sábado, 18 de julho de 2020

FOTOGRAFIAS E VÍDEOS NA EDUCAÇÃO REMOTA: Informações e dicas imperdíveis


FOTOGRAFIAS E VÍDEOS NA EDUCAÇÃO REMOTA

Informações e dicas imperdíveis

Marli Dias Ribeiro



Imagem: arquivo pessoal gravação de tele aula TV Justiça


Diante do cenário em que educadores e estudantes estão reorganizando seus tempos, ritmos e modos de aprender, tendo em vista o distanciamento social imposto pela COVID 19, falar sobre mídias na aprendizagem, imagens ( fotografias),  vídeos, pode contribuir para o momento atual de educação remota. 

De modo geral, estamos mergulhados em espaços midiáticos. Dados do site Business insider, em 2013, todos os dias são publicadas mais de  350 milhões de fotos na rede social Facebook. Os Pesquisadores  Jenkins apud Knobel e Lankshear (2010) indicam que : Os educandos fazerem vídeos, em vez de relatórios escritos, pode mudar os mecanismos de aprendizagem, mas não vai alterar a relação hierárquica e pré-estruturada entre professores e educandos ( CENPEC). Essa mudança está vinculada ao modo como os educadores mediam as prática pedagógicas. 

Ferramentas tecnológicas podem ser úteis, se baseadas em práticas dialogadas, participativas, e democráticas. A aprendizagem é um processo que envolve diferentes mecanismos mentais e pode ser motivada por  imagens, com fotografias, vídeos, se usados para    engajar  de forma participativa a comunidade.

Não é de hoje que as fotografias são usadas na educação. O grande educador Paulo Freire, já utilizava imagens ou fotos da própria comunidade, para estimular e promover de forma participativa as interações em suas aulas. A partir de fotos tiradas pelos alunos ele abria espaços de diálogo e de crítica a realidade local. Cada foto da família, da casa do cotidiano, era tema gerador de longos debates. A exemplo, em 1973, em Lima, no Peru, Paulo Freire (e seus colegas) fazia perguntas em espanhol às pessoas. As respostas eram compartilhadas por meio de fotografias. E quem nos dias de hoje nunca fez uma Self ?

Por outro lado, Merchant (2010) apud CENPEC, sugere cinco áreas em que o processo, o uso e compartilhamento de fotos digitais desempenha um papel distinto na aprendizagem.

  • APRENDER POR MEIO DA VISÃO

Vislumbrar e apreciar imagens, quadros, fotografias estimulando a percepção das formas, cores, linhas, traços, tamanhos, tipos. Fazer comparações, descrever, interpretar, dizer o que sente. São infinitas possibilidades a partir do olhar que cada sujeito pode dar a imagem.

  • APRENDER POR MEIO DA REFLEXÃO

O aprendizado por meio da reflexão enfatiza os conteúdos do que é fotografado, isso indica usar as imagens para estimular reflexões. Por exemplo, há projetos pedagógicos que pedem às crianças que pensem sobre a poluição tirando fotos de rios em áreas urbanas. Essas imagens incentivam a pesquisa e o conhecimento das formas de poluição e suas implicações para a vida do rio. As imagens postadas na internet podem ser comentadas pelos educandos, levando a discussões sobre os possíveis resultados de cada poluente ou formas de eliminá-los, por exemplo.

  • APRENDER SOBRE A IMAGEM

A ideia de aprender sobre a imagem é realizar as articulações interdisciplinares. Explorar a linguagem fotográfica, por meio de análises e produções dos educandos. Usar vários conteúdos e relacionar outras áreas do saber. Classificar por temas, conteúdos, lugares, linguagens. Instigar a criação de relações entre as figuras em contextos diferenciados. Exemplo: Imagem de diferentes tipos de vegetação e animais que podem fazer parte destes habitats.

  • APRENDER SOBRE AS MULTIMODALIDADES

Aprender sobre a multimodalidade remete ao estudo de como diferentes formas comunicativas produzem sentido em conjunto. Usa formar variadas de textos e imagens como de anúncios publicitários com fotos, podem evidenciar esse ponto, ajudando a desenvolver um olhar mais crítico sobre a mídia. Relacionar fotos e vídeos sobre temas comuns e suas interpretações.

  • APRENDER POR MEIO DA INTERNET

Aprender sobre a Web e os sites de compartilhamento, discutindo entre si e com o educador aspectos que envolvem essa prática, como a questão da privacidade, ou a utilização de licenças para as imagens, perigos da rede  e outras questões relacionadas reforçam as aprendizagens. A WEB é uma janela ampla de informações que se bem utilizadas intensificam formas variadas de comunicação. 

                Enfim, que essas dicas possam contribuir para  estimular e enriquecer a participação de nossos estudantes usando imagens das mais variadas fontes, de forma ética e construtiva,  e claro, promover a reflexão, a crítica nos tempos em que vivemos. 

                          Bom trabalho a todos, e cuidem-se.

