Conhecer do cérebro pode favorecer as tomadas de decisão na educação
Por Marli Dias Ribeiro
Este espaço é destinado a divulgar experiências, textos, desafios, dicas, e sonhos de gestores escolares e professores que buscam compartilhar ações e conhecimentos. Lugar de quem faz acontecer a escola pública democrática no Brasil. Participe, divulgue e colabore. Venha criar uma rede de cooperação por uma Gestão Escolar Democrática e transformadora. Educação direito de todos. Faça parte. Cuidar da escola é investir no futuro!
Por Marli Dias Ribeiro
Natal: Tempo de Renascer
Cristo pode nascer mais de duas mil vezes no Natal, mas se ele não estiver nascido em nós e em nossas casas, tudo terá sido em vão!
Precisamos estar grávidos de paz, esperança e humanidade!
Ele nasceu para ser o Deus que se fez e se faz humano para sentir o outro!
Por isso, grandes banquetes, presentes caríssimos, luzes, roupas finas são um
paradoxo à simplicidade do Santo Presépio!
Porque nele, o amor sempre se sobrepôs ao poder e ao ter!
Assim, o Rei nasceu em meio ao simples.
Neste espírito, desejo que toda simbologia da festa de Natal nos ilumine com a alegria do Espírito Santo encarnado em uma criança!
Que Sagrada Família possa abençoar, você e todos nós!
Que em um mundo de dores e guerras, fome e doenças, a estrela de Belém nos mostre caminhos para novos tempos de esperança e fé!
Que possamos renascer com Cristo nesta noite de luz!
Feliz Natal hoje e sempre!
Prof. Dra. Marli Dias Ribeiro
Equidade na Educação: um Caminho para evitar a Cultura do Fracasso Escolar (Pedagogia do Fracasso Escolar)
Por Marli Dias Ribeiro
A distorção idade-série é um problema educacional persistente no Brasil, caracterizado pela discrepância entre a idade cronológica do estudante e a série que ele frequenta. Em outras palavras, trata-se de uma situação em que um aluno está em uma série escolar acima ou abaixo daquela correspondente à sua idade. A educação é um direito de todos e a distorção idade-série é um obstáculo que impede muitos jovens de alcançar seu pleno potencial. Suas causas, consequências e impactos precisam ser conhecidos para que o enfrentamento seja adequado.
Causas da distorção idade-série:
Consequências da distorção idade-série:
Impactos para a sociedade:
Medidas para combater a distorção idade-série:
A distorção idade-série é um problema complexo que exige ações coordenadas de diversos atores sociais, como governo, escolas, famílias e comunidade. Ao investir em políticas públicas eficazes e em práticas pedagógicas inovadoras, é possível reduzir significativamente a distorção idade-série e garantir uma educação de qualidade para todos os estudantes.
Sobre o livro: O menino da última carteira, da invisibilidade à superação da Pedagogia do Fracasso Escolar
Danilo Ribeiro de Sousa
Você sabia que muitos estudantes estão sendo prejudicados pela distorção idade-série, atraso escolar ou defasagem entre a idade e o ano de estudo?
Essa diferença entre a idade ideal para uma série e a idade real do aluno pode afetar diretamente seu desempenho escolar e suas perspectivas de futuro. Mas a boa notícia é que existem soluções para esse problema! Soluções criativas e colaborativas.
O livro escrito pela Doutora em Educação Marli Dias Ribeiro mostra a partir de um estudo que a gestão democrática nas escolas é fundamental para reduzir a distorção idade-série.
Ao envolver todos os membros da comunidade escolar – diretores, professores, alunos e famílias – na tomada de decisões, é possível identificar as causas desse problema e encontrar soluções personalizadas para cada realidade.
Mas como a gestão democrática pode ajudar?
O que podemos fazer?
