A Secretaria de Educação do GDF realizou a VII Plenarinha da Educação Infantil, reunindo cerca de 4000(quatro mil) professores de educação infantil, entre os dias 9 e 17 de abril. Um encontro prestigiado pelos professores que lotaram os auditórios, em todos os dias e turnos, e por escritores locais e de outros estados brasileiros. A diretoria de Educação infantil distribuiu o Guia do Professor da Educação Infantil, que teve como tema Brincando e Encantando com Histórias.
Este espaço é destinado a divulgar experiências, textos, desafios, dicas, e sonhos de gestores escolares e professores que buscam compartilhar ações e conhecimentos. Lugar de quem faz acontecer a escola pública democrática no Brasil. Participe, divulgue e colabore. Venha criar uma rede de cooperação por uma Gestão Escolar Democrática e transformadora. Educação direito de todos. Faça parte. Cuidar da escola é investir no futuro!
quarta-feira, 24 de abril de 2019
domingo, 24 de março de 2019
EXTREMA VIOLÊNCIA NA ESCOLA
POSSIBILIDADES DE SUPERAÇÃO
POR MARLI DIAS RIBEIRO
A violência em instituições escolares sempre é um
tema que gera debates e indignação por envolver crianças e jovens. Os
profissionais da educação precisam ampliar o olhar para o tema em busca de
alternativas e novas possibilidades. No artigo: extrema Violência na Escola
procuro apresentar uma
investigação ampla de situações presentes em instituições escolares. Embora a
violência alcance variados contextos e espaços, o objetivo foi identificar
formas de superação organizadas na escola quando a violência desencadeia em
homicídio dentro da instituição.
Apresento aqui apenas o resumo de uma pesquisa científica em que a metodologia
utilizada foi a investigação bibliográfica com leitura crítica do material
coletado e análise de estudos em que o tema da morte na escola esteve presente.
O lapso temporal foi o período dos anos de 2006 a 2017, com ênfase, nas ações
de prevenção e de novas alternativas de enfrentamento da violência, sobretudo,
para os casos envolvendo homicídios em instituições escolares. Infelizmente
ainda lidamos com vários casos de tragédias em nossos contextos escolares.
O trabalho concluiu que a superação da violência
está vinculada a ações de prevenção, a novas propostas de currículo, à gestão
participativa e democrática pautada em relações de diálogo com a comunidade
escolar. Esses aspectos mostram-se importantes enquanto mecanismos de prevenção
em casos de extrema violência. Eles também auxiliam na ampliação e geração de
estratégias de enfrentamento do problema e são possibilidades de superação por
meio da participação coletiva e colaborativa. É possível educar para a paz, é possível viver em paz, é possível...
O texto contendo a pesquisa completa está
publicado em:
Comunicologia - Revista de
Comunicação da Universidade Católica de Brasília v. 11, n. 2 (2018): V. 11, N. 2, JUL./DEZ., 2018
https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RCEUCB/issue/view/545
https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RCEUCB/issue/view/545
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
LIVRO, O MELHOR AMIGO DO EDUCADOR... ESCREVER É POSSÍVEL
LIVRO, O MELHOR AMIGO DO EDUCADOR... ESCREVER É POSSÍVEL
Arrisque-se a escrever, todos podem...
Um pouco sobre a história dos livros
Quando pensamos em um livro,
geralmente imaginamos um conjunto de folhas impressas em papel. Nossa ideia de
livro está associada ao material concreto, à técnica de impressão, a capa, ao
desenho, à costura. Quando juntamos textos escritos à mão ou lemos no
computador parece-nos fugir a materialidade do livro. Mas, temos hoje,
E-boockers, Blogs, Vlogs, redes sociais, páginas e tantos outros escritos,
diversos e únicos. Infinitas possibilidades...
Mas nem sempre foi assim! De onde
vem o termo, a palavra "livro"? Ela vem da forma latina liber,
que era o nome da camada externa da casca das árvores, onde se escrevia
antigamente. Os livros nem sempre tiveram o formato atual. Foi durante a Idade
Média que passaram a ter um aspecto parecido aos de hoje. Antigamente, como
eram escritos à mão, existiam poucos exemplares, raros eram os leitores.
Em 1436, na Alemanha, um joalheiro
chamado Johannes Von Gutenberg inventou a imprensa. Graças a essa invenção,
puderam ser feitas muitas cópias de um mesmo livro, não sendo mais necessário
copiá-los à mão. A partir da invenção da imprensa, no século XV, foi possível
imprimir exemplares em grande quantidade, tornando-os acessíveis a um maior
número de pessoas. Porém eram poucos os letrados. Mulheres leitoras uma raridade.
Mas quem escrevia os livros?
Inicialmente, os homens escreviam para anotar a quantidade de animais que
tinham, guardar a informação e controlar os animais que eram vendidos, que se
perdiam ou que morriam. O que se escrevia na Antiguidade, portanto, não eram
livros, mas breves anotações comerciais e
documentos. Apenas os sacerdotes podiam escrever livros porque se
acreditava ser a escrita um dom sagrado concedido pelos deuses a sujeitos
escolhidos. Essas pessoas eram as únicas que tinham permissão para ler os
livros sagrados. Ainda hoje a ideia de dom ou capacidade nata é associada a
essa visão dogmática do ato de escrever. Mas acreditem, todos podem escrever…
Todos!