Fonte: CENPEC- Curso : Comunicação digital-  https://www.cenpec.org.br/cursos









domingo, 24 de maio de 2020

A TECNOLOGIA E A EDUCAÇÃO: precisamos refletir a complexidade humana!




 A TECNOLOGIA E A EDUCAÇÃO: precisamos refletir a complexidade humana em tempos de COVID 19!

Marli Dias Ribeiro 




 Pensar em tecnologia, segundo Morin (2003), passa por atentar-se ao fato de que com a tecnologia, precisamos refletir sobre os modos de manipulação novos e muito sutis, pelos quais, a manipulação exercida sobre as coisas implica a subjugação dos homens pelas técnicas de manipulação (...) o homem é manipulado pela máquina e para ela (MORIN, 2010, p, 109). Isolar o homem à questão tecnológica é limitá-lo, educar apenas a partir de tecnologia é limitar o estudante, pois, segundo o autor, a tecnologização é um processo limitado e limitante, que pode inibir situações de mudanças e criações, processos importantes e necessários em toda sociedade, e na escola.
Esse paradoxo deve nos levar a ponderar que:  “A ciência começa e termina com problemas, e seu método consiste na escolha de problemas interessantes e na crítica de nossas permanentes tentativas experimentais e provisórias de solucioná-los (Popper).
Morin (2003) mostra em seus escritos que a técnica que é produzida pelas ciências transforma a sociedade, e a sociedade tecnologizada, retroativamente, transforma a ciência. Esse movimento, esse processo, inter-retroativo perpassa a ciência, o Estado e atravessa as relações na sociedade, e certamente, nossas escolas.
Nesse circuito, o Estado desempenha um papel ativo, de acordo com seus interesses econômicos, promove programas, e subvenções. Assim, a instituição científica suporta as coações tecnoburocráticas estatais, de grandes aparelhos econômicos, mas estes órgãos, não são guiados pelo espírito científico, eles apenas utilizam os poderes que a investigação científica lhes dá, e muitas vezes, sem uma crítica real da conjuntura social (MORIN, 2003).
O papel da ciência e as questões éticas que envolvem o conhecimento científico e sua regulação, reforçam questionamentos inerentes a vida em sociedade e as articulações que chegam nos espaços educativos. Se a sociedade está tecnologizada, mergulhada em máquinas, espaços virtuais, redes, se essa estrutura sofrer um colapso, entraremos em colapso automaticamente? A vida hoje é dependente ou aliada da questão tecnológica? Sobreviremos? Nos reinventaremos?
 Morin (2003) reverbera sobre o grande desafio do ponto de vista do conhecimento, do aprender, do ensinar, sobre a importância de isolarmos a noção de tecnologia e suas relações com a sociedade, com a técnica, com o Estado, e esquecemos das consequências desse processo. Sem a crítica, sem reflexão, estamos fadados à cegueira. Parece pertinente observar que:

A ciência, segundo Morin (2003, p.53), “[...] tem quatro pernas independentes entre si: empirismo e racionalismo, imaginação e verificação”. O progresso da ciência ocorreu em função da dialógica complexa permanente, complementar e antagonista entre suas quatro pernas. Morin diz que “no dia em que andar sobre duas pernas, ou tiver uma perna só, a ciência desabará (Ibid., p.190).

Desta forma, o grande dilema, aplica-se ao fato de que podemos estar usando a tecnologia em todos os nossos esquemas de trabalho, de vida social, de concepção de homem, adotando um o predomínio técnico na formação do cidadão, entretanto, não seguimos enquanto pessoas, a lógica matemática de máquinas artificiais, não somos programados linearmente. Somos seres complexos, ecológicos, espirituais, integrados.  
A complexidade, a desordem, os conflitos e os processos humanos não são compreendidos na singularidade de códigos digitais. Ressalta-se a necessidade de se repensar os contextos entre tecnologia e sociedade, nos questionarmos sobre o conhecimento e suas relações tecnológicas, a caminhar com cuidado e ética na análise epistêmica sobre os rumos de uma sociedade tecnologizada. Como explica Morin (2003), talvez já possamos, ou não tenhamos, condições de separar o conceito tecnologia do conceito de  ciência.
Por fim, não somos binários, numericamente programados, em zeros e uns. Somos humanamente, gente! Somos capazes:  “ de lutar com palavras, em vez de lutar com armas, isso,  se constitui o fundamento da nossa civilização (Karl Popper).

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez, 2003.





sábado, 11 de abril de 2020

OS DESAFIOS NA EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE COVID 19





 EDUCAÇÃO
EM TEMPOS DE COVID 19: Desafios e reflexões 



Por Marli Dias Ribeiro




Grandes calamidades, guerras, momentos de caos são situações de impacto, mas que podem promover grandes reflexões. Nunca a educação se viu nesses mais de 500 anos, tão desafiada a dar repostas rápidas! Em educação ouvimos que tudo leva muito tempo...O problema é que agora não temos esse longo tempo.

