domingo, 15 de março de 2020

INDICADORES NA EDUCAÇÃO ASPECTOS IMPORTANTES A SABER


INDICADORES NA EDUCAÇÃO
ALGUNS ASPECTOS IMPORTANTES A SABER


Os indicadores educacionais atribuem valor estatístico à qualidade do ensino, atendo-se não somente ao desempenho dos alunos, mas também ao contexto econômico e social em que as escolas estão inseridas. Eles são úteis principalmente para o monitoramento dos sistemas educacionais, considerando o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os alunos. Dessa forma, contribuem para a criação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade da educação e dos serviços oferecidos à sociedade pela escola ( MEC/INEP)


            O uso de indicadores é assunto pouco debatido entre educadores . Entretanto, ele é uma constante no planejamento de políticas públicas para a educação. Seu conceito envolve bases importantes para as decisões que afetam o cotidiano escolar, sendo relevante conhecer os aspectos principais  sobre o seu uso, as suas finalidades, e que eles  podem  para facilitar as ações de acompanhamento de projetos, programas, e  tomadas de decisões na educação. 

     O indicador mais conhecido na área educacional é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- IDEB. O IDEB  ao longo de dez anos tem se consolidado como base no planejamento educacional.  Mas o que dizem os especialistas sobre um indicador?  Segundo Ferreira, Cassiolato e Gonzales (2009),


O indicador é uma medida, de ordem quantitativa ou qualitativa, dotada de significado particular e utilizada para organizar e captar as informações relevantes dos elementos que compõem o objeto da observação. É um recurso metodológico que informa empiricamente sobre a evolução do aspecto/fato, observado (Ferreira, Cassiolato e Gonzales , 2009).


         Para Rua (2004), indicadores são medidas que expressam ou quantificam um insumo, um resultado, uma característica ou o desempenho de um processo, serviço, produto ou organização. Magalhães (2004)  define indicadores  como  abstrações ou parâmetros representativos, concisos, fáceis de interpretar e de serem obtidos, usados para ilustrar as características principais de determinado objeto de análise. Esses autores corrobam com o fato de que os indicadores auxiliam de forma objetiva a evolução de um fato ou objeto de análise.

         Por outro lado, para Rua (2004), Jannuzzi (2005) e Ferreira, Cassiolato e Gonzalez (2009), apontam que existem propriedades dos indicadores ditas essenciais, ou seja, aquelas que qualquer indicador deve apresentar e devem ser consideradas como critérios de escolha, independente da fase do ciclo de gestão em que se encontra a política sob análise (Planejamento, Execução, Avaliação etc.). Essas propriedades são:

Utilidade: Deve suportar decisões, sejam no nível operacional, tático ou estratégico. Os indicadores devem, portanto, basear-se nas necessidades dos decisores;
Validade: capacidade de representar, com a maior proximidade possível, a realidade que se deseja medir e modificar. Um indicador deve ser significante ao que está sendo medido e manter essa significância ao longo do tempo;
Confiabilidade: indicadores devem ter origem em fontes confiáveis, que utilizem metodologias reconhecidas e transparentes de coleta, processamento e divulgação;
Disponibilidade: os dados básicos para seu cômputo devem ser de fácil obtenção.

         Jannuzzi (2005), acrescenta que os indicadores podem ser divididos em grupos de acordo com sua posição no planejamento:

Insumo (antes): são indicadores que têm relação direta com os recursos a serem alocados, ou seja, com a disponibilidade dos recursos humanos, materiais, financeiros e outros a serem utilizados pelas ações de governo. São exemplos médicos/mil habitantes e gasto per capita com educação;

Processo (durante): são medidas que traduzem o esforço empreendido na obtenção dos resultados, ou seja, medem o nível de utilização dos insumos alocados como, por exemplo, o percentual de atendimento de um público-alvo e o percentual de liberação dos recursos financeiros;

Produto (depois): medem o alcance das metas físicas . São medidas que expressam as entregas de produtos ou serviços ao público-alvo. São exemplos o percentual de quilômetros de estrada entregues, de armazéns construídos e de crianças vacinadas em relação às metas estabelecidas;

Resultado (depois): essas medidas expressam, direta ou indiretamente, os benefícios no público-alvo decorrentes das ações empreendidas no contexto de uma dada política e têm particular importância no contexto de gestão pública orientada a resultados. São exemplos as taxas de morbidade (doenças), taxa de reprovação escolar e de homicídios;

Impacto (depois): possuem natureza abrangente e multidimensional, têm relação com a sociedade como um todo e medem os efeitos das estratégias governamentais de médio e longo prazos. Na maioria dos casos estão associados aos objetivos setoriais e de governo (veja Figura 8). São
Exemplos o Índice Gini de distribuição de renda e o PIB per capita.