Na Idade Média, na Europa, os monges
eram encarregados de copiar os livros à mão. Esses monges eram chamados
copistas. Já nos países do Oriente, como
na Pérsia, por exemplo, os encarregados de copiar e ilustrar livros não eram os
monges, mas sim algumas famílias. E todos os membros da família deviam se dedicar a
esse trabalho.
O fato é que livros sempre geraram
conflitos por expandirem informações. Ao longo da história, muitos episódios de
dominação destruíam bibliotecas. Dessa forma, controlavam a história dos povos e a experiência dos seus antepassado contida nos livros. Isso aconteceu com
a famosa Biblioteca de Alexandria, no Antigo Egito: quando os romanos invadiram
a cidade de Alexandria para conquistá-la, queimaram a sua imensa biblioteca. Na
Europa, no período da Inquisição, entre os séculos XV e XVI, a Igreja Católica
também ordenou a queima de livros considerados contra a fé cristã. Quase em
meados do século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de livros foram
queimados em praça pública pelo regime nazista por serem considerados
contrários ao sistema político.
Por isso, escrever, ler e ter livros foi e sempre será um ato de
rebeldia, um movimento de contestação que precisamos construir e reconstruir.
Por isso, escrevo nesse espaço virtual, nas redes socias, e claro escrevi um
livro. Acreditem, escrever sempre será uma forma de democratizar o conhecimento.
Referencia:
TEBEROSKY , Ana e COLL de Cesar. Aprendendo Português. Conteúdos essenciais
para o Ensino Fundamental de 1a a 4a série. Ática,
2000.
IMAGENS: Aplicativo Bitmoji e arquivo pessoal
IMAGENS: Aplicativo Bitmoji e arquivo pessoal
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
POR QUE DEVEMOS PLANEJAR A ESCOLA E A SALA DE AULA?
Por que os gestores escolares e professores
devem planejar?
Por Marli Dias Ribeiro
A maioria das pessoas não planeja a falha, elas falham no planejamento.
( Jonh Beckley)
( Jonh Beckley)
Encerramos mais um ano e devido à dinâmica que envolve a gestão escolar, fechamos um ciclo, um período letivo terminou. Iniciamos a partir de agora as avaliações de uma etapa que se findou para
pensarmos um novo planejamento. Parece ser uma receita dos tempos da vovó, mas
sempre cabe alertar que sem planejamento, sem resultados…


Para dar certo, para nossas escolas crescerem, para nossos estudantes
aprenderem, devemos planejar. Se tardarmos em planejar, ou não planejarmos, é
certo que falharemos. Em educação, seja na gestão da escola ou na gestão da
sala de aula, a prioridade é partir para o planejamento!
Gestores e educadores que se apropriam dessa ferramenta indicam que o planejamento abre possibilidade pois:
1.
Reduz as ações e reações baseadas na emoção, no achismo,
na adivinhação e na intuição por oferecer bases teóricas sólidas e dados pautados em resultados contextualizados.
2.
Pode-se fazer mais do que efetuar alterações marginais
e simplistas de projetos que não deram certo e necessitam de ajustes por
aprofundar as análises.
3.
Evita um estado de “apagar fogo” corriqueiro nas
escolas, a eterna emergência e o corre-corre, auxiliando e antecipando
diretrizes para ações ponderadas e controladas de problemas frequentes.
4.
Minimiza muitas falhas e pequenos problemas corriqueiros da rotina escolar, evitando desgastes desnecessários.
5.
Assegura que cada ação na escola possa ser coordenada e compartilhada, o que ajuda a
decidir se cada função está adequadamente identificada, e se o indivíduo
responsável tem realizado suas atribuições.
6.
Organiza as decisões que têm melhores chances de
produzirem as consequências desejadas tanto no presente, como para o futuro.
7.
Tende a diminuir as burocracias, pois ajuda a
dividir melhor as tarefas do dia a dia, e a ajustar e reduzir o caminho dos
processos.
8.
Promove atitudes de coletividade, cooperação e
democracia, delegando tarefas e atribuições a todos.
9. Incentiva a criatividade, a autonomia, motivando a
equipe, e sensibilizando para o enfrentamento dos problemas.
10. Dá visibilidade ao resultado dos esforços anteriores e
indica caminhos para novas ações, o que pode ajudar a romper com a resistência ao
planejamento.
11. Estabelece um clima escolar de transparência, amizade e
companheirismo, evitando competitividades e estresses.
12. Promove resultados que podem ser compartilhados
por toda comunidade e principalmente, pelos estudantes.
13. Indica que acertos e
erros podem acontecer. Por isso, não tenham medo de errar, pois como dizia Albert Einstein; ‘a pessoa que nunca cometeu um erro, nunca tentou algo novo’.
Por fim, elabore o planejamento com
as bases teóricas que fundamentam as aprendizagens, utilize os mais variados
instrumentos, as diversas metodologias disponíveis, invente e reinvente, mas tempere
tudo isso com o melhor que você pode oferecer a sua comunidade que é o diálogo, a democracia, o comprometimento e o amor.
domingo, 25 de novembro de 2018
ENSINO MÉDIO COM 20% DE DISCIPLINAS Á DISTÂNCIA SERÁ O REMÉDIO? QUE NOVO ENSINO MÉDIO É ESSE ?
ENSINO MÉDIO COM 20% DE DISCIPLINAS Á
DISTÂNCIA SERÁ O REMÉDIO PARA A CRISE? QUE TIPO DE NOVO ENSINO MÉDIO PRECISAMOS?