Essa obra é um escrito importante que evidencia como podemos construir escolas mais justas e democráticas, onde todos os alunos tenham a oportunidade de aprender e se desenvolver na idade certa. É uma leitura obrigatória para quem deseja promover uma educação participativa. Leiam, divulguem e se mobilizem para que nenhum estudante fique para trás.
Adquira o seu exemplar em: https://www.editoracrv.com.br/produtos/detalhes/38914-o-menino-da-ultima-carteira-brda-invisibilidade-a-superacao-da-pedagogia-do-fracasso-escolar?srsltid=AfmBOoqfHMzvcEDQ0IPC0JnCUrxmZu1oq9Q1m4r8XZ96fNzO4GQFm-DJ
Por Marli Dias Ribeiro e Lucicleide Araújo
O livro “Nas trilhas com o Lobo-Guará” reúne ensaios inéditos de escrita criativa sobre os processos de ensino e aprendizagem, construtores de saberes e semeadores de sonhos de toda a comunidade escolar do Centro de Ensino Médio do Guará. É um livro que foi pensado e elaborado de modo detalhado e com muito carinho pelos pesquisadores do Projeto Líber – Laboratório Interdisciplinar de Metodologias Educacionais – juntamente com a equipe gestora. É uma fonte de expressão das experiências vivenciadas, bem-sucedidas e que provocaram transformações profundas nos sujeitos que trilharam o chão da escola. Elaborado por meio de uma linguagem simples, criativa, o livro é a expressão mais pura e genuína da sabedoria vivida pela comunidade. Construção histórica das pessoas que trilharam caminhos, perpassando dificuldades, desafios, mas que fizeram história e deixaram as suas marcas, acreditando na máxima da não existência de estudantes fracassados, movidos sempre por uma certeza esperançosa de que a Educação é o instrumento de transformação.
O livro pretende a desafiadora tarefa de apresentar a distorção idade-série a partir do ponto de vista de quem a experienciou, seja como estudante, como professor/a, como gestor/a, como comunidade. Trata-se de uma construção de saberes, de vida e de sonhos que procurou caminhar fora de uma ótica de padrões e de contornos convencionais, do que ordinariamente é publicado acerca do atraso escolar, que afeta um número expressivo de estudantes da Educação Básica.
Os autores que fazem parte da obra se uniram e se reuniram para ampliar a liberdade do fazer pedagógico, do refletir e do pensar a educação mediante a evidência de suas narrativas, histórias de vida reais e sonhos permeados de fertilidade, de significado e de sentido. A preocupação em relação às técnicas apuradas parou na sombra da lobeira, mas a sensibilidade das vivências nos arrancou do descanso. E como ensina Larrosa (2021)12, buscamos dignificar a experiência, não coisificá-la, retirar o dogmatismo e pensar que toda experiência nasce a partir da paixão e não da ação.
Assim, apaixonados, seguem pelas trilhas apresentadas os saberes constituídos para indicar possibilidades de encantamento pela educação e pela vida. Toda a constituição da obra teve como fonte de inspiração a Pedagogia Alpha, no sentido que de nossa presença teve também como pressuposto um encontro dialógico, e como finalidade a formação de professores, sustentável e sensível, e o processo pedagógico, comprometido, competente e transformador (Síveres, 2019).
1 LARROSA, J. Tremores: escritos sobre experiência. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.
Coleção: Experiência e Sentido.
2 SÍVERES, L. Pedagogia Alpha. Presença, proximidade, partida. Curitiba: Publishing, 2019.
Link da obra completa: Nas trilhas com o Lobo Guará: construindo saberes e semeando sonhos na perspectiva da distorção idade-série
SOBRE PESADELOS E SONHOS
Marli Dias Ribeiro
Sonhos...
Penso ser mais agradável iniciar pelos pesadelos, pois
prefiro encerrar a escrita com bons sonhos, utopias de quem
imagina ser a educação um belo sonhar. Uma utopia que acredita
na teoria aprendida na universidade como uma prática possível.