         Por fim, este texto não esgota o tema. Parece ser indicativo que no campo da educação se conceba indicadores sólidos e que mais debates circundem o assunto. Afinal, quando pensamos em planejar a educação pública é relevante considerar indicadores que busquem melhorar continuamente os programas e projetos desenvolvidos. Construir indicadores com a preocupação de acompanhar efetivamente processos e rotinas que nas tomadas de decisão são válidos e confiáveis, podem contribuir significativamente para garantir resultados robustos à sociedade, e em nosso caso, à educação de qualidade que almejamos para todos os estudantes.


JANNUZZI, P. M. Considerações sobre o uso, mau uso e abuso dos indicadores sociais na formulação e avaliação de políticas públicas municipais. Revista do Serviço Público. Brasília: ENAP, 2005.

LINDBLOM, C. E. Muddling through 1: a ciência da decisão incremental. In: HEIDEMANN, F. G.; SALM, J. F. (Orgs.). Políticas públicas e desenvolvimento: bases epistemológicas e modelos de análise. Brasília: UnB, 2010.

MAGALHÃES, M. T. Q. Metodologia para desenvolvimento de sistemas de indicadores: uma aplicação no planejamento e gestão da política nacional de transportes. (Dissertação Mestrado). Brasília: UnB, 2004.

RUA, M. G. Desmistificando o problema: uma rápida introdução ao estudo dos indicadores. Brasília: ENAP, 2004.

FERREIRA, H.; CASSIOLATO, M.; GONZALEZ, R. Uma experiência de desenvolvimento metodológico para avaliação de programas: o modelo lógico do programa segundo tempo. Texto para discussão 1369. Brasília: IPEA, 2009.
IMAGEM: http://www.deolhonosplanos.org.br/uso-dados-indicadores-planos-educacao/

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

10 DICAS DE COMO ORGANIZAR EVENTOS DE SUCESSO EM SUA ESCOLA





10 DICAS  PARA

ORGANIZAR ENCONTROS

        Marli Dias Ribeiro

Realizar eventos formativos, encontros e diversas atividades na escola exigem uma organização criteriosa. Afinal, queremos oferecer a comunidade sempre o melhor de nossa escola. Por isso,seguem algumas dicas para facilitar essa empreitada...

1. Defina o  conceito do evento ( palestra, oficina, encontro, fórum, roda de conversa, Workshop, etc). Lembre-se, cada evento tem dinâmica diferenciada, escolha com cautela.


2.  Tenha um tema claro. Que temática será abordada ? É relevante? Que problema ela pretende resolver? Existe público específico?

3.      Marque o local. Quando e em que local? A estrutura  deve ser adequada, confortável e ligada ao tipo de evento que será realizado. 
Confirme o  espaço e  a estrutura com antecedência, visite e sinta o espaço.

4.  Defina o que quer alcançar. Qual o objetivo? Seu objetivo deve ser claro e com foco em  meta a ser alcançada. Tenha  em mãos seu plano de ação ou planejamento.
5.   Que público quer atingir? Idade, especificidades, interesses, características. ( Quantos, quem, o espaço comporta?)

6.      Organize os detalhes. Como funcionará?  Indicar uma pauta organizada de cada ação a ser realizada ( acolhida, as atividades, a avaliação, a participação do público). Atente-se ao fato de que atividades sem protagonismo e engajamento da plateia-público  não são interessantes. Sem roteiro detalhado podem ocorrer falhas. Mas lembre-se, imprevistos podem surgir mesmo com o planejamento conferido, então... tenha estratégias coringas!

7.    Convide. Envie oficialmente o convite, comunicado. Ainda é elegante, mesmo em tempos de contatos virtuais receber convites impressos, ligações de confirmação. É um plusss... CONFIRA SEMPRE! Os convidados receberam? 

8.   Reforce a divulgação (branding) do seu evento! Faça as chamadas virtuais,  ou impressas. FALE com seus pares, espalhe a notícia. Busque meios variados de divulgação.

9.     Faça a sensibilização, a formação e repasse o planejamento com seus pares. Organize o grupo de colaboradores/equipe  que irá trabalhar nas  atividades.

10.  Comemore com sua equipe. Depois de organizar com amor, zelo e carinho cada passo do evento, não esqueça de celebrar!  Tenho certeza que será um sucesso. 