Se por um lado, as redes privadas de ensino, as universidades conseguem alcançar mais de 90% de seus estudantes, as redes públicas, que atendem mais de 80% das crianças e jovens, ainda não tem tecnologia acessível em metade das escolas de ensino fundamental do país. Apenas 46,8% das escolas de ensino fundamental dispõem de laboratório de informática; 65,6% das escolas têm acesso à internet; em apenas 53,5% das escolas a internet é por banda larga (Censo Escolar 2017-MEC).
As estruturas de ensino a distância que usamos hoje, não chegam com efetividade pedagógica na educação infantil e no ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, pois os estudantes podem não possuir autonomia para realizarem as atividades sozinhos, e necessitam de acompanhamento, tutoria ou ajuda da família.
Ainda, a Educação Básica brasileira, no que tange ao Ensino Fundamental, não prevê a modalidade de Educação a Distância. Nenhuma legislação, tais quais a Constituição Federal de 1988; a Lei Nº 9.394 de 1996 – Lei das Diretrizes e Bases; Plano Nacional de Educação – PNE, as Diretrizes Pedagógicas da Educação à Distância cujo Decreto N. º 2.494, de 10 de fevereiro de 1988 regulamentam a adoção para crianças e jovens da EAD. Um paradoxo da rede pública que não acompanha a sociedade do conhecimento e da tecnologia, nem mesmo nas legislações. A nova BNCC, traz algum avanço, mas a materialização ainda está a passos vagarosos.
Atender com qualidade nossos estudantes não se restringe, simplesmente, a ampliar o contexto de educação a distância. O fato é que essa crise deve nos ensinar a criar e organizar novas condições de aprendizagem, alfabetizar nossas crianças, investir em condições de infraestrutura nas escolas, ao menos, como ação preventiva para calamidades futuras!
O Coronavírus está nos mostrando, que em educação, não existem invenções mirabolantes. Não resolverá encher as caixas de e-mails dos pais, enviar listas de atividades desregradas. Cultura de acompanhamento pedagógico, famílias e estudantes leitores, não aparecem em um passe de mágica, mas dependem de políticas públicas e investimentos em educação a longo prazo.

Talvez, essa complexa realidade, nos ensine que a escola é importante, o professor é importante. Que a escola, é casa,é aconchego, é sobrevivência para muitos. Que a educação ultrapassa os muros da escola, que educadores bem formados, são essenciais para o país, que cada educador todos os dias, atende todas as vulnerabilidades sociais, os jovens e as crianças invisíveis da virologia da exclusão social. Por fim, educação é vida, a escola é vida, ela é mais que listas de tarefas, e de plataformas. Esperamos novos aprendizados para enfrentarmos essa trajetória sem reforçar as grandes desigualdades de nosso país. Que a nova pandemia seja a da educação e que não nos falte muita coragem.


domingo, 15 de março de 2020

INDICADORES NA EDUCAÇÃO ASPECTOS IMPORTANTES A SABER


INDICADORES NA EDUCAÇÃO
ALGUNS ASPECTOS IMPORTANTES A SABER


Os indicadores educacionais atribuem valor estatístico à qualidade do ensino, atendo-se não somente ao desempenho dos alunos, mas também ao contexto econômico e social em que as escolas estão inseridas. Eles são úteis principalmente para o monitoramento dos sistemas educacionais, considerando o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os alunos. Dessa forma, contribuem para a criação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade da educação e dos serviços oferecidos à sociedade pela escola ( MEC/INEP)


            O uso de indicadores é assunto pouco debatido entre educadores . Entretanto, ele é uma constante no planejamento de políticas públicas para a educação. Seu conceito envolve bases importantes para as decisões que afetam o cotidiano escolar, sendo relevante conhecer os aspectos principais  sobre o seu uso, as suas finalidades, e que eles  podem  para facilitar as ações de acompanhamento de projetos, programas, e  tomadas de decisões na educação. 

     O indicador mais conhecido na área educacional é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- IDEB. O IDEB  ao longo de dez anos tem se consolidado como base no planejamento educacional.  Mas o que dizem os especialistas sobre um indicador?  Segundo Ferreira, Cassiolato e Gonzales (2009),


O indicador é uma medida, de ordem quantitativa ou qualitativa, dotada de significado particular e utilizada para organizar e captar as informações relevantes dos elementos que compõem o objeto da observação. É um recurso metodológico que informa empiricamente sobre a evolução do aspecto/fato, observado (Ferreira, Cassiolato e Gonzales , 2009).


         Para Rua (2004), indicadores são medidas que expressam ou quantificam um insumo, um resultado, uma característica ou o desempenho de um processo, serviço, produto ou organização. Magalhães (2004)  define indicadores  como  abstrações ou parâmetros representativos, concisos, fáceis de interpretar e de serem obtidos, usados para ilustrar as características principais de determinado objeto de análise. Esses autores corrobam com o fato de que os indicadores auxiliam de forma objetiva a evolução de um fato ou objeto de análise.