Manchete mostra um grande desafio para a educação: Conselho Nacional de Educação aprova 20% de Ensino Médio online-Ead. O argumento é de que modalidade vai ajudar na oferta de disciplinas
optativas.
Nos
jornais aparecem manchetes destacando o grave problema do Ensino Médio
brasileiro. Autoridades chegam a dizer que ele é um desastre. Estudos
internacionais como o PISA e dados da
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que
compara dados educacionais de 45 países, mostra, mais uma vez, que apesar dos
avanços obtidos na última década, os resultados brasileiros continuam
insatisfatórios.
Lamentável revelar que metade dos brasileiros adultos não conclui o Ensino Médio e que a formação e salários dos professores continuam baixos.
Lamentável revelar que metade dos brasileiros adultos não conclui o Ensino Médio e que a formação e salários dos professores continuam baixos.
Existe uma relação direta com a valorização docente
e os resultados da aprendizagem dos estudantes. Os professores brasileiros
continuam com pouca formação, salários insuficientes, o que torna a atividade
pouco atrativa. SEGUNDO
O SAEB- 2017, 70% DOS ESTUDANTES DE 14 A 17 ANOS, ESTÃO ABAIXO DA META DE APRENDIZAGEM ESPERADA.
É lamentável pensar que a solução encontrada no
chamado NOVO ENSINO MÉDIO seja reforçar ainda mais o distanciamento entre o aluno
e professor propondo disciplinas à distância. Se as escolas não possuem livros,
banheiros, e em alguns casos cadeiras para sentar, terão rede de computadores e
internet? Se as grandes dificuldades de aprendizagem são em português e
matemática as lacunas serão resolvidas? As empresas de Educação em Ead estão nesse projeto?
A
crise parece não ter fim. Com o cenário de baixos investimentos públicos em
educação é pouco provável que a situação se modifique. A aprovação da proposta
de emenda constitucional que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos,
que ficou conhecida como "PEC dos Gastos" agrava o quadro e a mágica
do Ensino à distância coloca lenha na fogueira. ENSINO MÉDIO COM 20% DE
DISCIPLINAS Á DISTÂNCIA SERÁ O REMÉDIO?
Porções
mágicas e soluções de gabinetes continuam dando rumos à educação no Brasil. E
esses mesmos mandantes esperam resultados satisfatórios? Que paguem o preço
professores, alunos e comunidade. Mais precarização, menos aprendizagem,
mais abismos entre os Estados.
É esse o Novo Médio que precisamos?
É esse o Novo Médio que precisamos?
domingo, 4 de novembro de 2018
Tempos de Educação Remota: O PROFESSOR AINDA DEVE PROFESSAR?
O PROFESSOR AINDA DEVE PROFESSAR?
Por Marli Dias Ribeiro
No século
passado o papel do professor estava vinculado a repassar a informação e,
talvez, o conhecimento.
Professar uma coleção de enredos, livros, fórmulas, informações
acumuladas pelas gerações passadas aos estudantes. Hoje, com o advento das novas
tecnologias da informação e do conhecimento o papel do professor precisou ser reinventado, e até chegaram a arriscar o desaparecimento da profissão. Nessa conjuntura, a
mediação aparece com força, e professar a verdade, não faz parte da nova
postura do educador.
Temos ainda conteúdos a ministrar, porém, a significação de
nossa prática pedagógica e de como levar isso para os jovens nas escolas nunca
foi uma tarefa tão complexa e desafiadora como agora.
Na Sociedade
do Conhecimento educandos e educadores tem acesso a uma inimaginável gama de
informações ao toque de uma tecla, e nosso grande desafio é mediar como essa
informação será interpretada, avaliada, lida de forma crítica e
contextualizada.
Torna-se evidente que somos desafiados a desenvolver competências
profissionais que passam necessariamente pela ampliação do universo de
conhecimentos e pela reflexão sobre nossas práticas, nossas posturas e de nossa
atitude ética. Agora, mais que nunca, somos aprendizes.
Se nossos prédios escolares, nossos
livros didáticos, nossa organização pedagógica, nossa graduação, ainda não
mudou, os desafios da pós-modernidade constroem um caminho que não tem volta, a
mudança no mundo está posta, e somos parte da sociedade, teremos que despertar,
nos conectar. Possivelmente, nossas atitudes de leitura de mundo passa pela mediação
da aprendizagem, pela aula significativa, pelas novas formas de ler e ver a
informação.
Penso não existir outra forma de aprender que não seja o estudo, a
formação, reflexão crítica e ativa de nossa prática.
Imagino e vejo algumas escolas ainda não acordaram e não nos ensinaram a lidar com os novos desafios. Nos resta reagir, agir, sobreviver,
arregaçar as mangas e assumir nossa postura de professores. Estudar é preciso,
professar não, precisamos ir além!
E mesmo em tempos de incertezas e dúvidas,
o fundamental em nossa ação educativa, será seguir transformando por meio de nosso trabalho. Um trabalho que pode ser esperança para os
estudantes. Por eles é que existimos enquanto professores, educadores, mediadores. Vamos errar? Podemos errar, mas continuaremos tentando. Como Clarice Lispector
nos ensina, sempre ao começar cada trabalho, devemos nos preparar para errar,
faz parte da caminhada de todo aprendiz. No erro podem existir possibilidades.
Assim, sigamos nos aprimorando como gente, como
profissional, como eternos estudantes pois, enquanto existirem dúvidas, continuaremos nos movendo por respostas e não professando meias verdades.
E não me esquecer, ao começar o trabalho, de me preparar
para errar.