E se você tem alguma dica que considera importante, vamos acrescentar, nos escreva,  contribua nos comentários.



domingo, 8 de setembro de 2019

SAEB 2019 : DICAS E NOVIDADES




NOVIDADES DO SAEB  2019


Por Marli Dias Ribeiro




A previsão é que mais de sete milhões de estudantes, professores e diretores participem da avaliação. A aplicação nas escolas públicas e em uma amostra de escolas privadas das 27 unidades da Federação será entre 21 de outubro e 1º de novembro deste ano ( INEP).


É importante que as instituições de ensino estejam atentas ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2019. 
O SAEB é composto por um conjunto de avaliações externas de larga escala, essas avaliações  permitem que se faça um diagnóstico da educação básica brasileira, a partir de fatores que possam interferir no desempenho do estudante, e fornecem  um indicativo sobre a qualidade do ensino ofertado nas escolas e nas redes de ensino( INEP).

Outro aspecto importante é que o  SAEB permite  que os níveis governamentais avaliem a qualidade da educação praticada no país, colaborem para que os estados façam a elaboração, o monitoramento e o aprimoramento de políticas, com base em evidências colhidas diretamente nas instituições.
Criado em 1990 várias mudanças foram acontecendo, mas em 2019 uma das grandes novidades é que as siglas ANA, Aneb e Anresc deixaram  de existir e todas as avaliações passaram a ser  identificadas pelo Saeb. Vejam mais algumas mudanças importantes:
  • ·         A sigla Saeb será única para melhor assimilação do Sistema de Avaliação da Educação Básica.
  • ·         A identificação das avaliações do Saeb será por  etapa da Educação Básica.
  • ·         Inclusão da Educação Infantil será avaliada a partir do acesso e da oferta.
  • ·         Referência para avaliação da alfabetização – passa do 3º para o 2º ano do Ensino Fundamental.
  • ·         A aplicação das provas para estudantes de 3º ano do ensino fundamental deixa de existir.
  • ·         Amostra de estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental para avaliar Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
  • ·         A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) passa a ser referência na formulação dos itens do 2º ano (Língua Portuguesa e Matemática) e do 9º ano (Ciências da Natureza e Ciências Humanas).
  • ·         Secretários municipais e estaduais também responderão a questionários eletrônicos.
Organizar a escola para participar das avaliações é importante, pois a prova faz parte da composição da nota do IDEB. Além de ser um indicador importante para a escola não participar, pode gerar lacunas no acompanhamento do desempenho escolar. Por meio da proficiência, ou seja , do  desempenho obtido, a escola pode identificar  as competências e as habilidades que os estudantes  demonstram ter desenvolvido ou não.
Cabe a toda comunidade escolar legitimar a cultura da avaliação, não como um sistema de classificação,  mas como uma estratégia de acompanhamento e monitoramento de toda comunidade. 
Por fim, negar a importância das avaliações é também suprimir a chance  de compreender parte dos processos de aprendizagem dos estudantes, é fechar-se à oportunidade de redirecionar o planejamento, a prática pedagógica  e estabelecer novas ações e projetos com foco nas fragilidades identificadas. 
Por isso, faça parte, participe e acompanhe as avaliações de sua escola. O ato de avaliar a aprendizagem na escola é um meio de tornar a ação  de ensinar e aprender produtiva ( Luckesi, 2011).






segunda-feira, 29 de julho de 2019

Técnicas de aprendizagem: Um CURIOSO TOP 8



Técnicas de aprendizagem

Um CURIOSO TOP 8



              Dados de uma pesquisa da Revista Científica Psychological Science in the Public Interest, realizada em 2013, mostraram técnicas comuns de aprendizagem e seus resultados para os estudantes. Cabe ressaltar que o estudo apenas indica as principais formas de aprender e que a aprendizagem adquire ritmos e formas diferentes, para grupos de sujeitos em determinados contextos, assim, todas as formas de estudo são válidas e podem existir variações. Mas, nada impede que façamos um TOP 8 com esses dados:



1) Prática distribuída (alta eficiência) A prática distribuída consiste em distribuir o estudo ao longo do tempo, em vez de concentrar toda a aprendizagem em um bloco só. Pesquisas mostram que o tempo ótimo das sessões de estudo é de 10% a 20% do período que o conteúdo precisa ser lembrado. Por essa conta, se você quer lembrar algo por cinco anos, você deve espaçar seu aprendizado a cada seis meses. Se quer lembrar por uma semana, deve estudar uma vez por dia. A prática também pode ser interpretada como a distribuição do estudo em pequenos períodos ao longo do dia, intervalando com períodos de descanso. Por exemplo, uma hora de manhã, uma hora à tarde e outra hora à noite.