Talvez exista uma necessidade urgente em se pensar e entender o
que nós educadores estamos comunicando aos nossos alunos, aos
nossos companheiros de trabalho, às nossas comunidades
escolares.
De fato, as incertezas, e a fluidez desse mundo pós-
moderno que nos é apresentado, “o espanto e o encanto” das
informações oferecidas em alta velocidade, em apenas um
clique, um toque, e abre-se a realidade. Esses movimentos
incontroláveis nos empurram, ou, se não, deveriam empurrar a
questionar nossas práticas. Todavia, a escola que temos e o
trabalho que realizamos não estão sustentando as nossas dúvidas.
E seguimos a transitar, ora pela sombra, pelo velho e sólido
mundo, ora pelo novo e líquido tempo (BAUMAN, 2001).
Trecho da obra: Por uma escrita rebelde no stricto sensu de Marli Dias Ribeiro
Falar sobre os aspectos que envolvem a intimidade feminina ainda é um grande desafio. O tema, apesar de atingir milhares de meninas e mulheres em todo Brasil, não chega a ser debatido com a urgência que merece. E você, já ouviu falar em pobreza menstrual? Ela existe e afeta o mundo feminino, social, psicologicamente e em termos de saúde e higiene.
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância- UNICEF- apresentam este contexto no Relatório Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e
violações de direitos do UNICEF (2021), informando que existe contingente expressivo de mulheres que não tendo ao absorvente para higiene pessoal. Elas arriscam-se com formas inadequadas e improvisadas para conter o sangramento: papel higiênico, pedaços de panos, roupas velhas, jornal e até
miolo de pão.
Sensibilizada pela realidade excludente que vivemos, tive a oportunidade de participar, a convite do INSTITUTO ELA - Educadoras do Brasil, da organização de um obra literária que reuniu mulheres de todo Brasil, em prol desta temática e da campanha Adote um Ciclo que é uma ação contínua.
Com a pandemia, a situação de vulnerabilidade aumentou muito. E mesmo em tempos de pós- pandemia nossas iniciativas devem continuar para atendermos muitas mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade.
No livro, além de dados e histórico do problema, envolvemos os leitores em narrativas e poesias que desenvolvem o tema. Informação e emoção juntas, para ampliar essa rede em favor da dignidade feminina.
Para saber mais, leia e adquira o livro e, claro, adote um Ciclo!
Contamos com você nessa narrativa colaborativa.
Livro: Narrativas e Memórias de um fluxo de amor - Editora Um livro
Org. Marli Dias Ribeiro; Sandra Garcia; Sônia Colombo.
Mais informações e aquisição da obra: INSTITUTO ELA- EDUCADORAS DO BRASIL
REFLEXÕES SOBRE TÉCNICA, TEMPO, EMOÇÃO, SERVIDÃO
Por Marli Dias Ribeiro
Gosto de reflexões desafiadoras...instigantes e posso dizer, polêmicas...
O
lugar tem grande importância e não deve ser desconsiderado. Como ponto de
partida o espaço é definido como sendo um conjunto indissociável de sistema de
objetos e sistemas de ações. Precisamos nos atentar ao fato de que os espaços
são sistemas de valores e que os objetos agora são criados para parecerem mais
perfeitos que a própria natureza. Mundo globalizado, gente alienada, e a racionalidade
de fato é a força do capitalismo.
Neste
aspecto, o autor ensina que o lugar é, assim, o ponto do recorte territorial. Não
há território sem ação técnica, e não há técnica fora de um território. Daí que
a técnica só exista como meio-técnico. O homem por meio da técnica interfere e
realiza a diversificação da natureza. Modifica e reconstrói a partir de seus interesses, ou necessidades, ou poder!