Todas as vezes em que
não dava certo o que eu pensava ou sentia é que se fazia enfim uma brecha, e,
se antes eu tivesse tido coragem, já teria entrado por ela.
Meu erro, no entanto, devia ser o caminho de uma verdade,
pois quando erro, é que saio do que
entendo.
Se a "verdade" fosse aquilo que posso entender,
terminaria sendo apenas uma verdade pequena, do meu caminho.
Clarice
Lispector
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
A CRISE EDUCACIONAL FOI, E É PLANEJADA
A CRISE EDUCACIONAL FOI, E É PLANEJADA
Ela não é uma crise é um projeto
Por Marli Dias Ribeiro
Essa
frase de Darcy Ribeiro em 1977, numa palestra que ele chamou de “SOBRE O ÓBVIO”, continua atual mesmo tendo sido dita a mais de quatro décadas. Os
números de nossa educação revelam uma situação lamentável. Se o Estado não
investe suficientemente em Educação
podemos considerar que a crise é planejada, ela é uma consequência prevista e
pode até ser calculada. Não existem bons resultados sem projetos e
investimentos. Apesar de na última década terem ocorridos alguns avanços
principalmente, em relação ao acesso, temos grandes desafios a enfrentar. Os
dados revelam uma crise que se arrasta e parece ser previsível e intencional.
Segundo
dados do relatório Education
at a Glance 2018, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), os resultados revelam
o que muitos de nós suspeitamos:
mais da metade da nossa população adulta entre 25 e 64 anos não concluiu
a Educação Básica em 2015, o dobro da taxa média das nações que fazem parte da
OCDE. Nossos resultados estão acima de países como Argentina (39%) e Chile
(35%). Além disso, o Brasil também aparece em segundo lugar na lista dos países
com maior desigualdade de renda entre os 49 participantes do relatório o que para alguns estudiosos parece ser uma
consequência da baixa escolarização da população.
Quando
analisamos os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017 os indicadores revelam que 60% dos
estudantes do 9° ano do Ensino Fundamental e 70 % do 3° ano do Ensino Médio tem
aprendizado insuficiente em português, segundo os critérios estabelecidos pelo
Ministério da Educação (MEC). Isso significa que ao longo dos anos esses
estudantes não aprenderam o suficiente e necessitam de políticas públicas de
intervenção pedagógica com urgência em várias competências. A palavra que não
pode faltar é Política, e Politicas Públicas diretamente ligadas a solução do problema.
Isso significa dizer: investimento, dinheiro, recursos. O resultado de tanto
abandono e negligência são e estão expostos no alto índice de desempregados, milhares
de cidadãos excluídos, violência, e mazelas na saúde e segurança. Pergunto, se chegamos à
revolução industrial com cem anos de atraso, para chegarmos a atual sociedade do conhecimento e das novidades tecnológicas serão QUANTOS séculos de atraso?
Enquanto
não entenderem E NÃO ESCLARECERMOS que educação é prioridade e que requer investimentos, continuaremos
sem grandes avanços. Essa crise é planejada, é visível e se perpetua. Dizem que
os números não metem, e nesse caso revelam os fracassos. Esses números, por outro lado, também podem
nos indicar onde devemos investir nossas riquezas para superar os problemas da
educação.
Será
que os dados existentes , os variados estudos, e os relatos da realidade não ajudam a planejar
melhorias? A quem interessa esse fracasso? Pagamos valores exorbitantes em impostos
e esses valores não são aplicados em Educação de Qualidade e Valorização dos
Professores. Se ainda temos dúvidas de
que a crise na educação é planejada? Parece óbvia a resposta.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
FELIZ DIA DO PROFESSOR
Dia da professora e do professor...
Por Marli Dias Ribeiro
Rebeldia de ser
Se em cada estudante que fizer parte de nossa jornada
pudermos transcender conhecimentos, bondade e
esperança, seremos educadores de almas.
Ah, é sonho de cada professor ser infinito...
Ah, é sonho de cada professor ser infinito...
Para assim, seu dia do professor ser lembrado todos os dias.
Mas é alegria saber que se amor fizer parte da prática educativa, do desafio e da tarefa, prevalecerá a vida, o gesto, e seremos...mais que uma fugaz lembrança.
Seremos sempre vida que rompe barreiras.
Pois ser educador foi, é, e sempre será,
A rebeldia de quem acredita na capacidade de caminhar rumo ao melhor que outro pode oferecer.
Rebeldia de ser quem ensina e aprende
Rebeldia de ser quem transforma vidas.
Rebeldia de ser educador...
Pois ser educador foi, é, e sempre será,
A rebeldia de quem acredita na capacidade de caminhar rumo ao melhor que outro pode oferecer.
Rebeldia de ser quem ensina e aprende
Rebeldia de ser quem transforma vidas.
Rebeldia de ser educador...
Parabéns aos mestres do Brasil.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
PORQUE PRECISAMOS REFLETIR O IDEB NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS
PORQUE PRECISAMOS REFLETIR O IDEB NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS
Por Marli Dias Ribeiro
A disponibilidade de um sistema amplo de indicadores sociais relevantes, válidos e confiáveis certamente potencializa as chances de sucesso do processo de formulação e implementação de políticas públicas. Os indicadores, em tese, permitem diagnósticos sociais, monitoramento de ações e avaliações de resultados mais abrangentes e tecnicamente mais bem respaldados.