2) Teste prático (alta eficiência). Simular é o melhor caminho. Realizar testes práticos sobre o que você está estudando é uma das duas melhores maneiras de aprendizagem. A pesquisa científica mostrou que realizar testes práticos é até duas vezes mais eficiente do que outras técnicas. Recomendação é fazer toneladas de exercícios sobre o que está estudando, variadas formas e tipos de questão. Praticar é tudo.

3) Estudo intercalado (eficiência moderada) O estudo intercalado é o que chamamos de rotação de matérias. A pesquisa procurou saber se era mais efetivo estudar tópicos de uma vez ou intercalando diferentes tipos de conteúdo de uma maneira mais aleatória. Os cientistas concluíram que a intercalação tem utilidade maior em aprendizados envolvendo movimentos físicos e tarefas cognitivas (como ciências exatas). O principal benefício da intercalação é fazer com que a pessoa consiga manter-se mais tempo estudando.

4) Auto explicação (eficiência moderada) A auto explicação mostrou-se ser uma técnica útil para aprendizagem de conteúdos mais abstratos. Na prática, trata-se de ler o conteúdo e explicá-lo com suas próprias palavras para você mesmo. O estudo mostrou que a técnica é mais efetiva se utilizada durante o aprendizado, e não após o estudo.

5) Interrogação elaborativa (eficiência moderada) A técnica de interrogação elaborativa consiste em criar explicações que justifiquem por que determinados fatos apresentados no texto são verdadeiros. O estudante deve concentrar-se em perguntas do tipo “Por quê? ”, em vez de “O quê? ”.Note que esse tipo de estudo requer um esforço maior do cérebro, pois concentra-se em compreender as causas de determinado fato, investigando suas origens.

6) Resumos (eficiência baixa). Resumir os pontos mais importantes de um texto com as principais ideias sempre foi uma técnica quase intuitiva de aprendizagem. Porém, o estudo mostrou que os resumos são úteis para provas escritas, mas não para provas objetivas. Embora tenha sido classificado como de utilidade baixa, a técnica de resumir ainda é mais útil do que grifar e reler textos.

7) Visualização (eficiência baixa). Os pesquisadores pediram que estudantes imaginassem figuras enquanto liam textos. O resultado positivo foi apenas em relação à memorização de frases. Em relação a textos mais longos, a técnica mostrou-se pouco efetiva. Surpreendentemente, a transformação das imagens mentais em desenhos também não demonstrou aumentar a aprendizagem e ainda trouxe o inconveniente de limitar os benefícios da imaginação. Isso não invalida completamente o uso de mapas mentais para estudos, já que esses consistem além de desenho uma conexão de ideias e conceitos. De qualquer maneira, o resultado do estudo é que a visualização não é uma técnica tão efetiva para provas que exijam conhecimentos interpretativos de textos.

8) Mnemônicos (eficiência baixa). Segundo o dicionário Houaiss, mnemônico é algo relativo à memória; que serve para desenvolver a memória e facilitar a memorização; fácil de ser lembrado. Porém, apenas repetir e repetir, não tem muita vantagem. Memorização e decorebas, repetições decoradas, nem sempre funcionam.

Enfim, identificar o que melhor se adapta para cada sujeito, usar alternativas variadas pode ajudar...
Bons aprendizados para todos!