Esse
movimento se dá numa dialética de trocas de posição constantes sobre a qual a
ação humana intervém e cujo resultado é o lugar. Essa lógica nos ensina que a história
do espaço coincide e se revela na história da técnica, e a configuração geográfica
evolui do espaço singular ao espaço recortado, na fragmentação da
horizontalidade e verticalidade do mundo global de hoje. Quem domina o espaço, domina o tempo, o território, as técnicas e as emoções! O poder vincula-se à
Ao final, ou o que nos resta, é abrir olhos e ouvidos, parece que estamos em espaços e tempos construídos meticulosamente para que sejamos subjugados a servidão voluntária. Nela, somos cegos, imóveis, comandados em tudo e em nada...em um sistema organicamente formatada para dominar!
Imagem: pixaby
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2002.
Paradigmas da
exclusão social
Necessidades humanas na escola
Marli Dias Ribeiro
A fome e alta no preço dos alimentos são exemplos de exclusão em nosso cotidiano.
A juventude brasileira quando analisada em seu aspecto social parece marcada pelo estigma da desigualdade social que emerge em formas variadas de situações de risco, pobreza, violência, evasão escolar, e outros, mostrando-se num mal-estar.
A carência inerente
aos variados deságios sofridos em relação às necessidades humanas são objeto de
constante pesquisa por parte da Pedagogia Social que considera essas
necessidades indispensáveis a formação do sujeito, sejam elas materiais, ou
pós-materiais, reflexos das relações sociais.
As necessidades humanas, e
sobretudo, da população jovem, fazem parte de um conjunto complexo de fatores
que contribuem na formação da personalidade e sua frustação, em muitos casos,
provocam situações de risco, delinquência ou desajuste social.
Enquanto fator importante para compreensão desses problemas
os esforços para definir as necessidades humanas são variados. Primeiramente,
as perspectivas propuseram-se a encaminhar os debates dentro de abordagens
naturalistas, posteriormente cultural e sociológica. Essas concepções
permutam-se dependendo dos tempos, espaços, da disciplina enfocada, da análise
estabelecida. As conceituações caminham por variantes filosóficas, psicológica,
econômica e sociológica.
A educação formal, na escola, ou a não formal, fora da escola, devem estar atentas a esta realidade e considerar estes fatores como determinantes em seus planejamentos.
Uma escola que não enxerga a realidade e o contexto
social do estudante esta fadada ao fracasso em seu processo de inclusão social e
em sua missão de formar cidadãos.
Referência:
CALIMAN,
Geraldo. Paradigmas da exclusão social. Brasília: Editora Universa, UNESCO,
2008.368 p.
LOURENÇO, M. B. & FILHO, L. R. (org.) A formação de professores: da Escola Normal à Escola de Educação.
Brasília, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 2001.125p.
“ Nenhuma profissão justifica progresso e avanços constantes como a de mestre ” (LORENÇO, 2001, p.114).
Por Marli Dias Ribeiro
O
livro de 125 páginas reuni uma coletânea de nove ensaios publicados na Revista de Educação, de
Piracicaba, São Paulo e na Revista de Estudos Pedagógicos, do Rio de Janeiro no
antigo, Distrito Federal, de 1922 até 1960.
Alguns dos textos são exemplos singulares em experiência de formação de
professores na década de trinta. Eles agregam documentos históricos e
pedagógicos, estudos e práticas de preparação de docentes. Em linguagem
objetiva e com trechos reflexivos tornam Lourenço Filho uma
referência nacional na educação e na gestão escolar.
No
texto: A arte de ensinar, o tema é a vocação. O autor inicia
apresentando ao leitor a ideia de que aprender e ensinar são o alvorecer da
vida humana. A complexidade social encaminhou o pai, o mestre e o sacerdote a
prolongar os costumes de ensinar, seja pela tradição de chefe patriarcal, seja
pelo cunho religioso, fazendo-se assim, do ensino um fundamento da sabedoria.