A leitura de um indicador deve sempre ser uma reflexão crítica desvinculada de uma ação pontual, focada apenas no número ou percentual evidenciado. Deve ser clara a ideia de que o indicador é um recurso metodológico para auxiliar a interpretação da realidade de uma forma sintética e operacional, porém, não traduz toda a complexidade da realidade investigada completamente, mas pode contribuir para compreender variados contextos.
O indicador é comumente utilizado para o diagnóstico de determinada condição (ambiental, econômica, social, educacional, etc.), para o monitoramento, planejamento, avaliação de políticas públicas e para a pesquisa de um modo geral. Indicadores sociais visam traduzir, de forma objetiva, as características e transformações que ocorrem em uma dada realidade. Indicadores educacionais, por sua vez, cumprem a função de produzir informações sobre a situação escolar da sociedade.
Nesse contexto, O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) como indicador social busca conferir um aspecto objetivo e sumário para realidades complexas e para as quais não se possui apenas uma variável explicativa. É importante ter em conta que todo indicador carrega em si uma concepção e uma visão parcial do fenômeno que se propõe a analisar, (JANNUZI, 2001). Apenas medir não traduz o uso de indicadores.
Que pesem as críticas que cercam esse índice , o IDEB é mais um instrumento em prol da redes de ensino, da escola, e ainda, mais uma ferramenta para a avaliação, ele é um ponto de partida, de apoio, um elemento a mais para repensar e planejar a ação pedagógica, a gestão educacional e as Políticas Públicas.
Nesse sentido, o IDEB, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), constitui exemplo de uma medida que busca agregar realidades complexas e expressá-las de modo direto e resumido. Ele procura reunir, em um único número, dois conceitos relacionados à qualidade da educação: médias de desempenho em testes educacionais padronizados e o fluxo escolar dos estudantes,[1] (INEP, 2015).
De fato, compreender o sentido do uso desse indicador e utilizá-lo pra construir estratégias que estejam orientadas para a qualidade da escola e aprendizagem dos estudantes deve ser a principal orientação para que a gestão e a própria comunidade escolar tenham um parâmetro.
Esse indicador é uma forma razoavelmente simples de diagnosticar a situação atual e de projetar metas, além de acompanhar o crescimento da escola ao longo do tempo. Cabe lembrar que nenhum resultado deva ser usado isoladamente mas inserido no contexto sobre o qual foi estudado.
Por fim, romper com a ideia de que os indicadores são apenas instrumentos métricos e colocá-los a serviço da comunidade escolar é um desafio que precisamos enfrentar. De fato, mais que um retrato parcial de uma realidade complexa, seus resultados devem nos levar a questionar onde, em que aspectos, e em quais situações podemos atuar a fim de construir ações capazes de avançar os pontos frágeis da educação que ofertamos.
Referências:
1- INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Plano Nacional
de Educação PNE 2014-2024: Linha de Base. Brasília, DF: Inep, 2015. 404 p. Disponível em:
http://www.publicacoes.inep.gov.br/portal/download/1362.
JANNUZZI, P. M. Revista Brasileira de Administração pública: Indicadores sociais no Brasil. Campinas, n. 72, jan/fev 2002.
Para calcular o IDEB são considerados dois fatores:
1. Taxa de rendimento escolar, que na prática, se traduz nos índices de aprovação e evasão obtidos pelo Censo Escolar. É uma medida do fluxo dos alunos.
2. Médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Inep, como a Prova Brasil (para Idebs de escolas e municípios) e do Saeb (no caso dos Idebs dos estados e nacional).
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Política é assunto para professora e professor
Política é assunto para professora e professor …
Por Marli
Dias Ribeiro
Talvez você já deve ter ouvido a
palavra politéia inúmeras vezes nesse ano de eleição. Essa tal de politéia
usada pelos gregos atualmente está na roda de conversa, no rádio, TV, nas redes
sociais, nos memes, piadas diversas, e
claro, deve estar na escola. Em nosso português é a famosa política! E política,
você gostando ou não, está relacionada à vida em sociedade, às relações de poder (lembra da obra “ A Política” de Aristóteles?) ,nas
escolhas de grupos, na expressão de opiniões, nas diferenças e conflitos , e nas ações
de cada sujeito no mundo social, inclusive, nas relações estabelecidas dentro e fora da escola.
E na escola? Nela falamos em Projeto Político Pedagógico.
A política está presente em nossas
ações educativas e praticamente tudo que acontece nas escolas são frutos
diretos de ações e omissões de políticas implementadas. Já parou para pensar
nisso? Num dos clássicos da literatura, O Príncipe, de Maquiavel, fica clara a
luta travada pelo poder, pela manutenção do poder no Estado, o que incluí que os
fins nem sempre justificam os meios, e a política parece estabelecer esse entrelaçamento cínico.
A Educação Pública muitas vezes fica refém de combinados políticos, arranjos, escolhas que estão fora dos interesses dos estudantes, professores, escolas e baseados em acordos distantes dos interesses da comunidade.
Mas
escola, enquanto espaço social, tem suas ações apoiadas em escolhas, em lutas, reflexões. Nessa lógica, no âmbito da educação, a
Política Pública é afunilada para o que chamamos de Política Educacional e que pertence
ao grupo de Políticas Públicas Sociais. Se a escola e sua comunidade busca conquistas e uma educação de qualidade a
política é o instrumento de implementação
dos movimentos e referenciais educacionais.
Ela
se faz presente através da Legislação Educacional e, só para lembrar, quem escreve a lei, é escolhido por nós, pelo
voto, por nossas opções políticas. Assim, eu professora, e toda comunidade temos
que pensar em política, e pensar muito bem.