Fonte: Revista Científica Psychological Science in the Public Interest,


quarta-feira, 3 de julho de 2019

O EFEITO GESTÃO ESCOLAR E OS RESULTADOS DA ESCOLA



O EFEITO GESTÃO ESCOLAR

E OS RESULTADOS DOS ESTUDANTES E DA ESCOLA

Marli Dias Ribeiro





O efeito gestão é um tema pouco debatido no Brasil. Temas como a formação de gestores, seu estilo de liderança, suas competências para o cargo ainda parecem ser tabus, porém, são impactantes nos resultados escolares. Cabe destacar que pelo mundo, as pesquisas internacionais têm mostrado que os principais responsáveis pelo desempenho dos estudantes são o professor, seguida a liderança efetiva do diretor escolar (gestor). Entretanto, dados do questionário da Prova Brasil (2015), revelam que quando perguntados sobre quem eram os responsáveis pelas notas baixas na Prova Brasil de suas escolas, os diretores responderam: o governo (48%), a comunidade (16%), o professor (13%), aluno (9%) e escola (7%). O diretor aparece em 6º lugar.
Ainda sobre a questão da atuação do diretor  Leithwood et al. (2004) afirmam que cerca de 25% dos efeitos totais da escola estão relacionados com os efeitos diretos e indiretos relativos à liderança do diretor. Existe uma percepção diminuída dos diretores brasileiros, e do impacto quanto à importância da liderança nos resultados de seus estudantes. Grande parte dos diretores não associam sua atuação ao impacto nas aprendizagens (Pinto 2016).
Segundo Libânio (2004, p. 27): muitos dirigentes escolares direcionam suas práticas excessivamente as ações burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora, hoje sejam disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso, como  ações primordiais e necessárias para uma educação de qualidade. O autor aponta algumas atribuições ao diretor de uma instituição: supervisionar atividades administrativas e pedagógicas, promover a integração entre escola e comunidade; conhecer a legislação educacional, buscar meios que favoreçam sua equipe, liderar o grupo, dentre outras.
De fato, pouco se tem discutido, investigado  e investido na formação de líderes escolares no Brasil. Precisamos romper com a inércia e seguir o que indica quase todos os estudos de eficácia escolar, quando mostram a liderança como fator-chave, tanto na escola primária ( Ensino Fundamental), quanto na secundária ( Ensino Médio). A exemplo, Ana Cristina Prado de Oliveira e Cinthia Paes de Carvalho dizem que “a importância da liderança dos diretores é uma das mensagens mais claras da pesquisa em eficácia escolar”. [...] o estudo da literatura revela que três características foram encontradas frequentemente associadas à liderança de sucesso: propósito forte, envolvimento de outros funcionários no processo decisório,  autoridade profissional nos processos de ensino e aprendizagem.
O efeito gestão escolar continua sendo ignorado...sem gestão escolar  eficiente, sem formação, e acesso de gestores qualificados às escolas, dificilmente, teremos resultados para uma educação de qualidade, que nossos estudantes, certamente, merecem.
Então amigo educador...Que impactos a gestão de sua escola vem indicando? 

Fontes:
LIBANEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. 5 ed. Goiânia Alternativa, 2004.
PINTO, Vera Regina Ramos. Uma avaliação da liderança do diretor de escola a partir de microdados da Prova Brasil. 2016. Tese de Doutorado.
LEITHWOOD, K. A., & Riehl, C. (2004). What we know about successful school leadership. Philadelphia, PA: Laboratory for Student Success, Temple University.
A Revista Brasileira de Educação (RBE), ”Gestão escolar, liderança do diretor e resultados educacionais no Brasil". Ana Cristina Prado de Oliveira (UNIRIO) e Cynthia Paes de Carvalho (PUC-RJ). Grupo de Pesquisa Gestão e Qualidade da Educação – GESQ na PUC-Rio.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes.



VIOLÊNCIA NA ESCOLA:  escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes



Por Marli Dias Ribeiro



VAMOS EDUCAR PARA A PAZ,
VAMOS NOS UNIR PELA PAZ,
A EDUCAÇÃO PODE CONTRIBUIR PARA UM MUNDO MELHOR...

São múltiplas as situações de violência nas escolas e em variados casos estão associadas a um conjunto de fatores. 
A violência não deve ser subestimada, pois se  ela não for  debatida, pode gerar o fracasso escolar, a indisciplina, a  evasão e a negação do sujeito. 
     Algumas escolas vinculam a situação da violência usando a culpabilização, o jogo de empurra e de inércia, as falsas soluções. Podemos e precisamos considerar a violência na escola, pela escola e externa a instituição. Cada situação requer um planejamento criterioso e sobretudo,  coletivo.
É fato que as violências estão presentes na escola, na rua, na comunidade, nas redes sociais em situação que apresenta a escola, ora como vítima, ora autora, por vezes  passiva nos atos de violência, por isso,  precisamos levar para a prática o que as pesquisas nos mostram não como respostas, porém, como novas perguntas e ações.

Penso que o desafio passa por  aprender, sobreviver,   viver, e arriscar-se a conviver. Quais seriam os caminhos, as possibilidades para procurar romper as relações de violência na escola sabendo que ela está inserida em um contexto social, cultural e histórico?

Não existe solução pronta, Vasconcelos (2017) em sua pesquisa, sugere possibilidades  que envolvem ações que permeiam o currículo, a gestão, as interações com os alunos e a comunidade. Dentro dessas dimensões um trabalho de escuta, reflexão e ações concretas podem apontar novos indicadores.