         Por outro lado, para Rua (2004), Jannuzzi (2005) e Ferreira, Cassiolato e Gonzalez (2009), apontam que existem propriedades dos indicadores ditas essenciais, ou seja, aquelas que qualquer indicador deve apresentar e devem ser consideradas como critérios de escolha, independente da fase do ciclo de gestão em que se encontra a política sob análise (Planejamento, Execução, Avaliação etc.). Essas propriedades são:

Utilidade: Deve suportar decisões, sejam no nível operacional, tático ou estratégico. Os indicadores devem, portanto, basear-se nas necessidades dos decisores;
Validade: capacidade de representar, com a maior proximidade possível, a realidade que se deseja medir e modificar. Um indicador deve ser significante ao que está sendo medido e manter essa significância ao longo do tempo;
Confiabilidade: indicadores devem ter origem em fontes confiáveis, que utilizem metodologias reconhecidas e transparentes de coleta, processamento e divulgação;
Disponibilidade: os dados básicos para seu cômputo devem ser de fácil obtenção.

         Jannuzzi (2005), acrescenta que os indicadores podem ser divididos em grupos de acordo com sua posição no planejamento:

Insumo (antes): são indicadores que têm relação direta com os recursos a serem alocados, ou seja, com a disponibilidade dos recursos humanos, materiais, financeiros e outros a serem utilizados pelas ações de governo. São exemplos médicos/mil habitantes e gasto per capita com educação;

Processo (durante): são medidas que traduzem o esforço empreendido na obtenção dos resultados, ou seja, medem o nível de utilização dos insumos alocados como, por exemplo, o percentual de atendimento de um público-alvo e o percentual de liberação dos recursos financeiros;

Produto (depois): medem o alcance das metas físicas . São medidas que expressam as entregas de produtos ou serviços ao público-alvo. São exemplos o percentual de quilômetros de estrada entregues, de armazéns construídos e de crianças vacinadas em relação às metas estabelecidas;

Resultado (depois): essas medidas expressam, direta ou indiretamente, os benefícios no público-alvo decorrentes das ações empreendidas no contexto de uma dada política e têm particular importância no contexto de gestão pública orientada a resultados. São exemplos as taxas de morbidade (doenças), taxa de reprovação escolar e de homicídios;

Impacto (depois): possuem natureza abrangente e multidimensional, têm relação com a sociedade como um todo e medem os efeitos das estratégias governamentais de médio e longo prazos. Na maioria dos casos estão associados aos objetivos setoriais e de governo (veja Figura 8). São
Exemplos o Índice Gini de distribuição de renda e o PIB per capita.

         Por fim, este texto não esgota o tema. Parece ser indicativo que no campo da educação se conceba indicadores sólidos e que mais debates circundem o assunto. Afinal, quando pensamos em planejar a educação pública é relevante considerar indicadores que busquem melhorar continuamente os programas e projetos desenvolvidos. Construir indicadores com a preocupação de acompanhar efetivamente processos e rotinas que nas tomadas de decisão são válidos e confiáveis, podem contribuir significativamente para garantir resultados robustos à sociedade, e em nosso caso, à educação de qualidade que almejamos para todos os estudantes.


JANNUZZI, P. M. Considerações sobre o uso, mau uso e abuso dos indicadores sociais na formulação e avaliação de políticas públicas municipais. Revista do Serviço Público. Brasília: ENAP, 2005.

LINDBLOM, C. E. Muddling through 1: a ciência da decisão incremental. In: HEIDEMANN, F. G.; SALM, J. F. (Orgs.). Políticas públicas e desenvolvimento: bases epistemológicas e modelos de análise. Brasília: UnB, 2010.

MAGALHÃES, M. T. Q. Metodologia para desenvolvimento de sistemas de indicadores: uma aplicação no planejamento e gestão da política nacional de transportes. (Dissertação Mestrado). Brasília: UnB, 2004.

RUA, M. G. Desmistificando o problema: uma rápida introdução ao estudo dos indicadores. Brasília: ENAP, 2004.

FERREIRA, H.; CASSIOLATO, M.; GONZALEZ, R. Uma experiência de desenvolvimento metodológico para avaliação de programas: o modelo lógico do programa segundo tempo. Texto para discussão 1369. Brasília: IPEA, 2009.
IMAGEM: http://www.deolhonosplanos.org.br/uso-dados-indicadores-planos-educacao/

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

10 DICAS DE COMO ORGANIZAR EVENTOS DE SUCESSO EM SUA ESCOLA





10 DICAS  PARA

ORGANIZAR ENCONTROS

        Marli Dias Ribeiro

Realizar eventos formativos, encontros e diversas atividades na escola exigem uma organização criteriosa. Afinal, queremos oferecer a comunidade sempre o melhor de nossa escola. Por isso,seguem algumas dicas para facilitar essa empreitada...

1. Defina o  conceito do evento ( palestra, oficina, encontro, fórum, roda de conversa, Workshop, etc). Lembre-se, cada evento tem dinâmica diferenciada, escolha com cautela.