Quando caminhamos rumo à escola esse embate também existe, seja nas
relações professor-aluno, direção-professor, escola-comunidade e outras. O tipo
de merenda que chega na escola, a contração e formação de professores, a
construção de escolas, as verbas que chegam ou não, o tipo ou modelo de gestão
escolar, o currículo, o livro didático, etc, etc, etc… por isso política é
assunto de professor, de aluno, de servidor, de todos.
Por fim, se você educador não conhece,
não debate, não opina, se sua escola ainda não parou para refletir sobre isso,
alguém certamente estará fazendo as escolhas por vocês.
Enfim, o pior é que, nem
sempre a escolha do outro, é a favor da escola pública, democrática e de
qualidade que nossos alunos e que nossa comunidade tanto sonha, necessita e merece. QUEM VALORIZA A EDUCAÇÃO ACREDITA NO FUTURO.
FICA
A DICA: Fonte de implementação da educação nacional e das
políticas em educação a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional (LDB), suas
alterações dependem da Câmara Federal, Senado e Governo. Além disso
diversas Políticas Educacionais locais são elaboradas pelos Governos do Estado e do Distrito Federal.
domingo, 12 de agosto de 2018
QUANDO O ALUNO SUPERA O MESTRE É O DIA DO ESTUDANTE
QUANDO
O ALUNO SUPERA O MESTRE
É
O DIA DO ESTUDANTE
Por Marli Dias Ribeiro
Mas
que uma data em si, o estudante, seu dia, deveria ser festa de todo dia. De
toda aula. Numa jornada de superação ao mestre, onde mais que um estudante,
muitos, milhares pudessem comemorar. A data não surgiu em um grande baile de
gala. O dia do estudante teria surgido 100 anos depois da criação do curso de
direto e ainda, em comemoração aos dois primeiros cursos de ciências sociais e
ciências jurídicas que surgiram aqui no Brasil, através de D. Pedro I, em 11 de
agosto de 1827.
Celso Gand Ley idealizou fazer o dia 11
de agosto uma data comemorativa para homenagear todos os estudantes e é também
o dia do advogado. Mas apesar dos grandes desafios que envolvem a vida do
estudante brasileiro temos que incentivar, aplaudir e comemorar aqueles
estudantes que fazem parte de nossa jornada e nos orgulham ao evidenciar de
forma concreta nossa utopia educativa.
ASSIM,
PEDI PERMISSÃO A UM AMIGO, EX ALUNO E HOJE EDUCADOR PARA COMPARTILHAR EM NOSSO
BLOG O QUE PARA MIM, EXPRESSA A MÁXIMA DE QUANDO O ALUNO SUPERA O MESTRE, E ENTÃO
FALAR DE COMO PENSO EM UM VERDADEIRO DIA DO ESTUDANTE.
O
DIA EM QUE O ALUNO ATRAVESSA O SISTEMA COM SUAS PALAVRAS, AÇÕES E SONHOS...
Relato de um
educador que não sobreviveu ao sistema
Fazia
um tempo, dois anos mais precisamente, que eu andava batendo de frente comigo
mesmo. Uma luta diária para resistir. Para ensinar com amor. Fazia um tempo que
não era mais possível. Um dia ouvi de um colega, que ele estava em sala para
ministrar um conteúdo, e que não tinha obrigação com a vida dos seus alunos.
Sabe o que me doeu? Perceber que ele estava certo. Ele age conforme um sistema,
e quem sou eu para inventar a roda? Logo eu, que já levei pra minha casa
alunx expulsx de casa pelo pai, logo eu que em vários momentos desisti do
conteúdo para dar afeto aos adolescentes que passam por conflitos, por dores,
por descobertas, por carência afetiva. Esses meninos só precisam ser ouvidos.
Mas o sistema venceu de novo! Fico constrangido ao ouvir o índice de
recuperação dos alunos, e saber que a culpa não é deles. Mas nossa! O que é
feito de diferente para instigar, motivar, impactar, transformar? Olha aí o
sistema me vencendo de novo. Logo eu, que acho nota a maior bobagem já
inventada, logo eu que já vi muito aluno foda tirando 0,0 nas minhas provas,
logo eu que já vi muito aluno nota 10 sendo subordinado ao nota 5. Aluno não
precisa de nota, precisa de afeto e estímulo. Mas isso sou eu quem acho, o
sistema não, o sistema adora comparar os alunos, apontar o dedo na cara deles e
dizer: “VOCÊ É MELHOR, tirou nota máxima, JÁ VOCÊ... Você deve ser como o fulano!
” Que absurdo, não é mesmo?
E de tudo, o que mais me dói é perceber que o sistema quer nos acomodar. Paga nosso salário, dita o conteúdo, e a gente vira uma máquina que reproduz o tempo inteiro a mesma coisa. Para que pensar atividades diferentes, para que elaborar provas, trabalhos, estudos diferentes se o conteúdo é o mesmo? PELO SIMPLES FATO DOS SEUS ALUNOS SEREM DIFERENTES, C##%! O seu aluno de três anos atrás não é o mesmo de hoje! Mas isso quem pensa sou eu. O sistema venceu de novo! Aí a gente fica nessa, recebe um salário, finge que ensina, o aluno finge que aprende, e o sistema segue firme e funcional. Para quem? Decidi ser justo. Desisti!