A escola moderna como função do Estado geraria
segundo o autor, o mestre em seu tipo atual, o professor civil e leigo, homem
ou mulher. A profissão nasceria do poder do pai, ou a serviço da crença. O
professor seria o mestre, um soldado da pátria, ou servidor de Deus, destaca
Lourenço.
Inicialmente
são apresentadas as condições, o surgir, e o lugar do professor. Em seguida, o texto
mostra as condições e dificuldades de se alcançar o elevado valor da missão
educativa.
A figura da professora não
aparece retratada com a de uma simples heroína, o trabalho intelectual, segundo
o autor, tem a fácil ideia de facilidade, o que de fato não é. Por outro lado, questões
econômicas e políticas, definem, ser o professor em essência, uma criatura
ínfima na ordem social. O poder do mestre ultrapassa a questão econômica e se estabelece
não é pela força física, que a porém, pelo fato de que ensinar pode ser dominar.
Nesse
sentido, pergunta-se da existência de uma vocação para o magistério. Ela
existe? A resposta de Lourenço é que não
há uma vocação mística, predisposição orgânica, mas sugere-se que certos
indivíduos com maior ou menor eficácia aderem à profissão por influência
social. Destaca que a tendência de ensinar é comum, todavia a certos tipos que
suportam melhor a profissão, possuem psiquismo que melhor respondem às suas
exigências.
EDUCAR NA ERA DIGITAL: a escola pensando e fazendo
gestão do conhecimento
Por Marli Dia Ribeiro
O mundo mudou e a educação precisa e deve acompanhar os contextos de transformação ou pode deixar de oferecer aos estudantes as habilidades e expressões dos novos tempos.
São várias as habilidades que precisam ser trabalhadas e desenvolvidas. Destacamos as que foram explicitadas por
Por fim, o desenvolvimento destas habilidades é um processo coletivo que deve ser construído a partir do diálogo e da colaboração de toda comunidade.
Fonte: W. (TONY) BATES -EDUCAR NA ERA DIGITA: design,
ensino e aprendizagem. As competências necessárias na sociedade do conhecimento
(adaptado da CONFERENCE BOARD OF CANADA, 2014):
AVALIAÇÃO: RESPEITO, CUIDADO E ZELO COM O OUTRO
Prof. Dr. Erisevelton Silva Lima
A maneira como tratamos as pessoas no trabalho revela, quase sempre, como lidamos com o outro no cotidiano, independente da profissão abraçada. A questão da avaliação torna os tons, mais fortes, porque muitos avaliadores parecem desfrutar de uma situação ultraprivilegiada e repleta de vaidades. Como bem afirmaram Freitas e outros (2009) a avaliação abre ou fecha portas, nesse sentido reiteramos sobre a necessidade de mantê-las, pelo menos, entreabertas; a intenção é a de que evitemos danos maiores ou prejuízos indeléveis para aqueles que estão aprendendo. À guisa da garantia do controle muitos avaliadores dilaceram a ética e a compaixão em nome de algo presumível, porém pouco tangível, ou seja, o próprio conceito de qualidade; a isso Sordi e Santos (2021) denominaram, acertadamente, de avaliocracia.
Não podemos
esquecer que somos todos sujeitos da aprendizagem enquanto avaliamos, a
diferença é o sentimento que ficará com o outro em razão de como foi ou não
respeitado. Cumpre lembrar que assim se estrutura o ‘profissionalismo’ daqueles
que tecem os fios da colcha artesanal da avaliação, infelizmente, sem que
percebam as diversas exclusões praticadas. Não foi em vão que Hoffmann (2014)
alertou-nos que ao avaliar nos denunciamos.