2.  Tenha um tema claro. Que temática será abordada ? É relevante? Que problema ela pretende resolver? Existe público específico?

3.      Marque o local. Quando e em que local? A estrutura  deve ser adequada, confortável e ligada ao tipo de evento que será realizado. 
Confirme o  espaço e  a estrutura com antecedência, visite e sinta o espaço.

4.  Defina o que quer alcançar. Qual o objetivo? Seu objetivo deve ser claro e com foco em  meta a ser alcançada. Tenha  em mãos seu plano de ação ou planejamento.
5.   Que público quer atingir? Idade, especificidades, interesses, características. ( Quantos, quem, o espaço comporta?)

6.      Organize os detalhes. Como funcionará?  Indicar uma pauta organizada de cada ação a ser realizada ( acolhida, as atividades, a avaliação, a participação do público). Atente-se ao fato de que atividades sem protagonismo e engajamento da plateia-público  não são interessantes. Sem roteiro detalhado podem ocorrer falhas. Mas lembre-se, imprevistos podem surgir mesmo com o planejamento conferido, então... tenha estratégias coringas!

7.    Convide. Envie oficialmente o convite, comunicado. Ainda é elegante, mesmo em tempos de contatos virtuais receber convites impressos, ligações de confirmação. É um plusss... CONFIRA SEMPRE! Os convidados receberam? 

8.   Reforce a divulgação (branding) do seu evento! Faça as chamadas virtuais,  ou impressas. FALE com seus pares, espalhe a notícia. Busque meios variados de divulgação.

9.     Faça a sensibilização, a formação e repasse o planejamento com seus pares. Organize o grupo de colaboradores/equipe  que irá trabalhar nas  atividades.

10.  Comemore com sua equipe. Depois de organizar com amor, zelo e carinho cada passo do evento, não esqueça de celebrar!  Tenho certeza que será um sucesso. 

E se você tem alguma dica que considera importante, vamos acrescentar, nos escreva,  contribua nos comentários.



domingo, 8 de setembro de 2019

SAEB 2019 : DICAS E NOVIDADES




NOVIDADES DO SAEB  2019


Por Marli Dias Ribeiro




A previsão é que mais de sete milhões de estudantes, professores e diretores participem da avaliação. A aplicação nas escolas públicas e em uma amostra de escolas privadas das 27 unidades da Federação será entre 21 de outubro e 1º de novembro deste ano ( INEP).


É importante que as instituições de ensino estejam atentas ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2019. 
O SAEB é composto por um conjunto de avaliações externas de larga escala, essas avaliações  permitem que se faça um diagnóstico da educação básica brasileira, a partir de fatores que possam interferir no desempenho do estudante, e fornecem  um indicativo sobre a qualidade do ensino ofertado nas escolas e nas redes de ensino( INEP).

Outro aspecto importante é que o  SAEB permite  que os níveis governamentais avaliem a qualidade da educação praticada no país, colaborem para que os estados façam a elaboração, o monitoramento e o aprimoramento de políticas, com base em evidências colhidas diretamente nas instituições.
Criado em 1990 várias mudanças foram acontecendo, mas em 2019 uma das grandes novidades é que as siglas ANA, Aneb e Anresc deixaram  de existir e todas as avaliações passaram a ser  identificadas pelo Saeb. Vejam mais algumas mudanças importantes:
  • ·         A sigla Saeb será única para melhor assimilação do Sistema de Avaliação da Educação Básica.
  • ·         A identificação das avaliações do Saeb será por  etapa da Educação Básica.
  • ·         Inclusão da Educação Infantil será avaliada a partir do acesso e da oferta.
  • ·         Referência para avaliação da alfabetização – passa do 3º para o 2º ano do Ensino Fundamental.
  • ·         A aplicação das provas para estudantes de 3º ano do ensino fundamental deixa de existir.
  • ·         Amostra de estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental para avaliar Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
  • ·         A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) passa a ser referência na formulação dos itens do 2º ano (Língua Portuguesa e Matemática) e do 9º ano (Ciências da Natureza e Ciências Humanas).
  • ·         Secretários municipais e estaduais também responderão a questionários eletrônicos.
Organizar a escola para participar das avaliações é importante, pois a prova faz parte da composição da nota do IDEB. Além de ser um indicador importante para a escola não participar, pode gerar lacunas no acompanhamento do desempenho escolar. Por meio da proficiência, ou seja , do  desempenho obtido, a escola pode identificar  as competências e as habilidades que os estudantes  demonstram ter desenvolvido ou não.
Cabe a toda comunidade escolar legitimar a cultura da avaliação, não como um sistema de classificação,  mas como uma estratégia de acompanhamento e monitoramento de toda comunidade. 
Por fim, negar a importância das avaliações é também suprimir a chance  de compreender parte dos processos de aprendizagem dos estudantes, é fechar-se à oportunidade de redirecionar o planejamento, a prática pedagógica  e estabelecer novas ações e projetos com foco nas fragilidades identificadas. 
Por isso, faça parte, participe e acompanhe as avaliações de sua escola. O ato de avaliar a aprendizagem na escola é um meio de tornar a ação  de ensinar e aprender produtiva ( Luckesi, 2011).






