quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O poder de escutar: passadas as alegrias e angústias do primeiro turno…

 O poder de escutar

Passadas as alegrias e angústias do primeiro turno…


Tenho refletido!
O avanço do conservadorismo não pode ser explicado pela ignorância de quem vota diferente de nós. Tampouco raça, classe social, escolaridade ou condição de trabalhador determinam, sozinhas, uma escolha política. As pessoas são muito mais complexas.
Elas votam atravessadas por histórias, medos, esperanças, valores, religião, família, segurança, pertencimento, experiências pessoais e expectativas de futuro.
Durante muito tempo, parte do campo progressista parece ter falado sobre o povo mais do que com o povo. A linguagem ficou sofisticada dentro das próprias bolhas, mas nem sempre encontrou tradução na fila do ônibus, no comércio, na escola, na igreja, no bairro, no salão, na periferia ou dentro de casa.
Enquanto isso, setores conservadores aprenderam a falar diretamente com as pessoas sobre:
medo, segurança, fé, família, dignidade, pertencimento e esperança.
Não significa que devamos abandonar nossos princípios. Muito pelo contrário. Significa compreender que democracia não é apenas defender boas ideias; é conseguir conversar com pessoas reais sobre aquilo que dá sentido às suas vidas. As novas gerações tornam esse desafio ainda maior.
Elas nasceram em um mundo de transformações aceleradas, redes sociais, inteligência artificial, novas formas de trabalho, novas identidades, crises ambientais, inseguranças econômicas e uma avalanche de informações. Não podemos esperar que pensem como as gerações anteriores.
Ouvir também significa reconhecer que uma pessoa pode defender políticas sociais e, ao mesmo tempo, valorizar a religião. Pode ser trabalhadora e conservadora nos costumes. Pode defender direitos sociais e desejar mais segurança. Pode discordar de nós em uma pauta e concordar em dez outras. E talvez seja exatamente aí que esteja uma das explicações para o crescimento de forças conservadoras: elas perceberam desejos e angústias que parte da esquerda deixou de traduzir em linguagem cotidiana.
Conservadorismo e extrema direita não são sinônimos. Uma democracia saudável comporta conservadores, progressistas, liberais, social-democratas e tantas outras posições. A extrema direita se torna perigosa quando transforma medo em ódio, diferença em ameaça ou quando as eleições são permanentemente colocadas sob suspeita. Quando direitos fundamentais passam a ser vistos como privilégios de determinados grupos. Precisamos escutar antes de julgar. Falar de salário, comida, segurança, educação, família, fé, futuro e dignidade porque é assim que as pessoas vivem.
Ela será fortalecida quando formos capazes de conversar com quem pensa diferente sem abrir mão dos nossos princípios e sem retirar do outro o direito de existir politicamente.
“O que deixamos de ouvir para que elas passassem a procurar respostas em outro lugar?
E nenhuma democracia sobrevive quando deixa de escutar o seu próprio povo. Abra seu livro e sua mente! Que vença a democracia!

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