As possibilidades passam por compreender que a escola e a sala de aula, são microssistemas e se associam ao projeto curricular, à administração escolar, e finalmente, a sociedade/valores/cultura global, como um macrossistema (PESCADOR; DOMÍNGUEZ, 2001). Não existe ação isolada para diminuir a violência pois ela engloba relações que perpassam toda a instituição, e podem estar exterior à escola.

Então, quais ações poderiam eliminar ou amenizar o problema? Das variadas estratégias adotadas é importante sempre a escuta às vítimas. Também em muitas escolas a aproximação entre pais e comunidade educativa abrem novas janelas. Ainda é necessário considerar o fim da punição, o fim da culpabilização do outro, investir em Projetos escolares contextualizados, democráticos e participativos, apoiar-se na pedagogia crítico-reflexiva.

A violência está presente, escondê-la é negar a chance de construir novos horizontes. Caminhemos sempre porque para além dos limites, há o inédito viável (Paulo Freire). Que exista esperança para aprendermos a sobreviver, conviver e viver na escola, e, superar a violência.

Para saber mais:
VASCONCELOS, Ivar Cesar Oliveira de. Aprender a conviver sem violência: o que dá e o que não dá certo. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro. 2017.


FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

PESCADOR, J. E. P.; DOMÍNGUEZ, M. R. F. Violencia escolar, un punto de vista global. Revista Interuniversitaria de Formación del Profesorado, n. 41, p. 19-38, 2001.  Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/articulo? Código=118100. Acesso em:  20 maio 2018.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O MUNDO ESTÁ HOSTIL PARA NOSSAS CRIANÇAS



A Secretaria de Educação do GDF realizou a VII Plenarinha da Educação Infantil, reunindo  cerca de 4000(quatro mil) professores de educação infantil, entre os dias 9 e 17 de abril. Um encontro prestigiado pelos professores que lotaram os auditórios, em todos os dias e turnos, e por escritores locais e de outros estados brasileiros. A diretoria de Educação infantil distribuiu o Guia do Professor da Educação Infantil, que teve como tema Brincando e Encantando com Histórias.


        
Tive o prazer de conhecer a professora Maria José Rocha Lima, carinhosamente conhecida por Zezé, na Plenarinha da Educação Infantil nesse mês de abril aqui em Brasília. Após uma ótima conversa lhe apresentei o meu blog e a convidei para nos presentar com um de seus textos. Eis aqui uma reflexão rica e importante de um dos textos da professora. 


A PRIMEIRA INFÂNCIA EM PAUTA – OS BEBÊS AGRADECEM



      O mundo está hostil para as nossas crianças, tanto no coletivo – guerras, imigração massiva, pobreza etc. -, como no ambiente individual – renda baixa, negligência, abuso de álcool e outras drogas, violação sexual, abandono e maus-tratos nas famílias. Tudo isso provoca em nós sofrimento e dor, mas por outro lado cria uma crescente mobilização para a busca de todos os recursos que possam ensinar a sociedade a cuidar e amar as nossas crianças.     


    No Brasil, um dos fundadores da Rede Nacional da Primeira Infância é o especialista Vital Didonet. O diretor do Centro da Criança em Desenvolvimento da Universidade de Harvard, Jack Shonkoff (2016), afirma que é em 1000 dias (mil), período que corresponde a aproximadamente dois anos de idade, que ocorre um extraordinário processo de desenvolvimento cerebral na criança, que poderá determinar o que acontecerá pelo restante de sua vida. Para Shonkoff, circuitos são rapidamente desenvolvidos nos primeiros anos de vida. De 700 a mil novas sinapses são formadas a cada segundo no cérebro de um bebê. E ainda, para o pesquisador de Harvard, a chave das experiências que formam os circuitos cerebrais para o desenvolvimento do cérebro normal são as interações que crianças e bebês têm com os adultos na sua vida. (...)

          Além dos argumentos sociais e humanos, existem fortes argumentos econômicos para que um país invista na Primeira Infância. O economista James Heckman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2000, comprovou que os investimentos realizados durante os primeiros anos de vida de uma pessoa são aqueles que trazem maiores retornos para a sociedade.  (...) 
           
       O sonho de todos nós é que todos usem esse conhecimento para mudar o mundo para melhor, mudando os cuidados e a educação das nossas criancinhas, na mais tenra idade, na infância, onde tudo começa.