segunda-feira, 29 de julho de 2019

Técnicas de aprendizagem: Um CURIOSO TOP 8



Técnicas de aprendizagem

Um CURIOSO TOP 8



              Dados de uma pesquisa da Revista Científica Psychological Science in the Public Interest, realizada em 2013, mostraram técnicas comuns de aprendizagem e seus resultados para os estudantes. Cabe ressaltar que o estudo apenas indica as principais formas de aprender e que a aprendizagem adquire ritmos e formas diferentes, para grupos de sujeitos em determinados contextos, assim, todas as formas de estudo são válidas e podem existir variações. Mas, nada impede que façamos um TOP 8 com esses dados:



1) Prática distribuída (alta eficiência) A prática distribuída consiste em distribuir o estudo ao longo do tempo, em vez de concentrar toda a aprendizagem em um bloco só. Pesquisas mostram que o tempo ótimo das sessões de estudo é de 10% a 20% do período que o conteúdo precisa ser lembrado. Por essa conta, se você quer lembrar algo por cinco anos, você deve espaçar seu aprendizado a cada seis meses. Se quer lembrar por uma semana, deve estudar uma vez por dia. A prática também pode ser interpretada como a distribuição do estudo em pequenos períodos ao longo do dia, intervalando com períodos de descanso. Por exemplo, uma hora de manhã, uma hora à tarde e outra hora à noite.


2) Teste prático (alta eficiência). Simular é o melhor caminho. Realizar testes práticos sobre o que você está estudando é uma das duas melhores maneiras de aprendizagem. A pesquisa científica mostrou que realizar testes práticos é até duas vezes mais eficiente do que outras técnicas. Recomendação é fazer toneladas de exercícios sobre o que está estudando, variadas formas e tipos de questão. Praticar é tudo.

3) Estudo intercalado (eficiência moderada) O estudo intercalado é o que chamamos de rotação de matérias. A pesquisa procurou saber se era mais efetivo estudar tópicos de uma vez ou intercalando diferentes tipos de conteúdo de uma maneira mais aleatória. Os cientistas concluíram que a intercalação tem utilidade maior em aprendizados envolvendo movimentos físicos e tarefas cognitivas (como ciências exatas). O principal benefício da intercalação é fazer com que a pessoa consiga manter-se mais tempo estudando.

4) Auto explicação (eficiência moderada) A auto explicação mostrou-se ser uma técnica útil para aprendizagem de conteúdos mais abstratos. Na prática, trata-se de ler o conteúdo e explicá-lo com suas próprias palavras para você mesmo. O estudo mostrou que a técnica é mais efetiva se utilizada durante o aprendizado, e não após o estudo.

5) Interrogação elaborativa (eficiência moderada) A técnica de interrogação elaborativa consiste em criar explicações que justifiquem por que determinados fatos apresentados no texto são verdadeiros. O estudante deve concentrar-se em perguntas do tipo “Por quê? ”, em vez de “O quê? ”.Note que esse tipo de estudo requer um esforço maior do cérebro, pois concentra-se em compreender as causas de determinado fato, investigando suas origens.

6) Resumos (eficiência baixa). Resumir os pontos mais importantes de um texto com as principais ideias sempre foi uma técnica quase intuitiva de aprendizagem. Porém, o estudo mostrou que os resumos são úteis para provas escritas, mas não para provas objetivas. Embora tenha sido classificado como de utilidade baixa, a técnica de resumir ainda é mais útil do que grifar e reler textos.

7) Visualização (eficiência baixa). Os pesquisadores pediram que estudantes imaginassem figuras enquanto liam textos. O resultado positivo foi apenas em relação à memorização de frases. Em relação a textos mais longos, a técnica mostrou-se pouco efetiva. Surpreendentemente, a transformação das imagens mentais em desenhos também não demonstrou aumentar a aprendizagem e ainda trouxe o inconveniente de limitar os benefícios da imaginação. Isso não invalida completamente o uso de mapas mentais para estudos, já que esses consistem além de desenho uma conexão de ideias e conceitos. De qualquer maneira, o resultado do estudo é que a visualização não é uma técnica tão efetiva para provas que exijam conhecimentos interpretativos de textos.

8) Mnemônicos (eficiência baixa). Segundo o dicionário Houaiss, mnemônico é algo relativo à memória; que serve para desenvolver a memória e facilitar a memorização; fácil de ser lembrado. Porém, apenas repetir e repetir, não tem muita vantagem. Memorização e decorebas, repetições decoradas, nem sempre funcionam.

Enfim, identificar o que melhor se adapta para cada sujeito, usar alternativas variadas pode ajudar...
Bons aprendizados para todos!