Sabemos, sobejamente, que a avaliação no percurso se difere da avaliação do percurso. Todavia, percorrer com o outro garantindo-lhe a escuta, ajustando o itinerário formativo e potencializando o diálogo entre o avaliador com o avaliado pode atenuar as dores e os dissabores que permeiam essa jornada. Avaliar é uma tarefa árdua e repleta de sentimentos, ora bons, ora ruins. Recorramos a Marshal Rosenberg (2006) para lembrarmos que a forma como nos comunicamos pode ser mais ou menos violenta e, com isso, intensificamos a saúde do diálogo entre o avaliador com o avaliado. Em decorrência dessas e outras, algumas questões precisam ser eleitas, quais sejam: como estabeleço um diálogo avaliador respeitoso, como realizo uma escuta ativa no momento da avaliação, como permito ao estudante manifestar suas dúvidas e angústias no processo educativo/avaliativo, como garanto a defesa e o argumento do sujeito que avalia enquanto é avaliado? Tais respostas podem nos ajudar nos momentos privilegiados da formação dos professores novos ou daqueles mais experientes. Talvez esteja aqui o objetivo deste pequeno texto reflexivo: que cada um preencha com suas próprias respostas.
Cumpre
lembrar que nossas experiências, vagas ou vastas, são detentoras de inúmeros
prejuízos causadores das impaciências para ouvir, escutar e se conectar com o
outro. Somos apressados, nossas preconcepções se arvoram e antes mesmo que o
outro fale já completamos o pseudosentido da frase ou palavra que deduzimos.
Eis um desafio hercúleo, aprender a escutar. É, pois, nesse sentido que sugerimos
o uso dos diálogos que potencializem a autoavaliação como precursores dos
estágios de acolhida, escuta e conexão com aqueles que agora aprendem. Tais
diálogos, socráticos, deixam o outro falar, elaborar e refletir sem medo de
punição, vale lembrar.
Aprendamos como avaliar, sobretudo, com humanismo. Para isso precisamos que os sujeitos avaliados possam, também, avaliar a avaliação a que foram submetidos. A bandeira ou tema da avaliação abala as relações institucionais e pessoais. Nossa história de avaliar para excluir e punir ainda deixa o campo educacional tenso e fértil para desconfianças e medos, e isso é muito ruim. Os diálogos que estimulam a autoavaliação podem corroer essas rígidas estratégias da cultura avaliativa, os sujeitos da avaliação não precisam ser vistos como perseguidores ou perseguidos, eles podem entender que a avaliação que desejamos é formativa e, portanto, interventiva, dialogada, consensual e ética. Como bem disse Villas Boas (2014), trata-se de avaliar para a aprendizagem. Quanto mais os sujeitos do processo educativo/avaliativo demonstrarem segurança e confiança uns nos outros, melhores serão os resultados. Não precisamos ameaçar ou amedrontar para ensinar, muito menos para aprender
Texto gentilmente cedido por: Erisevelton Silva Lima – Pedagogo, Doutor em Educação pela Universidade de Brasília-UnB), Professor da SEEDF e formador para docência nas escolas judiciais e de magistratura brasileiras.
REFERÊNCIAS
FREITAS, Luís Carlos de e outros.
Avaliação Educacional: caminhando pela
contramão. Ed Vozes, RJ, 2009.
HOFFMMANN, Juçara. Avaliação
Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. 33. ed.
Porto Alegre, RS: Mediação, 2014
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para
aprimorar relacionamentos pessoais e
profissionais. Ed. Ágora, RJ, 2006.
SORDI,
Mara Regina Lemes de. SANTOS, Marcos Henrique Almeida dos. O lugar da avaliação das
aprendizagens em uma perspectiva histórico-crítica. In: VEIGA, Ilma Passos
A. FERNANDES, Rosana César Arruda, (Org) Por uma Didática da Educação Superior.
Autores Associados- SP, 2021.
VILLAS
BOAS, Benigna Maria de Freitas. Avaliação
para a aprendizagem na formação de professores. Cadernos de Educação, Brasília, n. 26,
p. 57-77, jan./jun. 2014
Conhecer do cérebro pode favorecer as tomadas de decisão na educação Por Marli Dias Ribeiro Vamos falar de Educação e Neurociência? ...