Acho que estou doente, com uma ansiedade incontrolável e com o pensamento acelerado. Preciso descansar. Preciso voltar ao primeiro amor. Por enquanto desejo sucesso aos meus ex alunos, e esse sucesso só depende de vocês. Numa entrevista de emprego ninguém pede seu boletim para conferir suas notas. O que conta é quem você é! Seja gigante!
E de tudo, o que mais me dói é perceber que o sistema quer nos acomodar. Paga nosso salário, dita o conteúdo, e a gente vira uma máquina que reproduz o tempo inteiro a mesma coisa. Para que pensar atividades diferentes, para que elaborar provas, trabalhos, estudos diferentes se o conteúdo é o mesmo? PELO SIMPLES FATO DOS SEUS ALUNOS SEREM DIFERENTES, C##%! O seu aluno de três anos atrás não é o mesmo de hoje! Mas isso quem pensa sou eu. O sistema venceu de novo! Aí a gente fica nessa, recebe um salário, finge que ensina, o aluno finge que aprende, e o sistema segue firme e funcional. Para quem? Decidi ser justo. Desisti!
Acho que estou doente, com uma ansiedade incontrolável e com o pensamento acelerado. Preciso descansar. Preciso voltar ao primeiro amor. Por enquanto desejo sucesso aos meus ex alunos, e esse sucesso só depende de vocês. Numa entrevista de emprego ninguém pede seu boletim para conferir suas notas. O que conta é quem você é! Seja gigante!
Só
para constar, no terceiro ano do ensino médio eu tirei 0,25 na MÉDIA FINAL em
matemática. E hoje, NENHUM colega nota 10 é melhor que eu. Até porque ser
melhor é uma questão de perspectiva.
Júnior
Ribeiro é residente em Planaltina-DF, tem 25 anos é ator, produtor cultural,
diretor de teatro e professor de arte. Formado pela Faculdade de Artes Dulcina
de Moraes.
AGORA
POSSO COMEMORAR, AGORA SIM, VIVA O DIA DOS ESTUDANTES...
terça-feira, 31 de julho de 2018
EDUCAR PARA O DIÁLOGO EM TEMPOS DE CRISE
- A DEMOCRACIA PEDE SOCORRO, POR ISSO, É PRECISO EDUCAR PARA O DIÁLOGO EM TEMPOS DE CRISE
Por Marli Dias Ribeiro
A escola
é o lugar do encontro, para o encontro, e por esse motivo o diálogo deveria ser
uma ação natural e respaldada na nossa condição de ser social. O contato, a
presença e a diversidade do ambiente educativo deveria possibilitar a
singularidade de estar com o outro e universalizar o cuidado de falar e ouvir, e
certamente dialogar.
Encontrar
o outro sujeito na escola e fazer desse encontro um momento significativo, um
movimento de compreender, de se comprometer com a voz do outro, sua subjetividade é urgente. Isso integra um fazer dialogado para a educação humana, que vai além do conteúdo. Uma educação com “E”
maiúsculo, Educação, que integra o saber e o ser. Essa construção deve ser o fundamento
da sala de aula, da gestão, das relações entre alunos e professores, do
encontro com a comunidade.
Existiria
ação educativa sem diálogo? Existiria democracia sem a voz do outro? A
conectividade traz sentido à ação dos educadores. Transcende o movimento de passar
conhecimento pois, quem encontra o aluno e interage com ele propõe sentido à sua
presença na escola.
O
desafio de fazer, de saber e de ser educador para o diálogo é evidente. Vivemos
um presente cercado de egoísmo, de fluidez e velocidade. Ser tempo presente
para o nosso aluno parece ser o grande desafio. Estamos perdendo a noção de
estarmos completos em casa, na escola, na sala de aula e no diálogo. Sem essa
inteireza educar para dialogar torna-se impossível.
Então
é preciso ser presente, estar presente, e fazer-se presente para construir um
percurso educativo fundamentado na condição humana da fala e da escuta. Sejamos
alertas ao imperativo de entender o diálogo como condição essencial ao ato de
educar e transformar a educação e nossas comunidades.
Estar
próximo do aluno e da sua realidade movimenta a educação e faz dela uma
construção de ideias, sem a participação e a fala do outro, isso parece ser
impossível.
Em
Paulo Freire refletimos que … deveríamos entender o “diálogo” não como uma
técnica apenas que podemos usar para conseguir obter alguns resultados. Também
não podemos, não devemos entender o diálogo como uma tática que usamos para
fazer dos alunos nossos amigos. Isto faria do diálogo uma técnica para a
manipulação, em vez de iluminação. Ao contrário, o diálogo deve ser entendido
como algo que faz parte da própria natureza histórica dos seres humanos. É
parte de nosso progresso histórico do caminho para nos tornarmos seres humanos.
Está claro este pensamento? Isto é, o diálogo é uma espécie de postura
necessária, na medida em que os seres humanos se transformam cada vez mais em
seres criticamente comunicativos. O diálogo é o momento em que os humanos se
encontram para refletir sobre sua realidade.
Esse é o convite principal em tempos de crises sociais, políticas e educativas. Dialogar. Que a partir de nossa ação e envolvimento possamos aceitar o desafio, e a ousadia de
educar para um futuro mais ético, e que ele passe pelo diálogo.
