sábado, 11 de abril de 2020

OS DESAFIOS NA EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE COVID 19





 EDUCAÇÃO
EM TEMPOS DE COVID 19: Desafios e reflexões 



Por Marli Dias Ribeiro




Grandes calamidades, guerras, momentos de caos são situações de impacto, mas que podem promover grandes reflexões. Nunca a educação se viu nesses mais de 500 anos, tão desafiada a dar repostas rápidas! Em educação ouvimos que tudo leva muito tempo...O problema é que agora não temos esse longo tempo.

Se por um lado, as redes privadas de ensino, as universidades conseguem alcançar mais de 90% de seus estudantes, as redes públicas, que atendem mais de 80% das crianças e jovens, ainda não tem tecnologia acessível em metade das escolas de ensino fundamental do país. Apenas 46,8% das escolas de ensino fundamental dispõem de laboratório de informática; 65,6% das escolas têm acesso à internet; em apenas 53,5% das escolas a internet é por banda larga (Censo Escolar 2017-MEC).
As estruturas de ensino a distância que usamos hoje, não chegam com efetividade pedagógica na educação infantil e no ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, pois os estudantes podem não possuir autonomia para realizarem as atividades sozinhos, e necessitam de acompanhamento, tutoria ou ajuda da família.
Ainda, a Educação Básica brasileira, no que tange ao Ensino Fundamental, não prevê a modalidade de Educação a Distância. Nenhuma legislação, tais quais a Constituição Federal de 1988; a Lei Nº 9.394 de 1996 – Lei das Diretrizes e Bases; Plano Nacional de Educação – PNE, as Diretrizes Pedagógicas da Educação à Distância cujo Decreto N. º 2.494, de 10 de fevereiro de 1988 regulamentam a adoção para crianças e jovens da EAD. Um paradoxo da rede pública que não acompanha a sociedade do conhecimento e da tecnologia, nem mesmo nas legislações. A nova BNCC, traz algum avanço, mas a materialização ainda está a passos vagarosos.
Atender com qualidade nossos estudantes não se restringe, simplesmente, a ampliar o contexto de educação a distância. O fato é que essa crise deve nos ensinar a criar e organizar novas condições de aprendizagem, alfabetizar nossas crianças, investir em condições de infraestrutura nas escolas, ao menos, como ação preventiva para calamidades futuras!
O Coronavírus está nos mostrando, que em educação, não existem invenções mirabolantes. Não resolverá encher as caixas de e-mails dos pais, enviar listas de atividades desregradas. Cultura de acompanhamento pedagógico, famílias e estudantes leitores, não aparecem em um passe de mágica, mas dependem de políticas públicas e investimentos em educação a longo prazo.

Talvez, essa complexa realidade, nos ensine que a escola é importante, o professor é importante. Que a escola, é casa,é aconchego, é sobrevivência para muitos. Que a educação ultrapassa os muros da escola, que educadores bem formados, são essenciais para o país, que cada educador todos os dias, atende todas as vulnerabilidades sociais, os jovens e as crianças invisíveis da virologia da exclusão social. Por fim, educação é vida, a escola é vida, ela é mais que listas de tarefas, e de plataformas. Esperamos novos aprendizados para enfrentarmos essa trajetória sem reforçar as grandes desigualdades de nosso país. Que a nova pandemia seja a da educação e que não nos falte muita coragem.


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