Fonte: Revista Científica Psychological Science in the Public Interest,


quarta-feira, 3 de julho de 2019

O EFEITO GESTÃO ESCOLAR E OS RESULTADOS DA ESCOLA



O EFEITO GESTÃO ESCOLAR

E OS RESULTADOS DOS ESTUDANTES E DA ESCOLA

Marli Dias Ribeiro





O efeito gestão é um tema pouco debatido no Brasil. Temas como a formação de gestores, seu estilo de liderança, suas competências para o cargo ainda parecem ser tabus, porém, são impactantes nos resultados escolares. Cabe destacar que pelo mundo, as pesquisas internacionais têm mostrado que os principais responsáveis pelo desempenho dos estudantes são o professor, seguida a liderança efetiva do diretor escolar (gestor). Entretanto, dados do questionário da Prova Brasil (2015), revelam que quando perguntados sobre quem eram os responsáveis pelas notas baixas na Prova Brasil de suas escolas, os diretores responderam: o governo (48%), a comunidade (16%), o professor (13%), aluno (9%) e escola (7%). O diretor aparece em 6º lugar.
Ainda sobre a questão da atuação do diretor  Leithwood et al. (2004) afirmam que cerca de 25% dos efeitos totais da escola estão relacionados com os efeitos diretos e indiretos relativos à liderança do diretor. Existe uma percepção diminuída dos diretores brasileiros, e do impacto quanto à importância da liderança nos resultados de seus estudantes. Grande parte dos diretores não associam sua atuação ao impacto nas aprendizagens (Pinto 2016).
Segundo Libânio (2004, p. 27): muitos dirigentes escolares direcionam suas práticas excessivamente as ações burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora, hoje sejam disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso, como  ações primordiais e necessárias para uma educação de qualidade. O autor aponta algumas atribuições ao diretor de uma instituição: supervisionar atividades administrativas e pedagógicas, promover a integração entre escola e comunidade; conhecer a legislação educacional, buscar meios que favoreçam sua equipe, liderar o grupo, dentre outras.
De fato, pouco se tem discutido, investigado  e investido na formação de líderes escolares no Brasil. Precisamos romper com a inércia e seguir o que indica quase todos os estudos de eficácia escolar, quando mostram a liderança como fator-chave, tanto na escola primária ( Ensino Fundamental), quanto na secundária ( Ensino Médio). A exemplo, Ana Cristina Prado de Oliveira e Cinthia Paes de Carvalho dizem que “a importância da liderança dos diretores é uma das mensagens mais claras da pesquisa em eficácia escolar”. [...] o estudo da literatura revela que três características foram encontradas frequentemente associadas à liderança de sucesso: propósito forte, envolvimento de outros funcionários no processo decisório,  autoridade profissional nos processos de ensino e aprendizagem.
O efeito gestão escolar continua sendo ignorado...sem gestão escolar  eficiente, sem formação, e acesso de gestores qualificados às escolas, dificilmente, teremos resultados para uma educação de qualidade, que nossos estudantes, certamente, merecem.
Então amigo educador...Que impactos a gestão de sua escola vem indicando? 

Fontes:
LIBANEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. 5 ed. Goiânia Alternativa, 2004.
PINTO, Vera Regina Ramos. Uma avaliação da liderança do diretor de escola a partir de microdados da Prova Brasil. 2016. Tese de Doutorado.
LEITHWOOD, K. A., & Riehl, C. (2004). What we know about successful school leadership. Philadelphia, PA: Laboratory for Student Success, Temple University.
A Revista Brasileira de Educação (RBE), ”Gestão escolar, liderança do diretor e resultados educacionais no Brasil". Ana Cristina Prado de Oliveira (UNIRIO) e Cynthia Paes de Carvalho (PUC-RJ). Grupo de Pesquisa Gestão e Qualidade da Educação – GESQ na PUC-Rio.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes.



VIOLÊNCIA NA ESCOLA:  escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes



Por Marli Dias Ribeiro



VAMOS EDUCAR PARA A PAZ,
VAMOS NOS UNIR PELA PAZ,
A EDUCAÇÃO PODE CONTRIBUIR PARA UM MUNDO MELHOR...

São múltiplas as situações de violência nas escolas e em variados casos estão associadas a um conjunto de fatores. 
A violência não deve ser subestimada, pois se  ela não for  debatida, pode gerar o fracasso escolar, a indisciplina, a  evasão e a negação do sujeito. 
     Algumas escolas vinculam a situação da violência usando a culpabilização, o jogo de empurra e de inércia, as falsas soluções. Podemos e precisamos considerar a violência na escola, pela escola e externa a instituição. Cada situação requer um planejamento criterioso e sobretudo,  coletivo.
É fato que as violências estão presentes na escola, na rua, na comunidade, nas redes sociais em situação que apresenta a escola, ora como vítima, ora autora, por vezes  passiva nos atos de violência, por isso,  precisamos levar para a prática o que as pesquisas nos mostram não como respostas, porém, como novas perguntas e ações.

Penso que o desafio passa por  aprender, sobreviver,   viver, e arriscar-se a conviver. Quais seriam os caminhos, as possibilidades para procurar romper as relações de violência na escola sabendo que ela está inserida em um contexto social, cultural e histórico?