OBS:  Texto completo em: https://miguellucena.net/a-primeira-infancia-em-pauta-os-bebes-agradecem/


*Maria José Rocha Lima é mestre  e doutoranda em Educação. Deputada Estadual pela Bahia, de 1991-1999. Fundadora da Casa da Educação Anísio Teixeira.Email

domingo, 24 de março de 2019

EXTREMA VIOLÊNCIA NA ESCOLA


POSSIBILIDADES DE SUPERAÇÃO


POR MARLI DIAS RIBEIRO





A violência em instituições escolares sempre é um tema que gera debates e indignação por envolver crianças e jovens. Os profissionais da educação precisam ampliar o olhar para o tema em busca de alternativas e novas possibilidades. No artigo: extrema Violência na Escola procuro   apresentar   uma investigação ampla de situações presentes em instituições escolares. Embora a violência alcance variados contextos e espaços, o objetivo foi identificar formas de superação organizadas na escola quando a violência desencadeia em homicídio dentro da instituição.
Apresento aqui apenas o resumo de  uma pesquisa científica em que  a metodologia utilizada foi a investigação bibliográfica com leitura crítica do material coletado e análise de estudos em que o tema da morte na escola esteve presente. O lapso temporal foi o período dos anos de 2006 a 2017, com ênfase, nas ações de prevenção e de novas alternativas de enfrentamento da violência, sobretudo, para os casos envolvendo homicídios em instituições escolares. Infelizmente ainda lidamos com vários casos de tragédias em nossos contextos escolares.
O trabalho concluiu que a superação da violência está vinculada a ações de prevenção, a novas propostas de currículo, à gestão participativa e democrática pautada em relações de diálogo com a comunidade escolar. Esses aspectos mostram-se importantes enquanto mecanismos de prevenção em casos de extrema violência. Eles também auxiliam na ampliação e geração de estratégias de enfrentamento do problema e são possibilidades de superação por meio da participação coletiva e colaborativa. É  possível educar para a paz, é possível viver em paz, é possível...



O texto contendo a pesquisa completa está publicado em:
Comunicologia - Revista de Comunicação da Universidade Católica de Brasília v. 11, n. 2 (2018): V. 11, N. 2, JUL./DEZ., 2018
https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RCEUCB/issue/view/545



terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

LIVRO, O MELHOR AMIGO DO EDUCADOR... ESCREVER É POSSÍVEL



LIVRO,  O MELHOR AMIGO DO EDUCADOR... ESCREVER É POSSÍVEL

Arrisque-se a escrever, todos podem...

Um pouco sobre a história dos livros


            Quando pensamos em um livro, geralmente imaginamos um conjunto de folhas impressas em papel. Nossa ideia de livro está associada ao material concreto, à técnica de impressão, a capa, ao desenho, à costura. Quando juntamos textos escritos à mão ou lemos no computador parece-nos fugir a materialidade do livro. Mas, temos hoje, E-boockers, Blogs, Vlogs, redes sociais, páginas e tantos outros escritos, diversos e únicos. Infinitas possibilidades...

            Mas nem sempre foi assim! De onde vem o termo, a palavra "livro"? Ela vem da forma latina liber, que era o nome da camada externa da casca das árvores, onde se escrevia antigamente. Os livros nem sempre tiveram o formato atual. Foi durante a Idade Média que passaram a ter um aspecto parecido aos de hoje. Antigamente, como eram escritos à mão, existiam poucos exemplares, raros eram os leitores.

            Em 1436, na Alemanha, um joalheiro chamado Johannes Von Gutenberg inventou a imprensa. Graças a essa invenção, puderam ser feitas muitas cópias de um mesmo livro, não sendo mais necessário copiá-los à mão. A partir da invenção da imprensa, no século XV, foi possível imprimir exemplares em grande quantidade, tornando-os acessíveis a um maior número de pessoas. Porém eram poucos os letrados. Mulheres leitoras uma raridade.
            Mas quem escrevia os livros? Inicialmente, os homens escreviam para anotar a quantidade de animais que tinham, guardar a informação e controlar os animais que eram vendidos, que se perdiam ou que morriam. O que se escrevia na Antiguidade, portanto, não eram livros, mas breves anotações comerciais e   documentos. Apenas os sacerdotes podiam escrever livros porque se acreditava ser a escrita um dom sagrado concedido pelos deuses a sujeitos escolhidos. Essas pessoas eram as únicas que tinham permissão para ler os livros sagrados. Ainda hoje a ideia de dom ou capacidade nata é associada a essa visão dogmática do ato de escrever. Mas acreditem, todos podem escrever… Todos!

            Na  Idade Média, na Europa, os monges eram encarregados de copiar os livros à mão. Esses monges eram chamados copistas.  Já nos países do Oriente, como na Pérsia, por exemplo, os encarregados de copiar e ilustrar livros não eram os monges, mas sim algumas famílias. E todos os membros da família  deviam se dedicar  a esse trabalho.

