamadas lá no ambiente escolar!

Só por hoje! Educa a tua rotina para um pouco de paz consigo e deixa que amanhã seja um novo dia de inúmeras batalhas [ que por vezes só se colhe a vitória depois de longos anos]. E lá vem mais um ciclo de Stress da rotina massacrante à Poesia de continuar acreditando na formação de seres para chamarmos de humanos!


Página para conhecer mais sobre a escritora: https://www.facebook.com/search/top/?q=lorena%20nery%20borges
Imagens: Arquivo pessoal 

segunda-feira, 26 de março de 2018

SALA DE AULA INVERTIDA, METODOLOGIAS ATIVAS, O QUE É ISSO?



A tão badalada metodologia ativa, do ensino em ação, não é tema tão novo assim.


Por Marli Dias Ribeiro


O movimento de mudanças sociais, a chamada sociedade do conhecimento que vivemos nos dias atuais, trazem aos educadores a necessidade em compreender as exigências que se impõem ás novas realidades do mundo. 
As tendências pedagógicas que influenciaram grande parte dos professores foram apoiadas em muitos casos, e ainda, o são, pela conhecida Pedagogia Tradicional. Sobre a tendência tradicional podemos resgatar do filósofo alemão Johann Friedrich Herbart (1776-1841),  as Escolas dos Frades jesuítas, a repetição oral, a aula expositiva, o currículo rígido, o aluno é passivo, o professor autoritário, listas gigantes de conteúdo, aulas sem contextualização, memorização e outros. Muitos de nós somos resultado desse ensino que ainda hoje, tem espaço nas escolas.

Entretanto, a tão badalada metodologia ativa, do ensino em ação, não é tema tão novo assim. E a hoje em aparace difundida com o ENSINO REMOTO exigido pelo COVID-19. Segundo Abreu (2009), os primeiros conceitos desse método aparecem na obra Emílio, de Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Isso mesmo, em 1700! Nessa filosofia educativa as experiências de ação do aluno são parte central do ensino. 
Outro autor que inspirou essa tendência pedagógica ativa foi John Dewey (1859-1952), idealizador da Escola Nova. Ele defendeu que a aprendizagem ocorre pela ação, colocando o estudante no centro dos processos de ensino e de aprendizagem. Parece ainda distante de você? Em nosso país a conhecida Escola Nova da década de 30 está associada aos pioneiros da Educação no Famoso Manifesto da Escola Nova onde Anísio Teixeira foi um dos protagonistas.  

Mesmo não sendo uma novidade, seu uso vem ganhando força em muitas escolas internacionais e nacionais. Na Finlândia, um dos melhores ensinos do mundo, segundo dados do PISA, o aluno aprende a gerir planos, projetos, e lidar com erros. As avaliações são realizadas ao longo do processo e o desempenho do estudante acompanhado durante as aulas. No Brasil as grandes redes de escolas particulares estão apostando na onda ativa. Essas escolas apoiam-se em conceitos assentados na Biologia e na Psicologia para explicarem seu uso.

            Esses conceitos da biologia e psicologia defendem o ensino ativo. Baseados em  dados do  National Training Laboratories, os adeptos explicam que nas aulas expositivas  o jovem absorva apenas 5% do que é apresentado, na leitura a  retenção pode chegar a  10% do assunto, porém nas atividades ativas a apreensão chega a mais de 50% de aproveitamento. Quando a escola organiza suas ações com orientação do professor com a metodologia ativa, os resultados chegam a 75% de retenção. 
         Nesse tipo de metodologia os alunos são inseridos em   debates, pesquisas e execução de atividades diferenciadas, leitura prévia de conteúdos para favorecer a interação; uso de tecnologia para potencializar o aprendizado; competições ou desafios para instigar o pensamento, ocorre o trabalho em equipe e a liderança; empreendedorismo, etc.

            Nesse contexto, a sala de aula invertida, tem como conceito um espaço   onde o protagonismo é do aluno, o aluno é agente do saber, o professor acompanha, orienta e estimula. O estímulo é direcionado á resolução de problemas. Em alguns casos o aluno é dito auto aprendiz. O aluno é autônomo. A inversão são nos papeis propostos aos professores que passam  a ser os motivadores, incentivadores.

            As críticas a essa abordagem giram em torno da preparação do estudante para  mundo tecnológico sem uma abordagem crítica. Será?  Os argumentos falam de uma metodologia ativa  com tendências que não sejam vinculadas ao ensino tradicional e ainda carece de aprofundamento teórico. Estamos preparados? Essa é a função social da escola de hoje? As aulas proposta em nossas escolas são mesmo tradicionais? Os alunos, a comunidade conhecem e  foram ouvidos sobre essa tendência? 

            Por fim, o processo de ensinar e aprender compõe-se de inúmeros e complexos processos internos, que são individuais. Cada sujeito internaliza e aprende em seu tempo, espaço e forma. Será que temos condições de apontar a melhor metodologia? Convido você a refletir...
           Assim, creio que  precisamos mesmo inverter muitas situações na escola e possivelmente, não seja somente a sala de aula, mas nossa ação, a formação, a participação, as ações com as famílias, a gestão educacional, as verbas...pois...

Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.

Ensinar exige compreender que a educação é uma
forma de intervenção no mundo.
Ensinar não é transferir conhecimento.
Paulo Freire


Imagem: Internet
Saiba mais : MELO, B. C.; SANT’ANA, G. A prática da Metodologia Ativa. Com. Ciências Saúde, v. 23, n. 4, p. 327-339, 2012.


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