Trecho
do livro Medo e Ousadia – O Cotidiano do Professor / Ira Shor, Paulo
Freire; tradução de Adriana Lopez. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. (Coleção
educação e Comunicação, v. 18)
sexta-feira, 15 de junho de 2018
SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL: Sintomas crônicos da Educação Brasileira
SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL:
Sintomas crônicos da Educação Brasileira
Por Marli Dias Ribeiro
Os
dados da educação brasileira revelam como exames clínicos uma patologia crônica que
afeta a educação de todo país. Resultados do censo escolar, inclusive os de
2017, e os anteriores dos últimos 10 anos, indicam uma taxa altíssima de evasão
e abandono, entretanto, apesar do diagnóstico da doença crônica conhecida por SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL, praticamente
nenhuma atitude é efetivamente tomada.
Esse mal é contagioso e atinge principalmente as redes municipais de ensino da Educação Básica e até algumas capitais. A baixa qualidade, a desvalorização do professor e de sua formação, a infraestrutura escolar precária são os sintomas mais evidentes.
Esse mal é contagioso e atinge principalmente as redes municipais de ensino da Educação Básica e até algumas capitais. A baixa qualidade, a desvalorização do professor e de sua formação, a infraestrutura escolar precária são os sintomas mais evidentes.
Os males dessa síndrome são variados. Aparecem no espaço escolar, sobretudo na sua
infraestrutura onde as escolas continuam na idade da pedra. Em pleno século XXI
apenas 41,6% possuem rede de esgoto. Situação agravada no Acre, Amazonas e
Roraima. Ainda temos escolas que jogam o
esgoto nos rios, escolas que usam poço ou cisterna, e a incrível marca de 10%
das instituições que não possuem energia nem rede de esgoto. Computadores com
internet nas escolas ainda continuam nas nuvens. A inacreditável marca de que 65,5%
das escolas de Ensino Fundamental não possui conexão com a internet, nem Banda
larga, nem internet rural, e muitas nem telefone. Os sintomas são gravíssimos
em muitas escolas rurais.
A
formação precária e a desvalorização dos profissionais da educação intensificam o quadro da
síndrome tornando os demais sintomas ainda mais graves. Muitos dos professores
recebem salários insuficientes para sua subsistência e não possuem condições de
atualizarem-se. A questão cultural aumenta a desvalorização se compararmos os
ganhos de outros profissionais com nível superior com salários muito melhores. Falta compromisso do Estado com a carreira magistério.
A cura
definitiva da SÍNDROME DO DESCASO EDUCACIONAL
já foi descoberta em vários países. Como exemplo podemos citar a Finlândia.
Nesse pais o salário do professor é digno e gira em torno de 3 mil euros. Todos os
professores possuem mestrado, os processos de seleção são rigorosos e existe um
período de pré-contratação. Todos os alunos com dificuldades têm atendimento
diferenciado e são acompanhados com reforço. Estudam mais de 6 horas por dia.
A educação pública da Finlândia recebe altos investimentos, é estimulada e valorizada. O país é o quinto melhor em inovação tecnológica do mundo. A cura começou com a reforma educacional em 1968 e hoje ocupa o topo das avaliações internacionais, inclusive o PISA ( Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).
A educação pública da Finlândia recebe altos investimentos, é estimulada e valorizada. O país é o quinto melhor em inovação tecnológica do mundo. A cura começou com a reforma educacional em 1968 e hoje ocupa o topo das avaliações internacionais, inclusive o PISA ( Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).
A
transformação para esse conjunto de sintomas podem nos ajudar a iniciar uma
educação que esteja de fato inserida nas competências do século XXI. Se vacinas de consciência política, com seus devidos reforços não FOREM distribuídas e aplicadas em todo país do futebol; se o uso contínuo de voto
certo e gestão democrática não se fizerem presentes no Brasil da copa do mundo, continuaremos doentes, muito doentes, e não será apenas dos pés, que amam a bola, mas de uma síndrome curável que se chama
DESCASO EDUCACIONAL.
Assinar:
Postagens (Atom)
Conhecer do cérebro pode favorecer as tomadas de decisão na educação
Conhecer do cérebro pode favorecer as tomadas de decisão na educação Por Marli Dias Ribeiro Vamos falar de Educação e Neurociência? ...
LEIAM TAMBÉM...
-
EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE COVID 19: Desafios e reflexões Por Marli Dias Ribeiro Grandes calamidades, guerras, momen...
-
Ethos, a ética perdida é encontrada na escola Sem competência ética hoje, não haverá profissional ético amanhã. Precisamos começar. ...
-
A DEMOCRACIA PEDE SOCORRO, POR ISSO, É PRECISO EDUCAR PARA O DIÁLOGO EM TEMPOS DE CRISE Por Marli Dias Ribeiro A escola...
-
Projetos pedagógicos, você já participou? Por Marli Dias Ribeiro Muitos perguntam porque os projetos pedagógicos são utili...
-
DIÁLOGO: UM PROCESSO EDUCATIVO Dica de leitura Por Marli Dias Ribeiro Ninguém sabe tudo sobre qualquer coisa, por isso ...
-
INTERVENÇÃO, SÓ SE FOR NA EDUCAÇÃO! Por Marli Dias Ribeiro Muitos concordam que a segurança pública no Brasil passa po...
-
PORQUE PRECISAMOS REFLETIR O IDEB NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS Por Marli Dias Ribeiro A disponibilid...
-
Política é assunto para professora e professor … Por Marli Dias Ribeiro Talvez você já deve ter ouvido ...
-
UMA POESIA, UM PRESENTE PARA AS EDUCADORAS Tive a oportunidade de conhecer a escritora Lorena Nery Borges no evento Literatur...