            O fato é que livros sempre geraram conflitos por expandirem informações. Ao longo da história, muitos episódios de dominação destruíam bibliotecas. Dessa forma, controlavam a história dos povos e  a experiência dos seus antepassado contida nos livros. Isso aconteceu com a famosa Biblioteca de Alexandria, no Antigo Egito: quando os romanos invadiram a cidade de Alexandria para conquistá-la, queimaram a sua imensa biblioteca. Na Europa, no período da Inquisição, entre os séculos XV e XVI, a Igreja Católica também ordenou a queima de livros considerados contra a fé cristã. Quase em meados do século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de livros foram queimados em praça pública pelo regime nazista por serem considerados contrários ao sistema político.
Por isso, escrever, ler e ter  livros foi e sempre será um ato de rebeldia, um movimento de contestação que precisamos construir e reconstruir. Por isso, escrevo nesse espaço virtual, nas redes socias, e claro escrevi um livro. Acreditem, escrever sempre será uma forma de democratizar o conhecimento.

Referencia: TEBEROSKY , Ana e COLL de Cesar. Aprendendo Português. Conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental de 1a a 4a série. Ática, 2000.
IMAGENS: Aplicativo Bitmoji e arquivo pessoal

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

POR QUE DEVEMOS PLANEJAR A ESCOLA E A SALA DE AULA?

Por que os gestores escolares e professores 

devem planejar?


Por Marli Dias Ribeiro

A maioria das pessoas não planeja a falha, elas falham no planejamento.
( Jonh Beckley)

         Encerramos mais um ano e devido à dinâmica que envolve a gestão escolar, fechamos um ciclo, um período letivo terminou. Iniciamos a partir de agora as avaliações de uma etapa que se findou para pensarmos um novo planejamento. Parece ser uma receita dos tempos da vovó, mas sempre cabe alertar que sem planejamento, sem resultados…
     Para dar certo, para nossas escolas crescerem, para nossos estudantes aprenderem, devemos planejar. Se tardarmos em planejar, ou não planejarmos, é certo que falharemos. Em educação, seja na gestão da escola ou na gestão da sala de aula, a prioridade é partir para o planejamento!
Gestores e educadores que se apropriam dessa ferramenta indicam que o planejamento abre possibilidade pois:

1.   Reduz as ações e reações baseadas na emoção, no achismo, na adivinhação e na intuição por oferecer bases teóricas sólidas e dados pautados em resultados contextualizados.

2.   Pode-se fazer mais do que efetuar alterações marginais e simplistas de projetos que não deram certo e necessitam de ajustes por aprofundar as análises.
  
3.   Evita um estado de “apagar fogo” corriqueiro nas escolas, a eterna emergência e o corre-corre, auxiliando e antecipando diretrizes para ações ponderadas e controladas de problemas frequentes.

4.   Minimiza muitas falhas e pequenos problemas corriqueiros da rotina escolar, evitando desgastes desnecessários.


5.    Assegura que cada ação na escola possa ser coordenada e compartilhada, o que ajuda a decidir se cada função está adequadamente identificada,  e se o indivíduo responsável tem realizado suas atribuições.

6.   Organiza as decisões que têm melhores chances de produzirem as consequências desejadas tanto no presente, como para o futuro.
  
7.   Tende a diminuir as burocracias, pois ajuda a dividir melhor as tarefas do dia a dia, e  a ajustar e reduzir o caminho dos processos.

8.   Promove atitudes de coletividade, cooperação e democracia, delegando tarefas e atribuições a todos.
  
9. Incentiva a criatividade, a autonomia, motivando a equipe, e sensibilizando para o enfrentamento dos problemas.

10. Dá visibilidade ao resultado dos esforços anteriores e indica caminhos para novas ações, o que pode ajudar a romper com a resistência ao planejamento.

11. Estabelece um clima escolar de transparência, amizade e companheirismo,  evitando competitividades e estresses.

12. Promove resultados que podem ser compartilhados por toda comunidade e principalmente, pelos estudantes.

13.  Indica que acertos e erros podem acontecer. Por isso, não tenham medo de errar,  pois como dizia Albert Einstein; ‘a pessoa que nunca cometeu um erro, nunca tentou algo novo’.

         Por fim, elabore o planejamento com as bases teóricas que fundamentam as aprendizagens, utilize os mais variados instrumentos, as diversas metodologias disponíveis, invente e reinvente, mas tempere tudo isso com o melhor que você pode oferecer a sua comunidade que é o diálogo, a democracia, o comprometimento e o amor.

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