Não existe solução pronta, Vasconcelos (2017) em sua pesquisa, sugere possibilidades  que envolvem ações que permeiam o currículo, a gestão, as interações com os alunos e a comunidade. Dentro dessas dimensões um trabalho de escuta, reflexão e ações concretas podem apontar novos indicadores.

As possibilidades passam por compreender que a escola e a sala de aula, são microssistemas e se associam ao projeto curricular, à administração escolar, e finalmente, a sociedade/valores/cultura global, como um macrossistema (PESCADOR; DOMÍNGUEZ, 2001). Não existe ação isolada para diminuir a violência pois ela engloba relações que perpassam toda a instituição, e podem estar exterior à escola.

Então, quais ações poderiam eliminar ou amenizar o problema? Das variadas estratégias adotadas é importante sempre a escuta às vítimas. Também em muitas escolas a aproximação entre pais e comunidade educativa abrem novas janelas. Ainda é necessário considerar o fim da punição, o fim da culpabilização do outro, investir em Projetos escolares contextualizados, democráticos e participativos, apoiar-se na pedagogia crítico-reflexiva.

A violência está presente, escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes. Caminhemos sempre porque para além dos limites, há o inédito viável (Paulo Freire). Que exista esperança para aprendermos a sobreviver, conviver e viver na escola, e, superar a violência.

Para saber mais:
VASCONCELOS, Ivar Cesar Oliveira de. Aprender a conviver sem violência: o que dá e o que não dá certo. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro. 2017.


FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

PESCADOR, J. E. P.; DOMÍNGUEZ, M. R. F. Violencia escolar, un punto de vista global. Revista Interuniversitaria de Formación del Profesorado, n. 41, p. 19-38, 2001.  Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/articulo? Código=118100. Acesso em:  20 maio 2018.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O MUNDO ESTÁ HOSTIL PARA NOSSAS CRIANÇAS



A Secretaria de Educação do GDF realizou a VII Plenarinha da Educação Infantil, reunindo  cerca de 4000(quatro mil) professores de educação infantil, entre os dias 9 e 17 de abril. Um encontro prestigiado pelos professores que lotaram os auditórios, em todos os dias e turnos, e por escritores locais e de outros estados brasileiros. A diretoria de Educação infantil distribuiu o Guia do Professor da Educação Infantil, que teve como tema Brincando e Encantando com Histórias.


        
Tive o prazer de conhecer a professora Maria José Rocha Lima, carinhosamente conhecida por Zezé, na Plenarinha da Educação Infantil nesse mês de abril aqui em Brasília. Após uma ótima conversa lhe apresentei o meu blog e a convidei para nos presentar com um de seus textos. Eis aqui uma reflexão rica e importante de um dos textos da professora. 


A PRIMEIRA INFÂNCIA EM PAUTA – OS BEBÊS AGRADECEM



      O mundo está hostil para as nossas crianças, tanto no coletivo – guerras, imigração massiva, pobreza etc. -, como no ambiente individual – renda baixa, negligência, abuso de álcool e outras drogas, violação sexual, abandono e maus-tratos nas famílias. Tudo isso provoca em nós sofrimento e dor, mas por outro lado cria uma crescente mobilização para a busca de todos os recursos que possam ensinar a sociedade a cuidar e amar as nossas crianças.     


    No Brasil, um dos fundadores da Rede Nacional da Primeira Infância é o especialista Vital Didonet. O diretor do Centro da Criança em Desenvolvimento da Universidade de Harvard, Jack Shonkoff (2016), afirma que é em 1000 dias (mil), período que corresponde a aproximadamente dois anos de idade, que ocorre um extraordinário processo de desenvolvimento cerebral na criança, que poderá determinar o que acontecerá pelo restante de sua vida. Para Shonkoff, circuitos são rapidamente desenvolvidos nos primeiros anos de vida. De 700 a mil novas sinapses são formadas a cada segundo no cérebro de um bebê. E ainda, para o pesquisador de Harvard, a chave das experiências que formam os circuitos cerebrais para o desenvolvimento do cérebro normal são as interações que crianças e bebês têm com os adultos na sua vida. (...)

          Além dos argumentos sociais e humanos, existem fortes argumentos econômicos para que um país invista na Primeira Infância. O economista James Heckman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2000, comprovou que os investimentos realizados durante os primeiros anos de vida de uma pessoa são aqueles que trazem maiores retornos para a sociedade.  (...) 
           
       O sonho de todos nós é que todos usem esse conhecimento para mudar o mundo para melhor, mudando os cuidados e a educação das nossas criancinhas, na mais tenra idade, na infância, onde tudo começa.

OBS:  Texto completo em: https://miguellucena.net/a-primeira-infancia-em-pauta-os-bebes-agradecem/


*Maria José Rocha Lima é mestre  e doutoranda em Educação. Deputada Estadual pela Bahia, de 1991-1999. Fundadora da Casa da Educação Anísio Teixeira.Email

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